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Devighat, Nepal, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – Equipas de resgate e helicópteros militares procuravam esta quinta-feira centenas de desaparecidos na fronteira montanhosa entre o Nepal e a China, um dia depois do colapso de um glaciar ter provocado uma torrente de água e lama que arrasou várias comunidades.
Segundo as autoridades dos dois países, morreram mais de 390 pessoas e mais de 1.400 continuam desaparecidas, incluindo centenas de estrangeiros.
Centenas de outras pessoas foram deslocadas na região do Himalaia.
No distrito nepalês de Nuwakot, um dos mais afetados, imagens mostraram edifícios cobertos de lama até ao segundo piso, ruas e margens de rio soterradas, veículos enterrados e sobreviventes visivelmente em choque.
Imagens da televisão estatal chinesa CCTV mostraram, do lado tibetano, um edifício de vários pisos e mais de uma dezena de veículos submersos em lama, além de uma estrada de duas faixas completamente soterrada na prefeitura de Shigatse.
Imagens aéreas revelaram ainda a formação de um lago na fronteira entre a China e o Nepal, com as autoridades a alertarem para o risco de rutura de uma barragem natural.
De acordo com a polícia nepalesa, as cheias fizeram pelo menos 389 mortos e mais de 460 feridos no Nepal, com 910 pessoas ainda desaparecidas no país.
Na região autónoma chinesa do Tibete, as autoridades reportam pelo menos três mortos e 558 desaparecidos.
A responsável residente da ONU no Nepal, Lila Pieters Yahia, disse que o governo nepalês mobilizou mais de 30 mil elementos de segurança para a operação de busca e resgate.
Segundo a responsável, mais de 35 pontes ficaram destruídas e cerca de 40 quilómetros de estradas danificados, dificultando o acesso às zonas afetadas.
Pieters Yahia adiantou ainda que o Banco Mundial, a Índia, a China e os Estados Unidos se comprometeram a atribuir 229 milhões de dólares em apoio, a que se somam dois milhões de dólares do fundo humanitário da ONU e um milhão de dólares da Suíça.
O exército nepalês já resgatou mais de 100 pessoas por helicóptero, segundo o porta-voz militar, brigadeiro-general Raja Ram Basnet.
Do lado chinês, o primeiro-ministro Li Qiang deslocou-se esta quinta-feira a Gyirong para dirigir as operações de resgate, com o apoio de 500 militares e paramilitares.
O Ministério dos Recursos Hídricos chinês alertou para o risco elevado de rutura do lago formado na confluência dos rios Tsogyal e Purupqiangzangbu, que continha cerca de dois milhões de metros cúbicos de água na quinta-feira de manhã, com previsão de receber mais três milhões de metros cúbicos nos próximos três dias.
O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, anunciou a libertação de dois milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Emergências da organização, classificando as cheias como “horríveis”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, garantiu apoio da organização aos esforços nacionais de socorro.
Entre os desaparecidos contam-se 517 estrangeiros, segundo o organismo do turismo do Nepal, incluindo 178 indianos, mais de 60 norte-americanos e cidadãos de outros 30 países, entre os quais Ucrânia, Reino Unido, África do Sul e Japão.
Muitos dos desaparecidos terão participado numa peregrinação ao Monte Kailash, no Tibete, local sagrado para hindus e budistas.
O Departamento de Estado dos EUA confirmou 90 cidadãos norte-americanos por localizar no Nepal e na China, três dos quais já resgatados. Pequim confirma cerca de 100 desaparecidos chineses no Nepal, enquanto 260 dos desaparecidos no Tibete são estrangeiros, segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) tinha inicialmente registado um sismo de magnitude 4,4 na madrugada de quarta-feira, cerca de 65 quilómetros a norte de Catmandu, mas reviu posteriormente a análise para um colapso glaciar de magnitude 5,2, que terá originado a torrente de destroços.
Especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, sediado em Catmandu, apontam uma avalanche glaciar como causa provável, referindo que o nível de água no rio Trishuli subiu até nove metros em meia hora.
A região tinha já registado cheias semelhantes em agosto de 2025, quando o transbordo de um lago glaciar no Tibete, provocado por temperaturas elevadas, matou nove pessoas e danificou infraestruturas, incluindo uma ponte entre o Nepal e a China.
FIM
Escrito por RafaFM
Inundações no Nepal e no Tibete matam mais de 390 pessoas e deixam 1.400 desaparecidos
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