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Himalaias enfrentam risco severo de cheias glaciares nos próximos anos, alerta responsável da ONU

todaySetembro 2, 2026 26

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Islamabade, 02 de setembro de 2026 (RAFA) – A região dos Himalaias enfrenta riscos severos de futuras cheias de origem glaciar, alertou uma alta responsável das Nações Unidas, com o número de mortos nas inundações da semana passada no Nepal a ultrapassar os mil.

Kanni Wignaraja, subsecretária-geral da ONU e diretora regional para a Ásia e o Pacífico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), disse à imprensa internacional que não só a energia hidroelétrica, de que muitos dependem, está ameaçada, como margens ribeirinhas inteiras, onde vivem milhões de pessoas, podem tornar-se efetivamente inabitáveis.

“A tecnologia não consegue avançar suficientemente depressa para evitar perdas ao longo destes enormes sistemas fluviais que recebem o transbordamento dos lagos glaciares”, afirmou.

Segundo Wignaraja, dados atualizados compilados pelo PNUD e por organizações parceiras em junho apontam para uma população em risco “na ordem dos milhões”.

Investigadores identificaram, em 2020, 47 lagos glaciares potencialmente perigosos no Nepal, na China e na Índia, mas o número real terá, desde então, aumentado significativamente.

A catástrofe da semana passada no Nepal foi despoletada quando partes de um glaciar junto ao pico de Langtang Lirung colapsaram e caíram para o fundo do vale, desencadeando um deslizamento de terras que enviou uma correnteza de água, lama e pedras ao longo do rio Trishuli.

Este fenómeno distingue-se dos rebentamentos de lagos glaciares propriamente ditos, que ocorrem quando a água do degelo se acumula atrás de uma barreira natural, até que a pressão acumulada provoca uma rutura ou um transbordamento que envia uma cheia repentina para jusante.

Segundo responsáveis da ONU, ambos os fenómenos estão a intensificar-se, à medida que as alterações climáticas aceleram o degelo dos glaciares na região, soltando rochas e aumentando a pressão sobre as barreiras dos lagos glaciares.

Wignaraja notou ainda que as montanhas da região são relativamente jovens, o que as torna mais suscetíveis a movimentos tectónicos capazes de despoletar colapsos súbitos de glaciares ou de barreiras lacustres.

Embora existam lagos glaciares potencialmente perigosos em vastas áreas da região do Hindu Kush, a responsável da ONU sublinhou que nenhum país da região depende tanto dos glaciares, quer para o abastecimento de água, quer para o rendimento das populações, como o Nepal, que enfrenta agora “escolhas muito, muito difíceis”.

Para muitas das pessoas que vivem junto aos rios, mudar-se para zonas mais altas pode não ser financeiramente viável.

As infraestruturas críticas do país permanecem também vulneráveis. Segundo Wignaraja, a perda de capacidade de produção de energia no Nepal pode ser mais grave do que indicam algumas avaliações.

De acordo com o PNUD, as cheias destruíram 15 grandes centrais elétricas em construção, além das que já se encontravam em funcionamento.

A responsável da ONU afirmou que as redes elétricas e as centrais hidroelétricas podem tornar-se mais resilientes a inundações com recurso a novas tecnologias, mas que a “onda de maré de lama e gelo” da semana passada teria ultrapassado a maioria das defesas atualmente disponíveis.

“Não há construção que pudesse ter travado isto”, concluiu.

FIM

Escrito por RafaFM

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