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Guerra no Médio Oriente chega também ao debate sobre sítios da UNESCO em risco

todayJulho 24, 2026 26

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Busan, 24 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Pela primeira vez na história, o Comité do Património Mundial da UNESCO realiza a sua sessão na Coreia do Sul, com delegados de 193 países em Busan para avaliar o estado de conservação de sítios já classificados e analisar novas candidaturas.

Nunca, porém, os conflitos no Médio Oriente tinham dominado tanto a agenda como este ano.

A tendência já se fez sentir nos primeiros dias da sessão, que decorre até 29 de julho.

Depois de aprovar, na abertura, uma declaração geral sobre a cooperação internacional para proteger o património cultural e natural vulnerável dos danos causados por conflitos, os delegados acrescentaram ontem a cidade libanesa de Tiro – reconhecida pela UNESCO em 1984 pelas suas ruínas romanas e atingida nas últimas semanas por bombardeamentos israelitas – à Lista do Património Mundial em Perigo.

Segundo a declaração aprovada a pedido do governo libanês, o sítio foi diretamente atingido e sofreu danos, sendo que o seu estado de conservação suscita crescente preocupação, sobretudo devido à possibilidade de novos impactos.

Entre as 30 candidaturas a novos sítios do Património Mundial que serão examinadas a partir de hoje, há duas outras incluídas ao abrigo do procedimento de emergência precisamente devido aos conflitos no Médio Oriente.

A primeira, também no sul do Líbano, diz respeito aos castelos do Monte Amel, incluindo o Castelo de Beaufort, fortaleza cruzada na região de Nabatiye, reocupada por Israel desde 31 de maio no âmbito da ofensiva contra o Hezbollah.

A segunda candidatura, apresentada pela Palestina, refere-se à cidade de Sebastia, que nos últimos anos se tem tornado, segundo a AsiaNews, um “roteiro arqueológico” no contexto daquilo que é descrito como uma anexação de facto de amplas áreas da Cisjordânia por parte de Israel.

Caso os dois pedidos sejam aceites, abrir-se-á uma nova frente na já longa e conturbada relação entre Israel e a UNESCO.

Em protesto contra a admissão da Palestina como Estado-membro, Israel deixou de integrar a organização cultural da ONU desde 1 de janeiro de 2019 e, ao contrário dos Estados Unidos – que voltaram a ser membros em 2023, durante a administração Biden -, mantém-se fora da organização até hoje.

Ainda assim, Israel continua a ser um dos Estados signatários da Convenção de 1972 que institui a Lista do Património Mundial, pelo que uma delegação do país participa nas sessões do Comité, também porque existem nove sítios oficialmente reconhecidos dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.

Nesse contexto, o governo de Netanyahu já tinha divulgado, nos últimos dias, uma declaração dura contra aquilo que classifica como uma exploração cínica do património cultural e uma traição à integridade profissional que ameaça destruir a credibilidade da Convenção do Património Mundial.

Quanto ao caso do Castelo de Beaufort, o governo de Netanyahu sustenta que a verdadeira falha da comunidade internacional na proteção do património cultural reside em ter permitido que o Hezbollah transformasse a antiga fortaleza cruzada numa base militar, escavando uma extensa rede de túneis sob o local e utilizando-o para lançar mísseis contra Israel.

Já quanto a Sebastia – descrita por Israel como a antiga capital bíblica do Reino de Israel, na Samaria -, o governo israelita defende que o alerta sobre o sítio carece de base técnica e é motivado por objetivos políticos de apagamento da sua história judaica e cristã.

Segundo a mesma declaração, o verdadeiro perigo para Sebastia decorre do alegado abandono por parte da Autoridade Palestiniana, acusada de ter facilitado atos de vandalismo, roubo e profanação no local arqueológico.

Refira-se ainda que, entre as 30 novas candidaturas ao Património Mundial, há três outras que dizem respeito, indiretamente, a áreas envolvidas em conflitos.

O Irão apresentou candidatura para o reconhecimento do Castelo de Alamut, fortaleza medieval situada a mais de 2.000 metros de altitude nas montanhas do norte do país.

Duas outras propostas incidem sobre o Golfo de Aqaba – o troço de mar entre a Península do Sinai e a Península Arábica que dá para o Mar Vermelho, atualmente sob ameaça dos huthis: a Jordânia propôs a Reserva Marinha de Aqaba, enquanto a Arábia Saudita candidatou os recifes de coral do Golfo de Aqaba e do Mar Vermelho.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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