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Díli, 18 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O empate de Portugal com a República Democrática do Congo na estreia no Grupo K do Campeonato do Mundo de 2026, em Houston, desencadeou uma onda de críticas da imprensa internacional e portuguesa, centradas sobretudo em Cristiano Ronaldo, mas que não pouparam o coletivo de Roberto Martínez.
Um dos títulos mais partilhados veio do The Telegraph britânico: “Dez homens e uma estátua: Portugal está a sacrificar mais um Mundial pelo ego de Cristiano Ronaldo.”
“O empate com a República Democrática do Congo ilustrou as dificuldades de tentar ganhar um Mundial com dez homens e uma estátua. Para uma das favoritas, foi um começo miserável.”
A publicação foi ainda mais longe, sustentando que “é difícil escapar à sensação de que Portugal teria ganho se tivesse jogado sem Ronaldo.”
Ronaldo disputou os 90 minutos sem marcar, ficando em branco pelo quinto jogo consecutivo em Mundiais e pelo décimo jogo seguido em grandes competições.
Não marca sem ser de grande penalidade numa grande competição desde 19 de junho de 2021. Foi ainda a sexta vez que o avançado do Al Nassr terminou um jogo de Mundial sem um único remate enquadrado – três tentativas, todas ao lado.
O The Telegraph comparou diretamente a situação com a de Lionel Messi, que na véspera fizera um hat-trick pela Argentina.
“No dia seguinte a Lionel Messi ter demonstrado porque é que continua na seleção argentina, Portugal recebeu talvez um lembrete da razão pela qual Cristiano Ronaldo não deveria fazer parte da sua.”
Mas as críticas foram além do capitão.
A imprensa internacional avaliou individualmente os jogadores portugueses, com João Neves a destacar-se claramente como o melhor em campo: o médio do PSG, de apenas 21 anos, recebeu 8,1 em dez – “saltou acima de defesas muito mais altos do que ele para cabecear o golo inaugural de Portugal ao fim de apenas seis minutos.”
A análise do Observador foi convergente.
João Neves “foi o melhor jogador de Portugal a quase todos os níveis”, marcou de cabeça, fez a assistência para um golo anulado a Cancelo e procurou “desmarcações de rutura” ao longo de todo o jogo.
Vitinha foi visto como um paradoxo. O médio do PSG, considerado o terceiro melhor jogador do mundo na última corrida pela Bola de Ouro, dominou a posse – nenhum jogador tocou mais vezes na bola, com 134 toques – mas jogou demasiado para o lado e menos para a frente, não conseguindo dar a verticalidade que a equipa precisava.
Bernardo Silva foi o segundo pior avaliado, com 5,7 – “foi advertido com cartão amarelo por uma entrada excessiva” e substituído ao intervalo.
O Diário de Notícias notou que, no próprio dia em que foi anunciado pelo Real Madrid, o médio “raramente conseguiu ligar sectores e ficou mais perto de se destacar pela entrada que lhe valeu o amarelo do que pela influência no ataque português.”
O selecionador Martínez recusou o alarme. “Começámos muito, muito bem”, disse o técnico espanhol, explicando que o golo precoce teve “o efeito oposto” ao esperado: em vez de libertar a equipa, levou-a a controlar em vez de atacar, permitindo ao Congo reorganizar-se.
“No Qatar, a Argentina perde com a Arábia Saudita e ganha o Mundial, a Espanha contra a Suíça em 2010… É um processo.”
A imprensa internacional não deixou de reconhecer o mérito do Congo.
“É um resultado fantástico – e totalmente merecido, dada a disciplina defensiva, a organização, o espírito e a resiliência que demonstraram”, escreveu o The Athletic. Portugal dominou 75% da posse de bola, mas criou apenas um remate enquadrado em 90 minutos – o golo de Neves.
Ronaldo foi breve na zona mista: “Não faltou nada. O futebol é isto. Portugal poderia ter ganho, mas também perdido.”
Nas redes sociais, apelou à confiança: “Não era o arranque que queríamos, mas isto está longe de ter acabado. Cabeça levantada e foco no próximo jogo.”
Portugal e a RD Congo somam um ponto cada no Grupo K, que inclui ainda a Colômbia e o Uzbequistão. A seleção das quinas defronta o Uzbequistão na próxima quarta-feira, em Houston.
FIM
Escrito por RafaFM
Imprensa arrasa Portugal após empate com RD Congo: "dez homens e uma estátua"
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