Destaques

Lançada iniciativa para garantir acesso à água a mil milhões de pessoas até 2030

todayAbril 16, 2026 16 2

Fundo
share close

Díli, 16 de abril de 2026 (RAFA.TL) – O Banco Mundial e os principais bancos multilaterais de desenvolvimento lançaram esta semana a iniciativa “Water Forward”, uma plataforma global que visa melhorar a segurança hídrica de mil milhões de pessoas até 2030.

A iniciativa, apresentada na quarta-feira, representa uma resposta à crescente crise mundial de acesso à água que a ONU já classifica como “falência hídrica global”.

A plataforma visa alinhar reformas políticas, financiamento e parcerias para expandir serviços de água fiáveis e reforçar sistemas de resistência a secas e cheias – condições essenciais para a criação de emprego.

A água sustenta sistemas de saúde, alimentação, energia e um estimado de 1,7 mil milhões de empregos em todo o mundo, mas 4 mil milhões de pessoas enfrentam escassez hídrica, segundo os dados mais recentes.

O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, declarou que “a água é a base do funcionamento das economias”, acrescentando que a tarefa agora é “entregar serviços de água fiáveis à escala”.

O compromisso do Banco Mundial é garantir segurança hídrica a 400 milhões de pessoas até 2030, enquanto os compromissos adicionais dos parceiros farão a iniciativa alcançar mais de mil milhões.

No centro da iniciativa estão os “compactos de água” liderados pelos próprios países, através dos quais os governos definem prioridades de reforma, comprometem-se a reforçar as suas instituições e estabelecem percursos de investimento para os seus sectores hídricos.

No dia do lançamento, 14 países anunciaram o seu compacto nacional no âmbito do Water Forward, com muitos mais em curso.

O programa concentrar-se-á inicialmente em 14 países em regiões com stress hídrico em África, no Médio Oriente e no Sul da Ásia, dando prioridade a projetos que reduzam as fugas nas redes urbanas, modernizem a irrigação, melhorem a reutilização de águas residuais e expandam o planeamento baseado em dados.

Os outros bancos de desenvolvimento envolvidos incluem o Banco Europeu de Investimento, o Banco Asiático de Desenvolvimento, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Novo Banco de Desenvolvimento – esta última instituição criada pelas nações BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O Fundo de Desenvolvimento da OPEC participa igualmente na iniciativa, numa coligação que reúne credores públicos, filantropos e o sector privado.

O lançamento do Water Forward insere-se num contexto de alarme crescente na comunidade científica internacional.

Em janeiro de 2026, um relatório da Universidade das Nações Unidas declarou o início de uma era de “falência hídrica global” – um conceito que vai além da “crise hídrica” para descrever perdas irreversíveis de capital natural.

O relatório da ONU define formalmente “falência hídrica” como a retirada persistente de água de superfície e subterrânea acima dos níveis de reposição renováveis, com a consequente perda irreversível ou proibitivamente dispendiosa do capital natural relacionado com a água.

Embora nem todos os países se encontrem em estado de falência hídrica, “sistemas críticos suficientes em todo o mundo cruzaram esses limiares” e estão interligados através do comércio, migrações, feedbacks climáticos e dependências geopolíticas, concluiu o relatório.

Mais de 70% dos principais aquíferos estão em declínio, metade dos grandes lagos perdeu água, e 75% da humanidade vive em países com insegurança hídrica.

O lançamento do Water Forward decorreu durante as Reuniões de Primavera do Banco Mundial e do FMI, realizadas em Washington esta semana, sob o tema “Construir prosperidade através de políticas”. A terceira Conferência Mundial da ONU sobre a Água está agendada para dezembro deste ano, nos Emirados Árabes Unidos.

FIM

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!