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Díli, 27 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A banda timorense KLAMAR prepara-se para realizar um extenso tour internacional por seis países europeus, entre agosto e setembro de 2026, iniciativa que o grupo considera a maior digressão alguma vez realizada por uma banda timorense.
O Tour, que passa pela Holanda, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Portugal, com atuações agendadas em nove cidades, começa no Pacific Roots Fest 2026, em Amesterdão, no dia 15 de agosto, e decorre depois até setembro.
Além de participar em festivais internacionais, o KLAMAR vai realizar concertos organizados por comunidades timorenses residentes na Europa, apresentações em universidades e outras iniciativas de intercâmbio cultural.
Segundo o manager da banda, Titiso Kour-Ara, a digressão foi concebida não só como uma oportunidade artística, mas também como forma de promover a cultura timorense a nível internacional e criar ligações com a indústria musical global.
“O tour europeia dos KLAMAR é um passo da própria banda para promover a música e a cultura timorenses a nível internacional, construir redes com músicos e agentes da indústria global, fortalecer a imagem de Timor-Leste através da diplomacia cultural e proporcionar uma experiência internacional aos artistas do nosso país”, disse à RAFA.TL.
A história dos KLAMAR começou em 2009 em Lospalos, no leste de Timor-Leste.
Ao longo de mais de 17 anos de carreira, a banda construiu sua própria identidade musical, combinando elementos da cultura timorense com influências contemporâneas como rock, ska, reggae, funk e folk, além dos ritmos tradicionais do tebe-tebe.
Um dos pontos altos do percurso da banda foi o lançamento do seu primeiro álbum, “Hakmatek”, em 2014. Desde então, a banda continuou a lançar singles e a participar em festivais e eventos musicais em Timor-Leste.
Titiso Kour-Ara diz que um dos maiores êxitos da KLAMAR é precisamente ter conseguido manter-se ativo durante tantos anos, apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor musical timorense.
“O aspeto mais importante é a própria existência dos KLAMAR. Continuamos a existir e a dedicar-nos à banda, apesar dos muitos desafios de uma indústria musical que ainda não está totalmente desenvolvida em Timor-Leste”, referiu.
A banda espera apresenta no tour um repertório que reúne diferentes fases da sua carreira e algumas das músicas mais conhecidas do grupo, como “Lemorai”, “Fantazia”, ”Mehi Ba O” e “Untitled”.
Em palco apresentam músicas do primeiro álbum, Hakmatek, singles lançados posteriormente e novas versões de algumas composições ainda não gravadas oficialmente.
Um dos pontos altos do tour será a participação no Pacific Roots Fest 2026, em Amesterdão, um festival multicultural que reúne diferentes expressões de música tradicional, indígena e contemporânea.
A banda considera esta participação uma importante oportunidade para apresentar a música timorense a um público internacional.
Os KLAMAR destacam ainda a oportunidade de se apresentarem às comunidades timorenses no Reino Unido e noutros países europeus. Apresentações organizadas por membros da diáspora, mas outras previstas em universidades e locais ligados a pessoas que tenham alguma relação com Timor-Leste.
Os KLAMAR acreditam que há espaço para a música timorense no mercado internacional, especialmente devido à singularidade da língua, dos ritmos e da cultura do país.
No entanto, o manager da banda reconhece que a internacionalização dos artistas timorenses continua a enfrentar dificuldades, sobretudo devido às limitações nas infraestruturas físicas e digitais e à inexistência de uma indústria musical estruturada.
“O povo timorense tem um lugar no mercado internacional porque temos a nossa própria língua, música, ritmos e cultura com características únicas. Contudo, o caminho para conquistar esse espaço exige muito trabalho, já que a nossa infraestrutura, tanto física como digital, ainda não garante condições suficientes para avançarmos. Apesar disso, a esperança permanece viva”, referiu
Os KLAMAR consideram que a responsabilidade pela internacionalização da cultura não pode recair apenas sobre os próprios artistas. O governo e as instituições relevantes devem participar da construção de um ecossistema cultural que permita aos artistas nacionais alcançar novos mercados.
