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Kirsty Sword Gusmão recorda Paula Pinto, “indispensável” na luta pela libertação de Timor-Leste

todayJulho 13, 2026 194 1

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Díli, 13 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Kirsty Sword Gusmão prestou homenagem a Paula Pinto, tradutora e intérprete que acompanhou Xanana Gusmão nos meses decisivos que antecederam a consulta popular de 1999, descrevendo-a como uma figura “indispensável” na luta pela independência de Timor-Leste.

 

“Foram oito meses turbulentos, e a Paula era a âncora que impedia muitos de nós de nos afundarmos na incerteza e na ansiedade das reviravoltas políticas que antecederam o referendo”, escreve Kirsty Sword Gusmão.

Em mensagem divulgada esta segunda-feira, Kirsty Sword Gusmão recorda ter conhecido Paula Pinto em meados da década de 1990, através de uma afinidade partilhada: “uma paixão por Timor-Leste e um amor pelas línguas”.

Segundo relata, Paula Pinto “era uma tradutora e intérprete talentosa” que, apesar de essa ser a profissão com que sustentava a vida, “canalizava a sua vasta e feroz energia para a agitação pela libertação de Timor-Leste”.

Kirsty Sword Gusmão recorda que, no período que antecedeu o referendo de 1999, visitou “em muitas ocasiões” Paula Pinto e o seu companheiro Roque Rodrigues, em casa do casal em Lisboa.

Foi nesse contexto que facilitou a correspondência de ambos com Xanana Gusmão, então preso na prisão de Cipinang, em Jacarta. Segundo escreve, foi através de Paula Pinto e Roque Rodrigues que “cheguei a uma compreensão muito mais profunda do panorama político da diáspora timorense”.

Após a libertação de Xanana Gusmão de Cipinang para prisão domiciliária, em fevereiro de 1999, Paula Pinto integrou, junto com Kirsty Sword Gusmão e Natacha Meden – então assessora de imprensa de José Ramos-Horta -, um pequeno gabinete de apoio instalado perto da residência que se tornara a prisão do líder timorense.

Recordando os meses que antecederam o referendo de agosto de 1999, Kirsty Sword Gusmão descreve-os como “um cadinho de intensas e complexas negociações”, com contactos constantes com líderes pró-autonomia, figuras da administração e das forças armadas indonésias, das Nações Unidas e de líderes mundiais.

Segundo o testemunho, Paula Pinto “interpretava para Xanana em reuniões cruciais, tomava notas meticulosas, traduzia relatórios e geria com mestria os incessantes pedidos de entrevista” dos meios de comunicação locais e internacionais.

O apoio de Paula Pinto estendia-se ainda aos companheiros de prisão política de Xanana Gusmão, entre os quais João Câmara e Fernando de Araújo, bem como aos jovens “guarda-costas” timorenses, para quem cozinhava refeições de bacalhau, caril e massa com atum.

Após o anúncio do voto esmagador a favor da independência, em setembro de 1999, e com a Indonésia tomada por sentimentos anti-timorenses e anti-australianos, a segurança de Xanana Gusmão em Jacarta ficou sob ameaça imediata, na véspera da chegada da força internacional INTERFET liderada pela Austrália.

Segundo Kirsty Sword Gusmão, “foi a Paula quem negociou pessoal e corajosamente com as autoridades britânicas para assegurar a sua transferência para a Embaixada britânica”, garantindo a continuidade do trabalho de Xanana Gusmão em segurança.

Nos anos seguintes, Paula Pinto manteve-se, segundo o testemunho, “central no seu apoio pessoal e político à liderança timorense”, tendo os dois mantido contacto ao longo dos anos, recordando “com uma mistura de horror e saudade” os meses vividos em Jacarta – experiências que, escreve Kirsty Sword Gusmão, “forjaram um laço que transcende a política partidária e a passagem do tempo”.

Kirsty Sword Gusmão termina a mensagem com uma nota de pesar por não ter tido, nos últimos anos, mais das conversas sobre línguas e tradução que tanto a estimularam quando se conheceram, afirmando que Paula Pinto “viverá longamente” na sua memória e no coração dos timorenses a quem tanto deve.

“Descansa em paz, querida amiga”, concluiu.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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