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Washington, 10 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A inflação nos Estados Unidos acelerou para 4,2% em maio em termos homólogos, o valor mais elevado em três anos e o terceiro aumento mensal consecutivo, pressionada sobretudo pelos preços da energia na sequência do impacto da guerra no Irão.
Dados oficiais indicam que, em termos mensais, os preços subiram 0,5% em maio, após aumentos de 0,6% em abril e de 0,9% em março – uma trajetória que coloca a inflação bem acima da meta de 2% da Reserva Federal, que o banco central não consegue cumprir há mais de cinco anos.
O principal motor do aumento foi o preço dos combustíveis, consequência direta da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão e subsequente encerramento do Estreito de Ormuz, que bloqueou cerca de um quinto do aprovisionamento mundial de petróleo.
Os preços nos postos de abastecimento subiram em média de 4,04 dólares por galão (cerca de 1,07 dólares por litro) em meados de abril para 4,49 dólares por galão (cerca de 1,19 dólares por litro) em meados de maio, segundo a Agência de Informação de Energia.
O combustível mantém-se acima dos quatro dólares por galão (1,06 dólares por litro) desde março, afetando o comportamento dos consumidores.
As tarifas aéreas, pressionadas pelo custo do combustível de aviação, subiram 2,7% só em ,aio e acumulam uma subida de quase 27% face ao ano anterior. A eletricidade ficou 0,6% mais cara no mês e acumula um aumento de 5,9% no último ano.
A roupa subiu 0,3% no mês e 4,8% num ano.
Os preços dos bens alimentares foram mais moderados em maio, com uma subida de apenas 0,1% face a abril, mas acumulam um aumento de 2,7% em termos homólogos.
Os preços sobem há vários meses a um ritmo superior ao dos salários, pressionando as finanças de muitas famílias norte-americanas.
Os consumidores estão a recorrer às poupanças para manter o nível de despesa e aumenta o número de pessoas com atraso no pagamento dos cartões de crédito.
“Não acho que estejamos de forma alguma fora de perigo”, afirmou Omair Sharif, economista-chefe da Inflation Insights, precisando que os aumentos de preços “foram mais fortes internamente” do que os números de topo sugerem. Os custos dos serviços – incluindo infantários, cuidados domiciliários de saúde e serviços dentários – continuam a crescer muito acima do nível compatível com a meta da Fed.
A inflação persistente está a alterar o debate no seio da Reserva Federal, que no início do ano sinalizava a intenção de reduzir a sua taxa diretora duas vezes em 2026.
O novo presidente da Fed, Kevin Warsh, presidirá na próxima semana à sua primeira reunião de política monetária, na qual se espera que a taxa se mantenha inalterada.
Contudo, os mercados financeiros antecipam já uma subida de taxas antes do final do ano, num cenário que tornaria os créditos à habitação, os empréstimos automóveis e o financiamento empresarial mais caros.
Excluindo os voláteis sectores alimentar e energético, a inflação subjacente foi mais moderada: subiu apenas 0,2% em maio em termos mensais e 2,9% em termos homólogos.
As pequenas empresas debatem-se com custos crescentes, alguns dos quais estão a ser repercutidos nos preços ao consumidor.
Beth Benike, fundadora da Busy Baby, empresa do Minnesota especializada em acessórios para bebés, afirmou ter sido duramente atingida pelas tarifas no ano passado e estar agora a lutar com o aumento dos custos de expedição derivado do combustível mais caro. As vendas diminuíram e Benike reduziu recentemente um trabalhador a tempo inteiro para meio tempo.
As grandes cadeias de retalho respondem com descontos para acomodar clientes mais atentos à despesa.
A Dollar General está a expandir o número de artigos a um dólar ou menos, incluindo alimentos congelados. “Quando o preço da gasolina ultrapassa os quatro dólares e se mantém, começamos a ver os clientes a migrar para nós”, disse o presidente executivo da cadeia, Todd Vasos.
A inflação elevada surge como um desafio político potencialmente significativo para a administração Trump, com as eleições intercalares a aproximarem-se e a acessibilidade económica a tornar-se uma questão central no debate político norte-americano.
O impacto dos preços do petróleo sobre a inflação tem relevância directa para Timor-Leste, cujo Fundo Petrolífero e cujas perspetivas orçamentais são influenciados pela evolução dos mercados energéticos globais.
FIM
Escrito por RafaFM
Inflação nos EUA subiu para máximo de três anos em maio pressionada pelos preços da energia
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