O apoio pode incluir investimento financeiro, reconhecimento institucional, criação de oportunidades e suporte logístico para a participação de artistas timorenses em festivais e eventos internacionais.
“O ecossistema não depende apenas da banda ou do artista. Precisamos de apoio, colaboração e cooperação contínuos e sólidos por parte do Governo e das entidades relevantes”, disse.
Nos bastidores está o debate sobre a política cultural do país. Se Timor-Leste investe recursos para trazer artistas estrangeiros a atuar no país, poderá igualmente reforçar a aposta no envio de artistas timorenses para o estrangeiro, criando condições para que a música, a arte e a cultura nacionais cheguem a novos públicos.
Uma política de internacionalização poderia incluir o apoio às viagens, o transporte de instrumentos, a produção, a promoção e a participação em festivais internacionais.
Além de beneficiar os artistas individualmente, este investimento poderá funcionar como uma forma de diplomacia cultural, promovendo a imagem de Timor-Leste no mundo.
Para poder concretizar o tour europeu, os KLAMAR lançaram uma campanha de crowdfunding no GoFundMe, com o objetivo de angariar 35 mil dólares para financiar a digressão europeia dos cinco elementos da banda.
Os custos, para um calendário de cinco semanas, incluem voos internacionais, transporte terrestre e instrumentos, alojamento, alimentação, produção técnica, aluguer de equipamento, vistos, seguros e outras despesas relacionadas com a digressão.
A KLAMAR recebeu também apoio de diversas entidades e particulares, incluindo o Presidente da República, através das suas ligações, a Secretaria de Estado para a Arte e Cultura, a Fundação TasiFest, Tahan e Ademeki, e ainda membros da diáspora timorense.
Artistas e bandas timorenses também contribuíram para as iniciativas de angariação de fundos, incluindo Arte Luron, Ego Lemos, Khaballa, Sanctuary Golgota, Calvary, Kakuluk Lahuk e DJ Etsub.
A campanha aceita ainda outras formas de apoio, incluindo alojamento, transporte, empréstimo de equipamento, parcerias com espaços para apresentações, acesso a estúdios e ajudas para viagens.
Os KLAMAR espera que a sua presença nos palcos europeus aumente o reconhecimento internacional do grupo e, simultaneamente, promova a cultura e a identidade de Timor-Leste. O objetivo é apresentar a banda a novos públicos, mas também mostrar a quem já conhece o país que Timor-Leste possui uma produção artística contemporânea capaz de chegar a um público internacional.
“Não só temos esperança; acreditamos que esta digressão terá um impacto muito positivo. As pessoas vão conhecer quem somos e o nosso trabalho. Através disto, queremos promover a cultura e a identidade de Timor-Leste no mundo, não só para novos públicos, mas também para aqueles que já conhecem o nosso país. KLAMAR é Timor e Timor é KLAMAR, à sua maneira.”
Depois do regresso a Timor-Leste, os KLAMAR planeiam trabalhar no material produzido durante uma sessão de estúdio prevista para a digressão, com a possibilidade de lançamento de um EP. A banda quer ainda continuar a trabalhar em estúdio e concentrar-se na produção do seu segundo álbum.
“Continuem a criar e a dedicar-se ao trabalho que fazem. Não deixem as vossas obras inacabadas, sem dar voz às histórias que querem contar. Se não contarmos as nossas próprias histórias, quem o fará? Todos nós somos muito importantes dentro deste ecossistema. Por isso, continuem a esforçar-se, porque o que fazemos hoje pode ser conhecido e valorizado amanhã”, afirmou Titiso Kour-Ara.
Quem pretenda apoiar a iniciativa dos Klamar pode contribuir através da campanha de angariação de fundos no GoFundMe, disponível em https://gofund.me/29221c6e9
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
todayJulho 27, 2026 36 2
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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