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Irão ataca petroleiro no Estreito de Ormuz enquanto EUA prosseguem ataques aéreos

todayJulho 21, 2026 9

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Teerão, 21 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O Irão atacou esta terça-feira um petroleiro no Estreito de Ormuz, forçando a tripulação a abandonar o navio, no mesmo dia em que os Estados Unidos conduziram mais uma ronda de ataques aéreos contra a República Islâmica pelo controlo da via marítima estratégica.

As dez noites consecutivas de ataques aéreos norte-americanos não levaram Teerão a afrouxar o controlo sobre o estreito, por onde passava, em tempo de paz, cerca de um quinto de todo o petróleo bruto e gás natural transacionado a nível mundial.

As autoridades iranianas afirmaram no domingo que pelo menos 50 pessoas morreram e 517 ficaram feridas nas mais recentes rondas de ataques dos EUA.

Enquanto os EUA e o Irão mantêm o conflito, o ministro do Interior iraniano viajou para o Paquistão, mediador-chave no conflito, para negociações, sem que seja claro que novo acordo poderá ser alcançado para pôr fim aos combates.

O acordo interino assinado no mês passado, que visava terminar as hostilidades, desmoronou-se. A navegação no Estreito de Ormuz está praticamente parada e, com a intensificação dos combates, ambos os lados têm visado infraestruturas civis de que dependem milhões de pessoas.

“O Irão e grupos que apoiam o Irão podem visar outros interesses norte-americanos no estrangeiro ou locais associados aos Estados Unidos e a cidadãos norte-americanos em todo o mundo”, alertou o Departamento de Estado dos EUA, num novo aviso aos cidadãos norte-americanos.

A escalada tem feito subir os preços do petróleo nas últimas semanas: o crude Brent, referência do mercado, negociava esta terça-feira acima dos 88 dólares por barril.

Entretanto, os militares dos EUA identificaram dois soldados mortos na Jordânia em ataques que deixaram uma terceira pessoa desaparecida.

Separadamente, confirmaram outra morte no Iraque no sábado, durante a “detonação controlada” de um drone iraniano abatido. O Presidente Donald Trump avisou nas redes sociais, na segunda-feira, que “sempre que o Irão matar um soldado norte-americano, pagarão por isso muitas vezes mais”.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) afirmou ter visado “centros de comando militar iranianos, capacidades marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea”, garantindo que as forças norte-americanas permanecem “preparadas para responsabilizar o Irão por agressões injustificadas contra marítimos civis” que procuram atravessar livremente o estreito.

O centro de operações comerciais marítimas do Reino Unido informou que um petroleiro foi atacado esta terça-feira de manhã no estreito, ao largo de Omã, forçando a tripulação a abandonar o navio.

A Guarda Revolucionária iraniana reivindicou o ataque, bem como dois outros ataques a navios na segunda-feira, na mesma via marítima. A rota junto a Omã tem sido a recomendada pelos militares dos EUA para evitar a zona sob controlo iraniano.

Teerão atingiu também países aliados dos EUA na região: o Kuwait afirmou ter acionado as suas defesas aéreas contra uma vaga de ataques, e as forças armadas da Jordânia disseram ter abatido três mísseis iranianos na segunda-feira à noite, sem registo de danos materiais ou vítimas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Barém condenou ataques de drones iranianos contra os sistemas de tráfego aéreo do país, alertando para o perigo que representam para as viagens de civis.

O porta-voz principal do Pentágono afirmou que quase 100 militares norte-americanos ficaram feridos desde que os EUA retomaram os ataques a 7 de julho, tendo 96% já regressado ao serviço. Sean Parnell escreveu na segunda-feira na rede X que “a grande maioria dos ferimentos registados foram concussões ligeiras”, em resposta a uma notícia do New York Times segundo a qual o Pentágono terá ocultado informação sobre feridos em ataques iranianos – acusação que negou. Ainda assim, o sistema oficial de registo de mortos e feridos em conflito não tinha sido atualizado até segunda-feira à noite com os dados dos ataques mais recentes.

Os rebeldes houthis do Iémen anunciaram na segunda-feira um embargo marítimo contra a Arábia Saudita.

Os houthis, apoiados pelo Irão, afirmaram que vão bloquear a navegação entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, visando o estreito de Bab-el-Mandebe – outro ponto de estrangulamento marítimo como o de Ormuz -, em resposta a um ataque ao aeroporto internacional de Saná, na semana passada, que atribuem à Arábia Saudita.

Com o Estreito de Ormuz bloqueado, a Arábia Saudita tem recorrido a um oleoduto até ao Mar Vermelho para escoar milhões de barris de petróleo para o mercado. Os houthis já tinham demonstrado capacidade para perturbar a navegação nesta zona, ao visarem navios durante meses no contexto da guerra entre Israel e o Hamas em Gaza, com mais de 100 embarcações atacadas.

Os militares sauditas garantiram que manterão a via marítima aberta. “Todas as ameaças houthis contra navios em trânsito serão tratadas com rapidez e firmeza, uma vez que constituem uma violação flagrante do direito internacional e configuram atos de pirataria marítima”, declarou o general de divisão Turki Al-Malki, porta-voz militar saudita.

O Paquistão intensificou nos últimos dias os esforços diplomáticos para reanimar o acordo interino. O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, chegou a Islamabade na segunda-feira para dois dias de negociações com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e outros responsáveis.

No domingo, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse aos jornalistas que os EUA continuam abertos a negociar com o Irão, “mas tem de ser algo real”.

“Se a porta se abrir para a diplomacia – se os responsáveis interessados em algo produtivo para o Irão ganharem e assumirem o controlo do sistema, ou das negociações -, isso será um desenvolvimento muito positivo. Não é onde estamos esta noite, infelizmente”, afirmou Rubio.

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Escrito por RafaFM

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