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Hong Kong, 16 de setembro de 2026 (RAFA) – Hong Kong apresenta hoje, quarta-feira, o seu primeiro plano quinquenal, um documento que define as prioridades de desenvolvimento do território até 2030 e marca uma mudança para um planeamento político de mais longo prazo.
O chefe do executivo, John Lee, garantiu na segunda-feira que a região vai manter o seu sistema capitalista, mesmo procurando um alinhamento mais estreito com a China continental, reafirmando o compromisso de Hong Kong com o princípio “um país, dois sistemas”.
Até agora, o discurso político anual do líder de Hong Kong tinha sido a principal plataforma do Governo para definir prioridades e novas medidas.
Esta semana, esse discurso será acompanhado, pela primeira vez, de um roteiro quinquenal que abrange áreas que vão das finanças e tecnologia à habitação, passando pela integração regional e pelo projeto da Metrópole Norte (Northern Metropolis).
Segundo Lee, o plano quinquenal vai definir a direção estratégica de Hong Kong, enquanto cada discurso político anual detalhará as medidas concretas, acompanhará o progresso e ajustará as políticas às condições em mudança.
O documento está a ser elaborado em simultâneo com o 15º Plano Quinquenal da China, abrangendo o mesmo período temporal.
Christine Loh, estratega-chefe de desenvolvimento da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, considerou em declarações à CNA, que um planeamento de mais longo prazo obriga também a região a refletir sobre a forma como o mundo poderá mudar nas próximas uma a duas décadas, e sobre que infraestruturas e talento a cidade vai precisar de preparar para o futuro.
Segundo Loh, alinhar o ciclo de planeamento com o da China continental pode ainda ajudar Hong Kong a identificar áreas onde as prioridades de desenvolvimento de ambos se complementam.
É no projeto da Metrópole Norte que as ambições quinquenais de Hong Kong se poderão tornar mais tangíveis.
O Governo pretende transformar terrenos no norte da cidade, na fronteira com Shenzhen, num novo polo económico dedicado à tecnologia e à inovação, com capacidade para albergar 2,5 milhões de residentes e criar 650 mil postos de trabalho.
O projeto constituirá também um teste importante à capacidade de uma maior integração com a Grande Baía (Greater Bay Area) gerar novas indústrias e empregos em Hong Kong.
O financiamento do projeto representa, no entanto, um desafio significativo.
O Governo estima que o custo ascenda a, pelo menos, 224 mil milhões de dólares de Hong Kong (28,6 mil milhões de dólares norte-americanos), enquanto a agência de notação financeira S&P calcula que a fatura final possa ficar cerca de 60% acima desse valor.
Com as finanças públicas sob pressão, o capital privado será determinante para viabilizar o investimento.
Segundo analistas citados pela CNA, um plano quinquenal poderá dar às empresas maior certeza quanto às prioridades do Governo e mais confiança para investir no megaprojeto.
Kenny Shui, vice-presidente do centro de estudos Our Hong Kong Foundation, notou que tem sido tradicionalmente difícil para o setor privado antecipar a forma como este tipo de desenvolvimentos de longo prazo se vai concretizar.
“Mas com o plano quinquenal, consigo definir diferentes metas, diferentes objetivos, e também acompanhar o progresso, para poder ajustar os meus recursos em conformidade”, afirmou.
Um plano de longo prazo vai ainda exigir que diferentes áreas do Governo trabalhem em torno de objetivos comuns.
“O plano deverá abranger população, habitação, inovação, tecnologia e finanças. Mas todas estas áreas são geridas por diferentes departamentos, o que significa que funcionam de forma isolada”, disse Shui, defendendo que o executivo de Hong Kong precisa de conceber algo como “resultados integrados”, já que estas áreas exigem coordenação entre si.
Shui apontou ainda como outro desafio saber se a função pública de Hong Kong – tradicionalmente generalista – dispõe de conhecimento especializado suficiente em áreas como a tecnologia e o desenvolvimento sustentável.
Apesar de um quadro quinquenal oferecer um horizonte de planeamento mais alargado, os responsáveis governamentais vão também precisar de flexibilidade para reagir à evolução dos mercados e das tecnologias.
FIM
Escrito por RafaFM
com garantia de manter o capitalismo Hong Kong apresenta hoje primeiro plano quinquenal
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