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‎ Funerais simbólicos no Nepal para os que se temem perdidos nas cheias que causaram pelo menos 1200 mortos

todaySetembro 3, 2026 18

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Katmandu, 03 de setembro de 2026 (RAFA) – Famílias de habitantes locais ainda por localizar após as cheias devastadoras da semana passada no Nepal realizaram funerais simbólicos pelos seus entes queridos, numa altura em que há ainda milhares de desaparecidos.

Ao mesmo tempo, alguns turistas anteriormente dados como desaparecidos no Nepal entraram em contacto com as autoridades, reduzindo o número de pessoas cuja situação é ainda desconhecida.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Nepal informou que 324 cidadãos estrangeiros foram resgatados, enquanto outros 590, provenientes de 39 países, continuam desaparecidos na sequência das cheias de 26 de agosto.

Pelo menos 1.204 pessoas morreram e mais de 4.200 permanecem desaparecidas, segundo a agência nacional de gestão de desastres.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou esta quarta-feira que o número de australianos desaparecidos na catástrofe caiu de 43 para 38, depois de cinco terem sido confirmados como seguros durante a noite.

“No meio de toda esta tragédia, estamos a ver algumas notícias positivas. Hoje, mais cinco australianos foram confirmados como seguros”, disse Albanese aos jornalistas em Palau, onde participa numa cimeira regional, acrescentando esperar “mais notícias positivas” e garantindo que o Governo está “a fazer tudo o que pode” para colaborar com as autoridades.

Hoje o Governo australiano anunciou o envio de uma equipa de operadores de drones para o Nepal nos próximos dias, para apoiar as operações de busca e salvamento.

Sunil Sharma, porta-voz do Conselho de Turismo do Nepal, disse que pelo menos cinco outros turistas anteriormente dados como desaparecidos contactaram as autoridades por correio eletrónico ou telefone nos últimos dias.

Segundo as informações disponíveis, o desastre terá sido desencadeado por um colapso glaciar nos Himalaias, que arrastou rocha, gelo e água de degelo para os vales, provocando cheias violentas a jusante.

A torrente entrou em rios que atravessam o Tibete e o Nepal, fazendo-os subir rapidamente e arrastando casas, edifícios, estradas e pontes, com lama e pedras a serem transportadas rio abaixo.

Algumas famílias em Nuwakot, um dos distritos mais afetados do Nepal, realizaram funerais simbólicos por familiares ainda desaparecidos, na esperança de libertar as suas almas depois de serem dados como mortos.

Na tradição hindu, a cremação é um rito final importante, e para algumas famílias a realização da cerimónia, mesmo sem os corpos dos entes queridos, proporciona uma sensação de libertação espiritual.

Mukunda Rijal contou que os seus primos e as filhas destes não foram encontrados, levando a família a realizar um funeral simbólico por eles.

Junto às margens do rio Trishuli, um sacerdote colocou efígies de palha representando os familiares desaparecidos, cobriu-as com pequenas pilhas de lenha e ateou-lhes fogo.

As pilhas funerárias simbólicas foram rodeadas de oferendas às divindades hindus, enquanto os familiares se reuniam para realizar os últimos ritos.

As autoridades nepalesas têm também procedido ao sepultamento dos corpos recuperados em sepulturas temporárias até que possam ser identificados, preservando amostras de ADN, fotografando traços faciais distintivos e registando outros elementos identificativos, de forma a permitir cruzar os restos mortais com as pessoas desaparecidas e, eventualmente, devolvê-los às respetivas famílias.

Do lado chinês da fronteira, equipas de resgate concluíram uma estrada provisória de acesso ao local da catástrofe, junto ao posto fronteiriço de Gyirong, informou esta quarta-feira a televisão estatal CCTV.

As equipas têm estado a desobstruir o acesso para permitir a entrada de maquinaria pesada a utilizar nas buscas no complexo fronteiriço, que foi arrastado pelas cheias, com a estrada de acesso destruída e soterrada sob água, lama e pedras.

Do lado chinês, morreram pelo menos 21 pessoas e continuam desaparecidas 541, segundo a agência noticiosa estatal Xinhua.

Alguns sobreviventes das cheias têm procurado refúgio na capital nepalesa, Katmandu. Cerca de 400 sobreviventes, a maioria provenientes da localidade de Timure, a cerca de 110 quilómetros a oeste de Katmandu, estão alojados no mosteiro de Yellow Gumba, um abrigo organizado por moradores locais e familiares, com bens de socorro doados por particulares e organizações de caridade.

Riya Tamang, de 21 anos, que fugiu com o filho de dez meses quando as águas se aproximavam e perdeu os avós na catástrofe, é uma das pessoas acolhidas no mosteiro. “Fui a última a sair de casa. Foi muito difícil escapar”, contou.

O marido, que trabalha como cozinheiro na localidade de Gyirong, do lado chinês da fronteira, também sobreviveu, e o casal mantém-se agora em contacto através de videochamadas.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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