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Mais de 440 detidos em operação asiática contra exploração sexual online de menores

todayAbril 28, 2026 63

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Díli, 28 de abril de 2026 (RAFA.TL) – Sete forças policiais asiáticas conduziram uma operação conjunta transfronteiriça contra a exploração sexual de crianças online, com a detenção de 445 pessoas em Singapura, Hong Kong, Japão, Coreia do Sul, Tailândia, Malásia e Brunei.

A operação, denominada Cyber Guardian, constitui a terceira grande operação conjunta do género realizada este ano na região.

Segundo a Agência Nacional de Polícia da Coreia do Sul, a operação decorreu entre 23 de março e 17 de abril de 2026, em colaboração com forças policiais de sete países asiáticos: Singapura, Malásia, Hong Kong, Japão, Tailândia, Brunei e Coreia do Sul, com o objetivo de reforçar a resposta transnacional aos crimes de exploração sexual de menores.

As autoridades conduziram uma investigação com base em inteligência relativa a redes peer-to-peer e plataformas online, identificando indivíduos que descarregavam ou partilhavam material de abuso sexual de menores.

Após investigação aprofundada e análise, as forças policiais das sete jurisdições identificaram os suspeitos e procederam às detenções.

A Coreia do Sul foi o país com mais detenções: 225 pessoas, representando 50,6% do total de detidos, das quais 19 foram colocadas em prisão preventiva.

Dos 225 arguidos sul-coreanos, 133 (cerca de 59,1%) foram detidos por produção de material de abuso sexual de menores, a modalidade criminosa com maior representação, seguida da posse de tal material.

Em Hong Kong, nove homens com idades entre os 18 e os 61 anos foram detidos na sequência de rusgas realizadas a 14 de abril. Um deles é suspeito de ter agredido sexualmente um rapaz de 12 anos repetidamente entre 2023 e 2024.

Um dos aspetos mais preocupantes revelados pelas autoridades foi a utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa para a criação de material de abuso sexual de menores.

Entre os dispositivos apreendidos em operações anteriores do mesmo tipo contaram-se computadores, telemóveis, tablets, dispositivos de armazenamento e routers, bem como material de abuso sexual de menores criado com recurso a ferramentas de IA generativa.

Em operações anteriores deste tipo, os suspeitos incluíram funcionários públicos, contabilistas, web designers e instrutores de informática, revelando que os autores deste tipo de crimes provêm de diferentes estratos sociais e profissionais.

As infrações envolveram a utilização de redes peer-to-peer e grupos de Telegram para aceder e, em alguns casos, distribuir o material ilícito.

As autoridades da Malásia sublinharam os desafios colocados pelo uso de endereços IP dinâmicos e redes VPN, que dificultaram o rastreio dos suspeitos.

O vice-inspetor-geral da polícia malaia propôs alterações legislativas que obriguem os fornecedores de serviços de internet a reter dados de utilizadores durante pelo menos três anos.

O psicólogo clínico da polícia de Hong Kong, Michael Fung, alertou para o fenómeno do grooming sexual, citando um estudo conjunto com a Universidade de Hong Kong e a Universidade Shue Yan que revelou que 15% dos inquiridos admitiram ter consumido pornografia infantil – um valor que representará apenas “a ponta do icebergue”.

Fung sublinhou que os rapazes são tão vulneráveis a predadores sexuais em linha como as raparigas, e que os autores deste tipo de crimes podem provir de diferentes classes sociais, com variados níveis de rendimento e escolaridade.

Em Singapura, a posse ou acesso a material de abuso sexual de menores é punível com pena de prisão até cinco anos, podendo ainda ser aplicada multa ou pena de flagelação. A produção ou distribuição de tal material pode implicar penas mais severas.

Em Hong Kong, a posse de pornografia infantil acarreta pena máxima de cinco anos de prisão e multa de um milhão de dólares de Hong Kong, enquanto a produção ou distribuição é punível com até oito anos de prisão e multa de dois milhões de dólares de Hong Kong.

Hong Kong aderiu à Base de Dados Internacional de Exploração Sexual de Crianças, operada pela Interpol e que serve uma rede de investigadores de 75 países.

Esta base de dados identificou mais de 60.000 vítimas e conduziu à detenção de mais de 25.000 arguidos em todo o mundo.

A operação insere-se numa tendência de aprofundamento da cooperação policial regional nesta matéria. Em 2024, uma operação conjunta de Singapura, Hong Kong e Coreia do Sul resultou em 272 detenções. Em 2025, a participação alargou-se a seis países, com 435 detidos.

Em 2026, com a inclusão de Brunei, o número de jurisdições participantes subiu para sete e os detidos ultrapassaram os 445.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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