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Díli, 23 de abril de 2026 (RAFA.tl) – O Estreito de Ormuz continua fechado ao tráfego comercial, num impasse crescente entre os Estados Unidos e o Irão que ameaça as negociações de paz e mantém em colapso cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás.
O conflito, iniciado a 28 de fevereiro com ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel ao Irão, entrou no seu 54.º dia com uma escalada de apreensões navais de ambos os lados.
As forças iranianas apreenderam dois navios porta-contentores no Estreito de Ormuz na quarta-feira, segundo a televisão estatal iraniana, poucas horas depois do Presidente dos EUA, Donald Trump ter prorrogado o cessar-fogo com o Irão por tempo indefinido.
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) disse em comunicado que apreendeu os navios por alegadas violações marítimas e os transferiu para território iraniano. Foi a primeira vez que o Irão apreendeu navios desde o início da guerra.
O presidente do parlamento iraniano e chefe da delegação negociadora, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz é “impossível” enquanto os EUA mantiverem o bloqueio naval, classificando-o como uma “flagrante violação do cessar-fogo”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, foi mais longe, afirmando que o bloqueio dos portos iranianos constitui “um ato de guerra”.
Ao mesmo tempo, os EUA alargaram o bloqueio muito além do Golfo Pérsico.
O exército norte-americano intercetou pelo menos três petroleiros de bandeira iraniana em águas asiáticas, redirecionando-os a partir de posições próximas da Índia, Malásia e Sri Lanka.
O caso mais emblemático é o do petroleiro MT Tifani, com capacidade para dois milhões de barris de crude, detido entre o Sri Lanka e o Estreito de Malaca, a mais de 3.000 quilómetros do Golfo Pérsico.
O navio tinha carregado petróleo no terminal iraniano de Kharg Island a 5 de abril e fazia rota para Singapura quando foi intercetado.
No domingo passado, os EUA tinham já disparado sobre e apreendido o navio porta-contentores de bandeira iraniana Touska, perto do Estreito, quando este se recusou a seguir as ordens norte-americanas de se afastar da rota para o porto iraniano de Bandar Abbas.
O Irão classificou a apreensão como “pirataria” e ameaçou retaliar.
Trump anunciou na terça-feira a prorrogação do cessar-fogo por tempo indefinido para que os líderes iranianos possam apresentar uma “proposta unificada” para pôr fim à guerra, após relatos de que a deslocação do vice-presidente JD Vance ao Paquistão para uma segunda ronda de negociações estava suspensa.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, confirmou que o bloqueio naval continuará sob ordens de Trump, alertando que “em poucos dias o armazenamento na ilha de Kharg estará cheio e os frágeis poços petrolíferos iranianos serão encerrados”. Trump publicou na Truth Social que o Irão está em colapso financeiro, “a perder 500 milhões de dólares por dia” e com militares e polícia sem receber salários.
Mais de 30 países enviaram planeadores militares para uma base da Força Aérea Real britânica para delinear uma missão multinacional de salvaguarda do Estreito de Ormuz, embora qualquer plano só entre em vigor após um cessar-fogo sustentado.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou cautelosamente a prorrogação do cessar-fogo, e a China advertiu que o Médio Oriente se encontra numa “fase crítica”.
FIM
Escrito por RafaFM
Irão apreende navios e EUA expandem bloqueio ao Oceano Índico
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