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Nações Unidas, 23 de setembro de 2026 (RAFA) – Enquanto as grandes potências dominam manchetes e tempo de antena, outros chefes de Estado deixaram marcas na primeira jornada do debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque.
Apelos diversos, com declarações fortes, à prevenção de crises, à justiça e à solidariedade internacional, numa jornada que viu um ‘walk-out’ da delegação cubana durante o discurso de Donald Trump.
Na sua intervenção, no primeiro dia, a presidente da Dominica, Sylvanie Burton, defendeu que o verdadeiro teste da organização está na capacidade de “prevenir o sofrimento” antes de ele acontecer, e não apenas em responder a ele.
Já o presidente de Angola, João Lourenço, pediu que “as vozes dos africanos sejam ouvidas” nas decisões estratégicas sobre segurança global e governação da inteligência artificial.
O presidente da Mongólia, Khurelsukh Ukhnaa, recorreu a um provérbio do seu país para resumir a mensagem: “Se fizeres o teu melhor, o destino trata do resto.”
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, garantiu que o país “não vai recuar perante os que impõem o terror” sobre o Estado de direito, prometendo perseguir o crime organizado.
Enquanto o rei Abdullah II da Jordânia associou os conflitos no Médio Oriente ao custo de vida em todo o mundo, notando que os seus efeitos chegam “de Mumbai a Madrid e Minnesota”.
Recep Tayyip Erdogan, presidente turco, apelou à segurança das crianças em Gaza, defendendo um céu com “papagaios a voar livremente, não caças ou drones”.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, resumiu a sua intervenção com uma frase curta: “O Chile está de volta. E isso não é apenas um slogan.”
O presidente das Seicheles, Mathew Herminie, reafirmou a política de não-alinhamento do arquipélago, descrevendo-a como “uma escolha ativa pela paz”.
Já o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, questionou se a ONU continua capaz de “salvar a humanidade da guerra, da pobreza e do desastre”, prometendo empenho na reforma da organização.
Enquanto os discursos de Donald Trump, Lula da Silva e António Guterres dominaram a atenção mediática na primeira jornada da Assembleia Geral da ONU, outros episódios curiosos e menos mediáticos marcaram também a reunião de alto nível em Nova Iorque.
A delegação de Cuba abandonou a sala quando Trump classificou o país como um “Estado falhado” no seu discurso perante a Assembleia.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, reagiu horas depois na rede X, rejeitando o que chamou “falsidades” e “calúnias”. “O governo dos Estados Unidos é incapaz de aceitar que Cuba é, e tem o direito de ser, um país plenamente independente e soberano”, escreveu.
Rodríguez classificou o bloqueio económico, incluindo o “cerco energético”, como “um ato de genocídio e castigo coletivo”, acrescentando: “Somos um país de paz e merecemos paz.”
Noutro momento, e enquanto assessores e jornalistas aguardavam a chegada dos líderes para a assinatura do acordo entre os Estados Unidos, a Dinamarca e a Gronelândia, a sala foi embalada por uma seleção musical algo inesperada.
Entre os temas tocados esteve uma versão de “Send in the Clowns”, balada do musical “A Little Night Music”, com versos como “onde estão os palhaços? Rápido, mandem entrar os palhaços”. Seguiram-se “One More Night”, de Phil Collins, e “I Wanna Know What Love Is”, da banda Foreigner. Antes da entrada de Trump, ouviu-se ainda “My Way”, de Frank Sinatra.
O emir do Qatar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, acusou dirigentes israelitas de “defenderem abertamente o deslocamento da população de Gaza”, alertando que essa política vai dificultar a melhoria das condições de vida dos palestinianos.
O emir pediu a Israel que cumpra os compromissos de cessar operações, retirar-se de Gaza e levantar o bloqueio ao território – país que, juntamente com o Egito e os Estados Unidos, tem mediado o cessar-fogo em Gaza.
Os presidentes do Peru, Keiko Fujimori, e do Chile, José Antonio Kast, defenderam um reforço das medidas da ONU contra o crime organizado transnacional, que classificaram como um dos maiores desafios da região, apelando também a uma cooperação mais estreita no combate ao “terrorismo”.
Kast afirmou que, pela primeira vez em muito tempo, os governos latino-americanos estão verdadeiramente a coordenar esforços nesta matéria. “A América Latina é o continente do futuro, e quem hoje lidera este continente está pronto para conduzir essa mudança”, disse o presidente chileno, que foi apoiado por Trump durante a sua campanha presidencial.
Kast atribuiu a medidas recentes uma redução de 11,5% na taxa de homicídios nos últimos seis meses, sublinhando, porém, que “a tarefa não está terminada” e está “apenas a começar”. “Um país mais seguro é um país com mais confiança. Onde há confiança, há mais crescimento, emprego e investimento”, declarou.
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, aproveitou a sua intervenção para prestar homenagem à embaixadora finlandesa Elena Kalku, que se prepara para se reformar no final do mês após 44 anos de carreira diplomática.
Kalku estava sentada atrás de Stubb durante o discurso, a quem o presidente agradeceu o serviço prestado, com uma nota de humor: “E claro que, com o seu presidente a discursar aqui, nunca se sabe se isto vai ser o ponto mais baixo ou o ponto mais alto da sua carreira.”
FIM
Escrito por RafaFM
Líderes menos mediáticos marcam presença na Assembleia Geral da ONU
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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