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Islândia rejeita reabertura de negociações de adesão à União Europeia

todayAgosto 31, 2026 24 11 5

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Reykjavik, 31 de agosto de 2026(RAFA) – Os islandeses votaram contra a retoma das negociações de adesão à União Europeia, com 52,8% dos votos, numa consulta marcada pelas tensões geopolíticas com os Estados Unidos e pela defesa das águas de pesca nacionais.

A Comissão Nacional Eleitoral confirmou que a proposta foi derrotada por 52,8% contra 47,2%, encerrando por agora um debate que dura há mais de uma década, desde que um governo eurocético interrompeu as negociações iniciadas após a crise financeira de 2008.

A participação superou os 82% dos cerca de 270 mil eleitores islandeses.

A votação de sábado decorreu sob o pano de fundo de repetidas ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de tomar controlo da vizinha Gronelândia.

Os apoiantes do “sim” argumentavam que a solidariedade europeia daria maior proteção à Islândia, membro da NATO, caso Trump viesse a fazer ameaças semelhantes contra a ilha vulcânica.

O Governo de coligação de esquerda, eleito em 2024, antecipou o referendo, inicialmente previsto para o próximo ano, depois de Trump ter, por engano, citado a Islândia quatro vezes ao falar dos seus planos para a Gronelândia.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, disse que a administração Trump respeita “a decisão soberana” da Islândia e afirmou querer reforçar a parceria bilateral “em segurança, energia, inovação e laços económicos e culturais”.

A primeira-ministra islandesa, Kristrún Frostadóttir, disse não ver a derrota como um revés para o seu governo de coligação, mas como “uma vitória para a democracia”, dada a elevada participação.

Frostadóttir afirmou que respeitará o resultado, mas não excluiu retomar o tema no futuro.

“Aconteceram coisas nos últimos anos que eu não poderia ter previsto. Mas este governo não vai avançar com isto. E algo de grande tem de mudar nos próximos 24 meses para isto voltar ao topo da agenda”, declarou.

A líder da oposição, do Partido da Independência, Guðrún Hafsteinsdóttir, que também se opunha à medida, considerou o resultado “um golpe para o governo”, mas não para as relações europeias.

“A melhor forma de curar as feridas é o governo ouvir a conclusão e pôr este caminho de lado”, disse à rádio-televisão pública RUV, sublinhando que a Islândia quer manter-se próxima da UE, mas “traçar o seu próprio rumo”.

Reiquiavique foi a única região do país, de cerca de 400 mil habitantes, onde a maioria dos eleitores apoiou a proposta.

A poderosa indústria pesqueira liderou a oposição ao referendo, temendo que a política comum de pescas da União Europeia abrisse as águas islandesas a traineiras espanholas, neerlandesas e de outros países do bloco.

Descendentes dos vikings, os islandeses conquistaram a independência da Dinamarca em 1944 e vivem do mar há séculos, um traço central da sua identidade nacional.

O país venceu as chamadas Guerras do Bacalhau contra o Reino Unido, nos anos 1970, pelo direito a controlar as suas águas.

Os opositores à adesão sublinharam ainda que a Islândia já beneficia do mercado único europeu e do espaço Schengen sem as cedências de soberania implicadas pela adesão plena, e que a sua voz teria pouco peso num Parlamento Europeu alargado.

Os apoiantes do “sim” defendiam que a adesão traria inflação e taxas de juro mais baixas, com o euro a garantir mais estabilidade do que a volátil coroa islandesa, além de aproximar o país dos vizinhos europeus para enfrentar desafios sem fronteiras, como as alterações climáticas.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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