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Hamas anuncia dissolução do governo em Gaza e prepara transferência de poder para comité técnico apoiado pela ONU

todayJulho 7, 2026 5

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Deir al-Balah, 07 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O movimento Hamas anunciou esta segunda-feira que dissolveu o seu governo na Faixa de Gaza e está a preparar a transferência de poder para um comité técnico apoiado pelas Nações Unidas, no âmbito do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.

O Hamas não esclareceu se o passo inclui o desarmamento do movimento ou a entrega da segurança a uma força internacional, mas apresentou a decisão como prova do seu compromisso com a reconstrução de Gaza após anos de guerra.

Não é claro se o anúncio, feito por um responsável de nível intermédio, terá impacto real no terreno.

O Board of Peace, o novo organismo liderado pelo Presidente norte-americano Donald Trump com mandato para governar e reconstruir Gaza, disse ter conhecimento do anúncio do Hamas, mas afirmou que vai avaliar o impacto com base em “acções, não promessas”.

Em comunicado na rede social X, o organismo sublinhou que o comité tecnocrata deve controlar todas as armas em Gaza, conforme previsto no acordo de cessar-fogo.

Em conferência de imprensa, Ismail al-Thawabta, diretor-geral do gabinete de imprensa do governo controlado pelo Hamas, afirmou que apenas “pessoal técnico e profissional” permanecerá em funções para gerir os assuntos correntes do território palestiniano.

Segundo al-Thawabta, todos os funcionários que prestam serviços públicos são “funcionários do Estado” e estão preparados para trabalhar sob a alçada do Comité Nacional para a Administração de Gaza.

O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, classificou a medida como um passo positivo rumo à implementação do acordo de cessar-fogo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, rejeitou a iniciativa, considerando-a uma forma de evitar o desarmamento. Segundo Saar, enquanto o Hamas mantiver as armas, qualquer governo civil continuará subordinado às decisões do movimento.

O comité de tecnocratas, sediado no Cairo, é presidido por Ali Shaath, engenheiro natural de Gaza e ex-responsável da Autoridade Palestiniana.

O organismo tem como mandato restabelecer serviços essenciais e supervisionar os assuntos civis, sob supervisão da ONU e do Board of Peace. Em comunicado no X, Shaath reconheceu o anúncio do Hamas e defendeu que, para o comité funcionar com eficácia, é necessária uma autoridade governativa única, a operar sob um único quadro legal, e um aparelho de segurança unificado, responsável perante essa autoridade.

Nove meses após a assinatura do cessar-fogo, as negociações entre Israel e o Hamas continuam largamente bloqueadas quanto à implementação da segunda fase do acordo, que inclui o desarmamento do movimento islamita e a reconstrução de Gaza.

O Hamas tem insistido em concluir a primeira fase antes de discutir a questão das armas.

O ataque de 7 de outubro de 2023, liderado por militantes do Hamas e que desencadeou a guerra, matou cerca de 1.200 pessoas em Israel e resultou no rapto de 251 reféns.

A ofensiva de retaliação israelita em Gaza já matou 73.098 palestinianos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, tutelado pelo governo liderado pelo Hamas e cujos registos são geralmente considerados fiáveis por agências da ONU e por peritos independentes.

O ministério não distingue civis de combatentes, mas indica que mulheres e crianças representam cerca de metade das vítimas mortais.

Os ataques israelitas diminuíram significativamente desde a entrada em vigor do cessar-fogo, a 10 de outubro, mas continuam a registar-se quase diariamente.

O exército israelita afirma visar o Hamas e outros grupos armados, alegando frequentemente que estes preparavam ataques.

Esta segunda-feira, ataques israelitas mataram pelo menos cinco pessoas em Gaza, três em Khan Younis, no sul, e duas num apartamento na Cidade de Gaza, segundo responsáveis de saúde locais.

O exército israelita afirmou ter visado um elemento do Hamas no ataque na Cidade de Gaza e um militante da Jihad Islâmica Palestiniana nos ataques em Khan Younis.

Militantes têm ainda levado a cabo ataques armados contra tropas israelitas em Gaza, tendo morrido cinco soldados israelitas desde o início do cessar-fogo.

FIM

Escrito por RafaFM

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