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Governo quer eletricidade permanente em todos os sucos e quota de renováveis acima de 50% até 2030

todaySetembro 3, 2026 27

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Díli, 03 de setembro de 2026 (RAFA) – O Governo timorense fixou como meta garantir fornecimento elétrico ininterrupto, 24 horas por dia, em todos os sucos do país e elevar a quota de energias renováveis na produção elétrica para pelo menos 50% até 2030, segundo o Plano de Médio Prazo (MTP) 2027-2030 a que a RAFA teve acesso.

Atualmente, cerca de 70% dos sucos têm acesso a eletricidade 24 horas por dia, segundo dados citados no documento, e a produção a partir de fontes renováveis não chega a 1% do total nacional.

Isto apesar de o país já ter atingido uma eletrificação quase universal, com 99,7% de cobertura ao nível dos sucos, através das centrais de Hera e Betano, que elevaram a capacidade instalada de cerca de 255 megawatts em 2015 para 276 megawatts em 2024.

O relatório reconhece que o sistema elétrico nacional regista perdas técnicas e comerciais de cerca de 33%, valor que o Governo pretende reduzir para menos de 25% até ao final da década.

O documento assinala ainda que mais de 89% dos agregados familiares continuam dependentes de diesel ou lenha para as suas necessidades energéticas.

O relatório nota, contudo, que o projeto de 72 megawatts de energia solar e armazenamento em baterias (BESS) previsto para Manatuto deverá melhorar este cenário nos próximos anos.

No sector rodoviário, o documento revela que apenas 48% da rede de estradas nacionais se encontra atualmente em bom ou razoável estado de conservação.

Segundo dados do Ministério das Obras Públicas referentes a junho de 2025, só 14% das estradas municipais e 37% das estradas urbanas foram reabilitadas, com menos de um terço das estradas rurais em bom estado.

O relatório recorda que o Fundo de Infraestruturas já permitiu concluir mais de 1.400 projetos entre 2011 e 2025, incluindo instalação e reabilitação de infraestrutura elétrica, expansão de sistemas de irrigação, edifícios públicos e reabilitação de estradas e pontes.

No sector da água, o Governo compromete-se a elevar a funcionalidade dos sistemas rurais de abastecimento de água de 50% para 90% até 2030 e a reduzir a percentagem de água não faturada nas redes urbanas de cerca de 85% para 65% ou menos.

Segundo o documento, 911 dos 1.809 sistemas rurais de abastecimento de água registados no portal do Governo (GMF) estão classificados como “não ativos”, ou seja, mais de metade da rede rural de abastecimento de água não está atualmente a funcionar.

O acesso a água potável gerida em segurança já abrange 87% dos agregados familiares, através de mais de 1.800 sistemas rurais de abastecimento.

No prefácio do capítulo dedicado às infraestruturas, o ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Gastão Francisco de Sousa, admite que “cerca de um terço dos nossos sucos não tem fornecimento fiável de eletricidade 24 horas por dia e apenas metade dos sistemas rurais de abastecimento de água está totalmente funcional”.

O governante escreve ainda que “ter construído infraestruturas não é o mesmo que ter infraestruturas que funcionam, e infraestruturas que funcionam não são o mesmo que infraestruturas que impulsionam a transformação económica que o nosso povo merece”, recordando que mais de 1.400 projetos de infraestrutura foram concluídos através do Fundo de Infraestruturas entre 2011 e 2025.

O plano prevê o reforço da governação corporativa da Eletricidade de Timor-Leste (EDTL), com relatórios financeiros auditados regulares e um painel público de desempenho energético que cobrirá perdas do sistema, tarifas e taxas de recuperação de custos.

A empresa deverá também publicar, a partir do final de 2028, um índice nacional anual de duração média de interrupções do sistema (SAIDI), permitindo pela primeira vez comparar a fiabilidade do fornecimento entre diferentes regiões do país.

A meta do Governo é que a taxa de recuperação de custos da EDTL ultrapasse os 80%.

O documento fixa ainda a meta de reduzir para metade o peso combinado dos subsídios à EDTL e à Bee Timor-Leste (BTL) no produto interno bruto, atualmente estimado entre 7% e 9% do PIB.

No sector do transporte de mercadorias por via marítima, o relatório aponta que apenas 1,3% do movimento total do Porto de Tibar corresponde atualmente a exportações não-petrolíferas, uma proporção que o Governo quer elevar para mais de 5% até 2030.

No domínio digital, o relatório assinala que apenas 34,5% da população timorense utiliza a internet, apesar do custo do gigabyte de dados em Timor-Leste representar cerca de 4,8% do rendimento nacional bruto per capita, segundo o DataReportal Digital 2024.

O Governo compromete-se a elevar a proporção de população que usa a internet para pelo menos 65% até 2030, e a percentagem de pequenas e médias empresas registadas que utilizam sistemas digitais de pagamento ou gestão do negócio, atualmente em apenas 0,8%, para pelo menos 20%.

O relatório, com 250 páginas e desenvolvido pelo Ministério do Planeamento e Investimento Estratégico (MPIE), a que a RAFA teve acesso, representa a fase final e mais decisiva do PED 2011-2030, o plano de longo prazo que traçou a ambição de transformar Timor-Leste num país de rendimento médio-alto, com uma população saudável, instruída e a viver em segurança, até 2030.

O Conselho de Ministros analisou na quarta-feira uma apresentação do PMP.

Jornalista: António Sampaio

 

 

Escrito por RafaFM

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