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Guianense lidera segunda ronda de sondagens no Conselho de Segurança para escolha do próximo secretário-geral da ONU

todaySetembro 2, 2026 34

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Nova Iorque, 02 de setembro de 2026 (RAFA) – A guianense Carolyn Rodrigues Birkett assumiu a liderança na segunda sondagem informal do Conselho de Segurança da ONU sobre os candidatos a suceder a António Guterres, num processo que pode resultar, pela primeira vez em 80 anos de história da organização, na eleição de uma mulher para o cargo.

O mandato de Guterres, ex-primeiro-ministro português, termina a 31 de dezembro de 2026, devendo o novo secretário-geral tomar posse a 1 de janeiro de 2027.

O processo de seleção, iniciado formalmente em novembro de 2025, conta atualmente com oito candidatos: Michelle Bachelet (Chile), Rebeca Grynspan (Costa Rica), Carolyn Rodrigues Birkett (Guiana), María Fernanda Espinosa (Equador), Ivonne A-Baki (Equador), Rafael Mariano Grossi (Argentina), Olara Otunnu (Uganda) e Macky Sall (Senegal).

Virginia Gamba (Argentina) chegou a ser indicada, mas a sua candidatura foi, entretanto, retirada.

As sondagens do Conselho de Segurança são secretas e não oficialmente divulgadas: os votos são expressos por cédula, sob as categorias “encorajamento”, “desencorajamento” e “sem opinião”, e as cédulas são destruídas no final de cada ronda.

Os números indicados das recentes sondagens chegaram à imprensa através de fontes diplomáticas não identificadas, e não através de comunicados oficiais do Conselho.

Segundo essas fontes, citadas pelo portal especializado PassBlue, Rodrigues Birkett recebeu oito votos de “encorajamento”, três de “desencorajamento” e quatro de “sem opinião” na sondagem de 21 de agosto, ficando ligeiramente à frente de Grynspan e de Grossi, que obtiveram sete votos de “encorajamento” cada um.

Nenhum candidato reuniu ainda os nove votos favoráveis necessários para garantir uma recomendação do Conselho.

A candidata mais recente, a equatoriana Ivonne A-Baki, indicada por Tonga a 17 de agosto, não obteve qualquer voto de “encorajamento”, tendo recebido oito de “desencorajamento”.

Na primeira sondagem, realizada a 30 de julho, Grynspan tinha liderado com 10 votos de “encorajamento”, um de “desencorajamento” e quatro de “sem opinião”.

Segundo o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, caso se mantenha o impasse em torno dos atuais candidatos, “poderão surgir outros nomes” no processo.

De acordo com fontes citadas pela imprensa especializada, é possível que se realizem mais duas sondagens em setembro.

O procedimento é conduzido por voto secreto entre os 15 membros do Conselho de Segurança – os cinco permanentes e os dez eleitos, atualmente Barém, Colômbia, Congo, Dinamarca, Grécia, Letónia, Libéria, Paquistão, Panamá e Somália.

Qualquer candidato recomendado necessita de pelo menos nove votos favoráveis, sem veto de nenhum dos cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), antes de a recomendação seguir para aprovação final pela Assembleia Geral, por maioria dos 193 Estados-membros.

A seleção de 2026 é particularmente significativa para a ONU e para o futuro da liderança global: desde a fundação da organização, em 1945, todos os nove secretários-gerais foram homens, e mais de 80 anos depois, a ONU nunca foi liderada por uma mulher.

O processo em curso levanta assim a questão de saber se 2026 poderá ser o ano em que a organização nomeia, finalmente, a sua primeira secretária-geral.

Ainda assim, além da representação de género, mantêm-se centrais critérios como o mérito, a integridade, a independência, a experiência e a capacidade de construir consensos num contexto internacional cada vez mais complexo – e, para os pequenos Estados e países em desenvolvimento, a capacidade do futuro líder para defender o multilateralismo eficaz, o direito internacional, a paz e segurança, o desenvolvimento sustentável, a ação climática e a inclusão, assegurando que a voz dos pequenos Estados seja ouvida.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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