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Guerra no Irão expõe vulnerabilidades energéticas do Sudeste Asiático, alerta AIE

todayJunho 16, 2026 11

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Banguecoque, 17 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A guerra no Irão revelou riscos graves para a segurança energética do Sudeste Asiático, que poderá ver a sua fatura de importações de energia triplicar para 245 mil milhões de dólares até 2035, segundo a AIEA.

O relatório divulgado hoje pela Agência Internacional de Energia (AIE) considera que evitar esse cenário exige que a região acelere a diversificação das fontes de abastecimento.

A dependência excessiva de petróleo e gás transportados através do Estreito de Ormuz deixou a região particularmente exposta aos choques provocados pela guerra no Irão, constituindo um “sinal de alarme inequívoco” para a sua segurança energética.

O conflito está também a impulsionar planos de energia nuclear na região, ainda que longos processos de construção e regulamentação persistam.

A Indonésia, o Vietname e as Filipinas poderão ser os países mais avançados nessa área, embora os seus calendários permaneçam incertos.

“A diversificação das fontes de energia e das rotas de abastecimento é agora uma prioridade central”, afirmou Fatih Birol, director executivo da AIE.

O choque energético desencadeou nas economias da região uma situação de gestão de emergência, com subida das faturas de energia e aumento da inflação.

Em paralelo, o conflito reforçou, num provável retrocesso para os objetivos de descarbonização, a dependência do carvão em períodos de crise.

Nas Filipinas, que declararam emergência energética nacional, os consumidores recorreram à energia solar fotovoltaica em telhados a taxas recorde, como solução imediata para fazer face à subida das tarifas elétricas.

“É a primeira vez que vejo um choque de procura desta magnitude”, afirmou Ivan Cano, da empresa solar EcoSolutions, sediada em Manila.

As Filipinas tornaram-se o segundo maior destino das exportações solares chinesas no primeiro trimestre de 2026, com importações cerca de três vezes superiores ao período homólogo do ano anterior.

No sector dos transportes, as vendas de veículos elétricos mais do que duplicaram em 2025, atingindo cerca de meio milhão de unidades, com um em cada cinco automóveis vendidos na região a ser elétrico.

O Laos chegou mesmo a proibir, no mês passado, a importação de veículos a combustão pelo resto do ano, para reduzir as importações de petróleo e estimular a transição para a mobilidade elétrica.

“Este choque energético está a promover não apenas respostas de curto prazo, mas uma reavaliação mais profunda das prioridades políticas e das estratégias de investimento por parte dos governos”, disse Sue-Ern Tan, responsável pelo Centro de Cooperação Regional da AIE em Singapura.

Apesar do acordo preliminar para pôr fim à guerra no Irão, os preços dos combustíveis fósseis deverão manter-se elevados, o que, segundo Sam Reynolds do Instituto para a Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA), deverá traduzir-se numa “aposta mais ambiciosa nas energias limpas”.

Para superar as suas fragilidades estruturais, a AIE recomenda que o Sudeste Asiático reduza a dependência de combustíveis fósseis importados, torne as redes elétricas nacionais mais eficientes e intensifique o investimento em energias renováveis – solar, eólica, hídrica e geotérmica.

A Agência recomenda igualmente o reforço de iniciativas de partilha energética regional, como a Rede Elétrica da ASEAN, cujos obstáculos políticos o atual contexto de crise poderá ajudar a superar.

“O conflito no Médio Oriente é simultaneamente um teste de resistência ao sistema energético atual do Sudeste Asiático e um catalisador para acelerar mudanças estruturais”, conclui o relatório.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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