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Díli, 22 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O General reformado Lere Anan Timur afirmou hoje estar “muito triste e comovido” com a morte de Francisco Guterres “Lú-Olo”, recordando décadas de convivência e luta ao lado do antigo Presidente da República, que descreveu como um homem humilde, paciente e profundamente dedicado à independência de Timor-Leste.
“O meu filho informou-me: ‘Pai, o tio Lú-Olo faleceu.’ Fiquei chocado porque estávamos juntos e ele parecia estar bem de saúde. Tinha melhorado um pouco e, de repente, soubemos que tinha falecido”, declarou aos jornalistas na residência de Lú-Olo no Farol,
Lere Anan Timur disse que, apenas dois dias antes, tinha contactado o Secretário-Geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, que o informou sobre a gravidade do estado de saúde de Lú-Olo.
“Eu disse que a morte é o destino e não podemos fugir dela. Mas sentimos muito a falta dele”, declarou.
O general recordou ainda os seus últimos encontros com o antigo chefe de Estado. Segundo o seu relato, esteve com Lú-Olo em maio deste ano, juntamente com o antigo Presidente da República, Taur Matan Ruak, e o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Falur Rate Laek, na residência de Taur Matan Ruak e, posteriormente, nas comemorações do Dia da Restauração da Independência em Tasi Tolu.
“Quando nos encontrámos, percebi que ele estava bem de saúde. O seu rosto estava diferente e pensei que já estivesse recuperado. Depois soube que ele tinha ido à Malásia e pensei que fosse apenas para um exame médico de rotina. Mas a situação era diferente”, disse ele.
Recordando a personalidade de Francisco Guterres “Lú-Olo”, o general destacou a sua humildade e a sua forma de se relacionar com as pessoas.
“Conhecíamo-nos muito bem. Quando olho para o Lú-Olo, vejo uma pessoa humilde. Não gostava de criar conflitos com ninguém, exceto quando as pessoas ultrapassavam os limites. Tinha muita paciência, não gostava de discutir e tentava sempre chegar a um acordo com os outros”, disse.
Lere Anan Timur sublinhou ainda o espírito de sacrifício do antigo presidente, afirmando que Lú-Olo nunca procurou o reconhecimento pessoal e tinha apenas um grande objectivo: ver Timor-Leste livre e independente.
Para as gerações futuras, o antigo comandante acredita que o maior legado deixado por Francisco Guterres “Lú-Olo” reside nos valores humanos que sempre cultivou ao longo da sua vida.
“Ser humilde e saber ouvir os outros. Estes são os valores e princípios que o falecido Lú-Olo nos deixou”, concluiu.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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