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Mais de metade dos solos do mundo estão em más condições, alerta novo relatório da ONU

todayAgosto 27, 2026 24

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Ulan Bataar, 27 de agosto de 2026 (RAFA) – Mais de metade dos solos do planeta encontram-se em más condições, ameaçando a produção alimentar e a biodiversidade globais, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A organização defende, por isso, uma mudança de paradigma, “de uma mentalidade de exploração do solo para uma de gestão responsável do solo”.

Segundo os autores do documento, os solos sustentam 95% da produção alimentar mundial, albergam 59% da biodiversidade global e constituem o segundo maior sumidouro de carbono do planeta, depois dos oceanos – ainda que a degradação continue a acelerar a um ritmo preocupante.

O relatório concluiu que em 52,5% das regiões e sub-regiões analisadas a gestão dos solos é má ou muito má.

Em cerca de um terço dos casos a situação é classificada como razoável, e apenas em 14% dos casos como boa ou muito boa.

Trata-se do segundo grande relatório da FAO sobre o estado dos solos a nível mundial, depois de um trabalho pioneiro em 2015.

Desde então, segundo a organização, a população mundial cresceu 800 milhões de pessoas, enquanto 80 milhões de hectares adicionais de terra – uma área próxima da soma de França e Alemanha – foram convertidos para culturas de grande escala.

A erosão é, de longe, a principal ameaça aos solos, com terra a ser arrastada pela água ou pelo vento devido a práticas insustentáveis.

Outras ameaças identificadas incluem a perda de matéria orgânica, a má gestão de nutrientes, a redução da biodiversidade do solo, a acumulação de sal, a poluição e a expansão urbana.

As alterações climáticas ameaçam agravar a maioria destes problemas, ao mesmo tempo que a própria degradação dos solos contribui para o aquecimento global – embora a melhoria da saúde dos solos possa também reforçar a resiliência e ajudar a combater o fenómeno.

Segundo os autores, a maioria das técnicas de proteção e recuperação dos solos já era conhecida antes de 2015, mas continua por aplicar de forma generalizada.

A gestão dos solos apenas melhorou em 10% das áreas avaliadas, tendo-se deteriorado em 58% delas.

Entre as medidas recomendadas contam-se a redução ou abandono da lavoura, o cultivo de plantas de cobertura como leguminosas e brássicas, a agrofloresta e um uso mais equilibrado de fertilizantes naturais e artificiais.

A FAO sublinha que o problema não é a falta de conhecimento, mas sim o acesso limitado a recursos e os custos iniciais elevados, apelando a maiores incentivos financeiros, dados mais localizados e o aproveitamento do conhecimento indígena.

O relatório foi divulgado durante a Cimeira COP17 sobre desertificação, que decorre em Ulan Bataar, capital da Mongólia, até 28 de agosto, onde diplomatas e especialistas de todo o mundo esperam alcançar um acordo global para combater a seca.

A FAO estima que 1,66 mil milhões de hectares de terra estão afetados por degradação de origem humana, com mais de 60%, ou mil milhões de hectares, a ocorrer em terrenos agrícolas.

A anterior conferência, COP16, realizada em Riade há dois anos, não chegou a acordo.

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Escrito por RafaFM

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