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Fumo de incêndios florestais na Indonésia agrava qualidade do ar em Manila

todaySetembro 2, 2026 22

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Manila, 02 de setembro de 2026 (RAFA) – O fumo de incêndios florestais no Kalimantan, na Indonésia, atingiu na terça-feira Manila, a quase dois mil quilómetros de distância, levando as autoridades filipinas a emitir alertas de saúde pública.

A neblina, transportada por ventos de sudoeste vindos do Kalimantan, a parte indonésia da ilha de Bornéu, levou especialistas de saúde a recomendar o uso de máscaras N95 ao ar livre, à medida que a qualidade do ar se deteriorava em partes da Região Metropolitana de Manila.

Em algumas zonas da capital, o índice de qualidade do ar atingiu níveis “extremamente insalubres”, segundo alerta emitido no domingo pelo Departamento do Ambiente e Recursos Naturais filipino, com base em leituras das suas estações de monitorização.

O alerta levou a cidade de Quezon, parte da região da capital, a suspender as aulas em todas as escolas.

Gerry Bagtasa, físico atmosférico formado no Japão e investigador do Instituto de Ciência Ambiental e Meteorologia da Universidade das Filipinas, disse à ABS-CBN que a neblina é perigosa por ser composta por partículas muito finas, transportadas pelos ventos de sudoeste.

Com base em imagens de satélite, apontou que os poluentes têm origem no agravamento dos incêndios florestais no oeste e sul do Kalimantan.

Segundo o especialista, dois tufões situados a leste de Taiwan e a sul de Hong Kong, associados ao fenómeno El Niño, estão a intensificar a monção de sudoeste conhecida como Habagat, típica desta época do ano, o que está a arrastar consigo as emissões dos incêndios indonésios.

Bagtasa prevê que a neblina se mantenha até ao fim de semana, consoante a evolução da direção do vento.

Os incêndios florestais e agrícolas na Indonésia são normalmente alimentados por uma combinação de tempo seco, condições das turfeiras e práticas de desflorestação para uso agrícola, com o fumo dos grandes incêndios a poder atravessar fronteiras quando os ventos sazonais mudam de direção.

A última vez que as Filipinas foram afetadas por neblina proveniente da Indonésia foi em 2015, também durante um episódio de El Niño, segundo Bagtasa.

O investigador sublinhou ainda que a neblina não é uma catástrofe natural, mas sim “provocada pelo homem”, podendo agravar-se nos próximos meses devido ao pico habitual de incêndios na Indonésia entre setembro e outubro.

Rontgene M. Solante, que preside ao Programa de Especialização em Doenças Infecciosas do Adulto e Medicina Tropical do Hospital San Lazaro, em Manila, recomendou o uso de máscaras N95 em vez de outros tipos de proteção facial, alertando que mesmo adultos saudáveis devem usar máscara ao ar livre, uma vez que as partículas finas podem alojar-se nos pulmões e causar dificuldades respiratórias.

O episódio reacendeu também as dúvidas sobre a capacidade dos governos do Sudeste Asiático de mobilizar ajuda transfronteiriça eficaz quando incêndios num país afetam a saúde da população de outro.

Yohanes Sulaiman, professor associado de relações internacionais na Universitas Jenderal Achmad Yani, em Cimahi, na Indonésia, considerou que qualquer resposta regional dependerá da disponibilidade de Jacarta para aceitar ajuda externa, notando que o Presidente indonésio, Prabowo Subianto, dificilmente aceitará apoio de outros membros da ASEAN por considerar a situação embaraçosa.

Segundo Sulaiman, à exceção do Japão, o governo indonésio tem-se mostrado historicamente relutante em aceitar ajuda estrangeira em situações de catástrofe.

Fontes militares filipinas ouvidas separadamente afirmaram não existir, dentro da Associação de Nações do Sudeste Asiático, um mecanismo automático que permita a soldados de um país-membro apoiar outro em resposta humanitária e a catástrofes.

O coronel Jose Regonay Jnr, subchefe do Gabinete de Assuntos Públicos do Exército filipino, disse que militares filipinos participaram recentemente em exercícios conjuntos com homólogos indonésios, mas sem componente de resposta humanitária ou a catástrofes, acrescentando que caberia à Indonésia solicitar a inclusão desse tipo de exercícios.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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