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Israel constrói barreira de terra de dezenas de quilómetros dentro de Gaza, aprofundando divisão do território

todayJulho 21, 2026 10

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Tel Aviv, 21 de julho de 2026 (RAFA.TL) – As forças armadas israelitas estão a construir, de forma discreta, mas acelerada, uma extensa barreira de terra que separa mais de metade da Faixa de Gaza sob seu controlo do resto do território, segundo imagens de satélite analisadas pela Associated Press.

Mais de 23 quilómetros de barreira foram construídos nos últimos meses, atravessando comunidades palestinianas demolidas pelo exército – o equivalente a mais de metade do comprimento da faixa costeira, que se estende por cerca de 40 quilómetros de comprimento e 11 de largura, e é lar para mais de dois milhões de palestinianos.

Confrontado com as imagens de satélite, o exército israelita confirmou à AP ter construído uma barreira física na área da chamada “linha amarela”, fronteira para a qual as tropas israelitas recuaram ao abrigo do acordo de cessar-fogo de outubro com o Hamas.

Essa linha tinha sido concebida no acordo apoiado pelos Estados Unidos como uma divisão temporária do território, até uma retirada israelita mais alargada.

Mas, com a trégua estagnada, tudo indica que Israel está a consolidar posições, alimentando o receio palestiniano de que a linha se transforme numa fronteira permanente.

Nem o Comando Central dos EUA (CENTCOM), encarregue de monitorizar o cessar-fogo, nem o Board of Peace, organismo liderado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, destinado a supervisionar o futuro de Gaza, quiseram comentar a construção da barreira.

O exército israelita afirmou ainda ter desenvolvido uma “zona de segurança” em torno da linha, equipada com recursos de informações e tecnológicos, recusando-se a revelar até onde se estenderá a barreira.

Segundo Telavive, o objetivo é prevenir infiltrações e proteger as tropas israelitas e as comunidades próximas de Gaza.

Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, os palestinianos em Gaza temem que Israel não devolva a área do território sob seu controlo – mas poucos têm noção da rede de diques de terra que está a ser erguida à sua volta, dado o perigo de sequer se aproximarem dessa zona.

Segundo imagens de satélite fornecidas pela Planet Labs PBC, um troço da rede de diques no sul de Gaza foi alargado em mais de dois quilómetros em apenas duas semanas, este mês: media cerca de 500 metros a 1 de julho, e cerca de 2,4 quilómetros a 15 de julho, separando as ruínas de Rafah, sob controlo israelita, da zona de Muwasi, onde se situam alguns dos maiores acampamentos de tendas palestinianos.

Caso a construção prossiga na direção atual, este troço juntar-se-á ao maior segmento da barreira, que se estende de forma quase ininterrupta ao longo de cerca de 17 quilómetros, desde a cidade sulista de Khan Younis até perto da Cidade de Gaza, a norte.

A construção desse troço começou em fevereiro, e as imagens de satélite mostram que os trabalhos para o prolongar mais a sul continuam: mais de um quilómetro foi acrescentado entre 21 de junho e 7 de julho, junto a uma base militar israelita erguida sobre as ruínas da localidade de Bani Suheila, perto de Khan Younis.

No extremo norte de Gaza, vários troços de diques, ainda não interligados, correm junto à cidade de Beit Lahia, praticamente arrasada.

A altura das barreiras em cada local permanece por esclarecer. Em alguns pontos, as estruturas parecem estender-se para lá da própria linha amarela.

A população de Gaza está concentrada na área costeira a oeste da linha amarela, vivendo maioritariamente em campos de tendas precários e dependente de ajuda humanitária.

Do outro lado da linha, as imagens de satélite mostram que as forças israelitas arrasaram a grande maioria dos edifícios com buldózeres e explosivos, apagando praticamente várias localidades, incluindo Rafah, que chegou a ter mais de um quarto de milhão de habitantes.

Foram abertas novas redes rodoviárias e erguidas novas bases militares sobre as ruínas de localidades palestinianas, e terrenos agrícolas foram igualmente destruídos.

O exército israelita afirma estar a demolir infraestruturas utilizadas pelo Hamas, mas as imagens mostram que a destruição é total em vários locais.

A linha amarela nunca foi definida com precisão – nem no acordo de cessar-fogo, nem por responsáveis israelitas ou norte-americanos -, e tem sido assinalada de forma inconsistente no terreno.

O exército israelita disse à AP estar a trabalhar para marcar claramente o traçado da linha, de forma a “reduzir a fricção e evitar danos a pessoas não envolvidas” no conflito.

As forças israelitas têm morto palestinianos que se aproximam ou atravessam a linha; o exército alega disparar sobre quem considera representar uma ameaça militante às suas tropas, mas entre as vítimas mortais têm estado crianças e outros civis aparentemente alheios à existência da fronteira.

Alguns soldados afirmaram nem sempre saber contra quem estão a disparar, tendo recebido ordens para matar quem atravesse a linha.

As forças israelitas mataram mais de 1.100 palestinianos desde o início do cessar-fogo, a maioria em ataques aéreos e de drones em torno de Gaza. Israel afirma visar militantes; ataques de grupos armados palestinianos mataram, no mesmo período, cinco soldados israelitas.

Segundo o acordo de cessar-fogo, Israel deveria eventualmente retirar as suas tropas até às margens extremas de Gaza, sendo substituído por uma força de segurança internacional – mas a aplicação do acordo está paralisada há meses.

Um antigo diplomata da ONU, atualmente encarregue de coordenar o cessar-fogo, atribui o impasse à recusa do Hamas em desarmar-se; as negociações esporádicas para encontrar uma fórmula de desmilitarização do grupo parecem ter feito pouco progresso, e o Hamas acusa, por seu turno, Israel de violar o cessar-fogo.

A guerra começou depois de militantes liderados pelo Hamas terem atacado comunidades israelitas a 7 de outubro de 2023, matando cerca de 1.200 pessoas, na sua maioria civis, e fazendo 251 reféns.

Israel respondeu com uma ofensiva militar de grande escala que já matou mais de 73 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza – organismo que integrava o anterior governo do Hamas, entretanto dissolvido, e cujos registos são geralmente considerados fiáveis por agências da ONU e organizações internacionais.

O ministério não distingue civis de combatentes, mas indica que mulheres e crianças representam cerca de metade do total de vítimas mortais.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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