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Nova Iorque, 24 de setembro de 2026 (RAFA) – O antigo produtor de Hollywood Harvey Weinstein foi condenado a15 anos de prisão por ter agredido sexualmente uma assistente de produção televisiva em 2006, encerrando uma batalha judicial que se arrastou por quase uma década.
O juiz Curtis Farber, do tribunal de Manhattan, disse que Weinstein usou o poder que detinha em Hollywood para se aproveitar de mulheres que procuravam entrar na indústria, tratando-as como “meros objetos com que brincar e descartar com impunidade”.
O processo, que começou com múltiplas acusadoras, ficou reduzido a uma só vítima: Miriam Haley, que trabalhou brevemente no programa “Project Runway”, produzido por Weinstein, e alegou que este a forçou a practicar sexo oral no seu apartamento em Manhattan.
Weinstein, de 74 anos, pediu clemência ao tribunal, invocando a idade e problemas de saúde, incluindo cancro e insuficiência cardíaca congestiva.
“Tenho de reiterar a minha inocência”, afirmou, ainda que tenha pedido desculpa “a qualquer pessoa que eu tenha afetado com as minhas ações”. Os seus advogados anunciaram recurso da sentença.
O juiz sublinhou que a recusa de Weinstein em assumir responsabilidade, ao apresentar-se como vítima em entrevistas dadas na prisão, pesou na decisão sobre a pena, que podia ir até 25 anos.
Detido desde a condenação original, Weinstein já cumpriu mais de seis anos de prisão, pelo que lhe restam cerca de nove anos da atual sentença.
Uma pendente nova sentença em Los Angeles, onde foi condenado a 16 anos por uma violação em 2013, pode, no entanto, mantê-lo preso pelo resto da vida.
Farber disse caber ao seu homólogo na Califórnia decidir se as penas serão cumpridas em simultâneo, defendendo que, se dependesse de si, as tornaria consecutivas.
Miriam Haley, de 49 anos, falou em tribunal entre lágrimas, dizendo que ter sido agredida sexualmente por Weinstein teve “um efeito devastador” na sua vida e sentido de segurança.
“É uma sentença de prisão perpétua para mim”, afirmou.
À saída do tribunal, Haley disse estar satisfeita com a pena, mas considerou que as declarações de Weinstein mostram que este continua sem reconhecer o que fez.
“Acho que ele ainda se sente com direito a isso, e essa é parte do problema”, declarou.
A procuradora do distrito de Manhattan, Alvin Bragg, disse que o dia foi “sobre as sobreviventes”, dizendo-se “comovido” com a coragem e persistência das acusadoras.
Weinstein tinha sido originalmente condenado em 2020 a 23 anos de prisão, mas essa sentença foi anulada em 2024 pelo mais alto tribunal do estado de Nova Iorque, que considerou que o arguido fora prejudicado por testemunhos de outras mulheres cujas alegações não faziam parte do processo em causa.
Julgado uma segunda vez no ano passado, Weinstein voltou a ser considerado culpado de um ato sexual criminoso contra Haley, tendo sido inocentado de uma acusação semelhante envolvendo a antiga modelo Kaja Sokola, sem que o júri chegasse a veredicto sobre uma acusação de violação relativa a Jessica Mann.
Um novo julgamento sobre essa acusação terminou em maio com um júri indeciso, tendo os procuradores de Manhattan decidido retirar a acusação de violação depois de Mann dizer não suportar voltar a testemunhar.
FIM
Escrito por RafaFM
Harvey Weinstein condenado a 15 anos de prisão por agressão sexual em 2006
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