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Genebra, 18 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, avisou esta quarta-feira Donald Trump para não se intrometer nas eleições presidenciais do Brasil, depois de o Presidente norte-americano ter classificado o país como “perigoso politicamente” e criticado a condenação do filho do seu aliado Jair Bolsonaro.
Em conferência de imprensa em Genebra, à margem da cimeira do G7 que decorreu na localidade vizinha francesa de Évian-les-Bains, Lula sugeriu que o Presidente norte-americano “devia aprender” com o sistema eleitoral brasileiro.
“Não se intrometa nas eleições do Brasil, porque as eleições brasileiras são assunto do Brasil, assim como as eleições americanas são assunto deles e não meu”, disse Lula numa conferência de imprensa em Genebra, após a sua participação como convidado na cimeira.
“Quero apenas o mesmo respeito pelo Brasil que tenho pelos Estados Unidos.”
Trump afirmou no G7 que o Brasil é um país “politicamente difícil” e descreveu como “desagradável” a condenação de Eduardo Bolsonaro, afirmando que “detiveram alguém que está a candidatar-se às eleições e que ia bem nas sondagens, e detiveram-no por declarações feitas no Texas”.
A descrição de Trump confundiu os dois irmãos: Eduardo Bolsonaro, condenado na terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão por coação ao sistema judicial, é residente no Texas e não é candidato a qualquer cargo.
Quem concorre contra Lula nas eleições de outubro é o seu irmão mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, que não enfrenta qualquer processo judicial. Os dois irmãos reuniram-se com Trump na Casa Branca no mês passado.
Lula disse que Trump é livre para continuar a gostar dos Bolsonaro.
“Pode continuar a gostar do Bolsonaro, pai, filho e neto. Não há problema nenhum com isso. É o problema dele. Para gostos não há regras.” Mas estabeleceu uma linha vermelha-clara sobre as eleições.
Lula defendeu o sistema de voto eletrónico brasileiro, que permite conhecer os resultados em cerca de duas horas, e considerou que os Estados Unidos podiam aprender a realizar “eleições mais calmas, mais leves e menos problemáticas”.
“Se alguém tem de aprender sobre eleições civilizadas, esse alguém é o Trump”, acrescentou.
Sobre o encontro com Trump na cimeira, Lula descreveu-o como breve e disse não ter pedido uma reunião bilateral porque os dois países estão em negociações tarifárias.
Como, na sua opinião, Trump “fala muito e ouve pouco”, optou por entregar-lhe uma pasta com documentação sobre o trabalho do Brasil contra o crime organizado e sobre terras raras.
A condenação de Eduardo Bolsonaro decorre do processo em que o Supremo apurou que o ex-deputado lobbying junto da administração Trump para que fossem impostas sanções a funcionários judiciais brasileiros responsáveis pelo julgamento do pai, Jair Bolsonaro, condenado em setembro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022 para Lula.
A condenação de Eduardo implica ainda a sua inelegibilidade por oito anos.
As tensões entre Washington e Brasília têm-se multiplicado nos últimos meses.
Lula recordou que as empresas norte-americanas não participam em concursos públicos no Brasil há muito tempo e considerou que Washington não pode queixar-se de que a China ocupa espaços que estavam vazios, em alusão ao crescente relacionamento de Brasília com Pequim.
A administração Trump propôs entretanto uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras e classificou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, decisão que Lula também rejeitou, argumentando que esses grupos, apesar de aterrorizarem as populações locais, buscam lucro e não mudança política, pelo que não correspondem à definição de organizações terroristas.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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