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Beirute, 20 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Israel e o Hezbollah acordaram sexta-feira um novo cessar-fogo no sul do Líbano, mediado pelo Qatar, pelos Estados Unidos e pelo Irão, depois de uma das jornadas mais violentas desde o início do conflito, que causou quase 50 mortos e ameaçou fazer colapsar o acordo de paz entre Washington e Teerão.
O cessar-fogo foi acordado na sequência do mais mortífero agravamento dos combates entre as duas partes desde que os EUA e o Irão chegaram a um memorando de entendimento no domingo anterior.
Os ataques aéreos israelitas que precederam o acordo mataram pelo menos 47 pessoas e feriram 97 no sul do Líbano.
Entre os mortos contam-se pelo menos sete mulheres e duas crianças. Do lado israelita, o exército confirmou a morte de quatro soldados, incluindo um tenente-coronel, num ataque a um tanque perto da cidade de Nabatiyeh.
Israel levou a cabo dezenas de ataques contra posições do Hezbollah em Nabatiyeh, no Vale do Bekaa e noutras zonas do país.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que o exército tinha atingido 150 alvos do Hezbollah, matando dezenas de combatentes.
O Hezbollah reivindicou os seus ataques como resposta a violações israelitas do acordo anterior, afirmando que as suas forças atuaram depois de tropas israelitas tentarem avançar para uma posição estratégica que domina Nabatiyeh.
O agravamento dos combates no Líbano teve repercussões diretas nas negociações diplomáticas. Representantes iranianos não viajaram como previsto para a Suíça, insistindo que os combates teriam de cessar antes de qualquer ronda negocial poder ter lugar. O vice-presidente norte-americano JD Vance também adiou a sua deslocação.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que as consultas através de mediadores prosseguiam quanto à fase seguinte das negociações para um acordo definitivo, e que estava prevista uma reunião nos próximos dias.
O diferendo no Líbano ameaça pôr em causa o acordo provisório entre Washington e Teerão, que suspendeu as hostilidades no Irão e no Golfo e reabriu o Estreito de Ormuz. Mais de 12,5 milhões de barris de petróleo foram transportados pelo estreito na quarta-feira, segundo dados norte-americanos.
A nova autoridade iraniana responsável pela supervisão do estreito emitiu orientações pedindo aos navios que se registem junto dela, sinalizando a intenção de Teerão cobrar taxas no futuro – ainda que durante o período inicial de 60 dias os custos sejam suportados pelo Estado iraniano.
As negociações previstas na Suíça deverão centrar-se no programa nuclear iraniano, matéria que constituiu o núcleo do conflito iniciado a 28 de fevereiro.
O acordo provisório prevê um prazo de 60 dias para alcançar um acordo nuclear, prorrogável, e contempla incentivos significativos para Teerão, incluindo o levantamento das sanções internacionais e um fundo de 300 mil milhões de dólares para a reconstrução do pós-guerra.
A persistência das forças israelitas no sul do Líbano continua a ser um ponto de tensão. O Irão exige a retirada israelita, mas Netanyahu mantém que as tropas permanecerão numa “zona de segurança” enquanto as necessidades defensivas de Israel assim o exigirem. –
FIM
Escrito por RafaFM
Israel e Hezbollah acordam cessar-fogo no Líbano após combates que mataram dezenas
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