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Livro “Why Nations Fail” chega a tétum e Prémio Nobel diz que livro pode “mudar vidas”

todayAgosto 25, 2026 31

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Díli, 25 de agosto de 2026 – O economista James Robinson, Prémio Nobel da Economia e coautor de “Why Nations Fail”, lançou esta terça-feira na Galeria Memória Viva a tradução da obra para tétum.

Durante o evento, destacou que Timor-Leste conseguiu fazer uma transição rara do colonialismo para uma sociedade mais inclusiva e defendeu os livros como instrumentos de transformação. Para o Nobel, isso dá ao país a base para alcançar a prosperidade.

“Estou super entusiasmado com a tradução. Quando escrevemos o primeiro livro juntos, foram 400 páginas de matemática. Nunca imaginámos tantas traduções. Ter em tétum é uma das partes mais gratificantes de toda esta jornada”, afirmou Robinson.

O académico começou a intervenção falando do poder da leitura. Disse que teve de escrever um texto para a Fundação Nobel após receber o prémio e que o tema central foi sobre livros.

“A minha vida é sobre livros. Tento comunicar aos estudantes: um livro pode mudar a sua vida. Faz você ver o mundo de forma diferente. Não estou a prometer nada sobre este livro em particular. Estou a falar dos livros em geral. Eles mudaram a minha vida”.

Robinson explicou que “Why Nations Fail” reúne 30 anos de investigação com Daron Acemoglu e Simon Johnson, contada através de estudos de caso e de história.

Usou como exemplo a Península Coreana. “Se olharem para uma fotografia da Coreia à noite, a Coreia do Norte está completamente às escuras. Vê-se a linha da Zona Desmilitarizada e a Coreia do Sul está cheia de luz. A esperança de vida no Sul é 10 anos maior. Houve fomes no Norte onde milhares morreram”.

Para ele, a diferença está na forma como cada sociedade organiza as oportunidades para as pessoas. “A prosperidade vem das pessoas. Da criatividade, das ideias, dos sonhos. O que precisamos são de sistemas que criem oportunidades e incentivos de base alargada para todos”.

O Nobel defendeu que por trás da economia está a política. “A razão fundamental é a política. Precisamos de um Estado com capacidade para garantir bens públicos, ordem e lei. E precisamos que esse Estado trabalhe para o interesse de toda a população, com uma distribuição ampla do poder político”.

Timor-Leste fez transição para sociedade mais inclusiva

Ao falar de Timor-Leste, Robinson disse que a história do país “encaixa-se perfeitamente” no debate do livro. Citou séculos de exploração portuguesa, com trabalho forçado e saque de recursos como o sândalo, e os 25 anos de ocupação indonésia.

“Vocês passaram por uma história muito difícil. Mas, de forma notável, conseguiram fazer a transição do colonialismo para algo muito mais inclusivo”.

Sobre África, destacou: “Muitos países pós-coloniais recriaram hierarquias coloniais. Mas vocês não fizeram isso aqui. Criaram uma sociedade muito mais inclusiva. Não sei se tem a ver com a luta, com o capital social e a solidariedade forjados contra a Indonésia. Mas o que me impressionou é que conseguiram fazer essa transição tão difícil”.

Para Robinson, o país ainda não é rico, mas já tem o mais importante. “Vocês têm a base para a prosperidade porque têm a base para inclusão genuína e mobilidade social. Há muito trabalho a fazer. Mas estão num lugar onde podem aprender com Maurícias, Cabo Verde, Coreia. Para mim, vocês estão num lugar muito bom. É preciso acertar no básico – e acho que acertaram naquilo que é mais fundamental”.

O académico contou que ele e Acemoglu começaram a estudar desenvolvimento há 35 anos, contra a corrente da época. “Os economistas diziam: ‘não se pode estudar isso’. Mas é por isso que nos tornámos cientistas sociais”.

Defendeu que a ciência social deve começar pelas perguntas importantes. Citou a Coreia como um “experimento natural”: um povo com mil anos de história comum dividido em 1950, com dois caminhos diferentes e resultados económicos completamente distintos.

O evento fez parte da Cimeira da ciência para o desenvolvimento onde a RAFA é parceira de media do evento .

Jornalista: Mateus Romário

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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