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Camberra, 3 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O novo Primeiro-Ministro das Ilhas Salomão, Matthew Wale, deu um sinal claro de reorientação estratégica ao acordar com a Austrália o início de negociações para um tratado bilateral abrangente e prometer rever o controverso pacto de segurança assinado com a China em 2022.
O anúncio foi feito após uma reunião entre Wale e o Primeiro-Ministro australiano Anthony Albanese em Camberra.
O tratado a negociar será “ancorado na confiança mútua, no respeito e no diálogo aberto”, segundo Albanese, que reafirmou o objetivo de a Austrália ser o parceiro de segurança de referência no Pacífico.
A situação herdada por Wale é politicamente delicada. O novo chefe de governo revelou que demorou mais de duas semanas a conseguir aceder ao texto do pacto entre a China e as Ilhas Slomão.
“Tive de afastar certas pessoas de posições-chave. Não me foi sequer facultada uma cópia do acordo até um dia antes de partir, pelo que ainda não o analisei a fundo”, admitiu perante os jornalistas em Camberra.
Disse ainda ter estado a “rezar e a jejuar” sobre o que fazer com o acordo, acrescentando que este contém uma cláusula de não divulgação que impede a sua publicação imediata.
Wale foi eleito Primeiro-Ministro a 15 de maio de 2026 pelo Parlamento com 26 votos contra 22, após oito semanas de disputas jurídicas e manobras políticas que colocaram os mecanismos constitucionais do país sob pressão extrema.
Os dois líderes acordaram igualmente retomar um importante pacote de formação policial.
Esse acordo havia ficado bloqueado sob o governo anterior das Ilhas Salomão – próximo de Pequim – que tinha permitido a entrada de polícias chineses nas aldeias para recolher dados domésticos e biométricos, promovendo um modelo de policiamento chinês.
Recorde-se que em abril de 2022, a China e as Ilhas Salomão assinaram um pacto de segurança bilateral que levantou sérias preocupações na Austrália e nos Estados Unidos.
Um rascunho filtrado nas redes sociais revelara que o acordo poderia permitir a Pequim enviar polícia armada, militares e forças navais para o arquipélago, e que os navios chineses poderiam fazer escalas e reabastecer nas ilhas.
A Austrália tem procurado reaproximar-se dos países do Pacífico Sul mediante a celebração de tratados com um conjunto de pequenos, mas estrategicamente localizados, Estados insulares – Tuvalu, Nauru e Papua Nova Guiné -, oferecendo apoio económico significativo em troca de restrições aos laços de segurança com a China.
O regresso das Ilhas Salomão à órbita de Camberra é, no entanto, considerado parcial pelos analistas.
O pacto de segurança de 2022 não será rescindido, as torres de telecomunicações da Huawei permanecerão, e a dívida pública, que quase triplicou desde antes da pandemia, terá de ser gerida.
Analistas consideram que o que muda com Wale é, para já, o tom, a transparência e a abertura aos parceiros tradicionais; o que não muda é o peso estrutural de sete anos de investimento chinês.
FIM
Escrito por RafaFM
Ilhas Salomão aceita negociar tratado com a Austrália e promete rever pacto de segurança com a China
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