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Israel detém mais de 430 ativistas e vídeo de Ben-Gvir provoca crise diplomática

todayMaio 20, 2026 10

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Tel Aviv, 21 de maio de 2026 (RAFA.TL) – Um vídeo do ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, a humilhar vários dos ativistas da Flotilha Global intercetada por Israel, provocou uma onda de indignação diplomática internacional e críticas no próprio Governo israelita.

O polémico vídeo, que suscitou condenação de vários países, surgiu numa altura em que quase 90 dos mais de 430 ativistas detidos por Israel após a interceção da Global Sumud Flotilha em águas internacionais iniciaram uma greve de fome.

Publicado pelo próprio ministro ultra-nacionalista Itamar Ben-Gvir nas redes sociais, o vídeo foi filmado no porto de Ashdod.

As imagens mostram dezenas de ativistas de joelhos com as mãos amarradas, enquanto Ben-Gvir agita uma bandeira israelita de grande dimensão e grita “Bem-vindos a Israel! Somos nós que mandamos aqui!”, com o hino nacional israelita a soar em fundo.

Um ativista algemado que gritou “Palestina livre” foi imediatamente empurrado para o chão pelos agentes de segurança.

Ben-Gvir é ainda ouvido a dizer aos guardas que “não se incomodem com os seus gritos”, enquanto se ouve uma mulher a chorar em fundo.

A reação internacional foi imediata e severa. Itália, França, Países Baixos e Canadá convocaram os respetivos embaixadores israelitas para expressar a sua “indignação”.

A Primeira-Ministra italiana Giorgia Meloni declarou que “as imagens do ministro Ben-Gvir são inaceitáveis” e que era “inaceitável que estes manifestantes, incluindo muitos cidadãos italianos, sejam sujeitos a um tratamento que viola a sua dignidade humana”.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, ordenou a convocação do embaixador israelita para “expressar a nossa indignação e obter explicações”, afirmando que “independentemente do que se pense desta flotilha, os nossos cidadãos que nela participam devem ser tratados com respeito e libertados o mais rapidamente possível”.

A Alemanha, o Reino Unido e a Grécia juntaram-se também às condenações.

A ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, disse estar “verdadeiramente consternada” com o vídeo.

O embaixador alemão em Israel classificou o tratamento como “totalmente inaceitável e incompatível com os valores fundamentais dos nossos países”.

Portugal condenou igualmente o “comportamento intolerável” de Ben-Gvir.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, Helen McEntee, disse estar “chocada e consternada” com as imagens, exigindo a libertação imediata dos ativistas irlandeses detidos, entre os quais se conta Margaret Connolly, médica e irmã da Presidente irlandesa Catherine Connolly.

A Coreia do Sul, cujos cidadãos também estavam entre os detidos, qualificou as ações israelitas como “completamente fora dos limites”, questionando a base legal da detenção em águas internacionais.

A pressão foi tal que gerou uma rara rutura pública dentro do próprio Governo israelita.

O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu criticou Ben-Gvir, afirmando que a sua conduta “não está em linha com os valores e normas de Israel” e ordenando a deportação dos ativistas “o mais rapidamente possível”.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros Gideon Sa’ar dirigiu-se diretamente a Ben-Gvir numa publicação online: “Causaste deliberadamente danos ao nosso Estado nesta exibição vergonhosa – e não é a primeira vez. Não, tu não és o rosto de Israel.”

O embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee, também condenou as “ações desprezíveis” de Ben-Gvir, escrevendo que o ministro “traiu a dignidade da sua nação”.

Em contraste, os Estados Unidos impuseram sanções a quatro ativistas envolvidos nas flotilhas, acusando os organizadores, sem apresentar provas públicas, de atuar “em apoio ao Hamas”.

Com ativistas de mais de 46 países detidos, os organizadores temem que as sanções e as acusações de ligação ao Hamas estejam a ser usadas para justificar novos ataques às flotilhas. Relatórios anteriores documentaram casos de maus-tratos e agressão sexual durante interceções anteriores, que peritos das Nações Unidas classificaram como podendo constituir tortura e tratamento desumano e degradante.

Os organizadores indicaram que os ativistas detidos serão transferidos para a prisão de Ketziot, no deserto do Negev, no sul de Israel, antes da sua provável deportação.

A flotilha era composta por mais de 50 embarcações que partiram do porto turco de Marmaris na semana passada com o objetivo de quebrar o bloqueio israelita à Faixa de Gaza.

As forças israelitas começaram a apoderar-se das embarcações em águas internacionais ao largo de Chipre na segunda-feira, tendo alegadamente disparado balas de borracha e detido os participantes.

Na madrugada de terça-feira, Israel intercetou a última embarcação ainda em rota, o barco Lina al-Nabulsi, detendo os seis ativistas a bordo.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel confirmou na terça-feira que as suas forças estavam a transferir centenas de participantes da flotilha para território israelita, qualificando a iniciativa como “nada mais do que um golpe de relações públicas”.

Os ativistas declararam a greve de fome “em protesto contra o seu rapto ilegal e em solidariedade com os mais de 9.500 reféns palestinianos detidos nas prisões israelitas”, segundo comunicado da Global Sumud Flotilla publicado na rede social X.

Esta não é a primeira vez que participantes de flotilhas recorrem à greve de fome em contexto de detenção israelita.

Em abril, dois ativistas – Saif Abu Keshek, de nacionalidade espanhola-sueca, e o brasileiro Thiago Ávila – foram detidos em Israel após uma interceção anterior e mantiveram greve de fome, consumindo apenas água desde o momento da sua detenção.

Especialistas da ONU exigiram a sua libertação imediata, recordando que “como Estado parte da Quarta Convenção de Genebra, Israel tem a obrigação de permitir e facilitar a entrega de ajuda humanitária aos residentes de Gaza”, acrescentando que “a fome de civis como método de guerra é ilegal”.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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