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FRETILIN despede-se do “grande irmão Lú-Olo”, o seu líder durante 25 anos

todayJunho 26, 2026 76

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Díli, 26 de junho de  2026 (RAFA.TL) – A FRETILIN despediu-se hoje do seu Presidente, Francisco Guterres Lú-Olo numa cerimónia marcada pela emoção e pelas lágrimas, num adeus ao “grande irmão Lú-Olo, filho de Timor”, cujo trabalho e dedicação não serão esquecidos.

“O teu caminho tornou-se exemplo para todos aqueles que servem a nação. Com paz e unidade Timor continuará a avançar”, ouviu-se na letra de uma música criada especialmente para a cerimónia, que deu som a um vídeo de homenagem.

“Mesmo que o tempo tenha mudado, o teu espírito continuará vivo. No mar nas montanhas e em cada aldeia, o povo timorense lembrar-se-á de ti. Timor-Leste jamais de esquecerá”, refere.

Coberto com as três bandeiras que o guiaram em vida – a de Timor-Leste, a da FRETILIN e a das FALINTIL – o caixão teve lugar de honra central na sala principal do Comité Central da FRETILIN (CCF), com dois militares das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

Nas filas da frente a viúva e os filhos e os principais dirigentes do partido.

Coube a Mari Alkatiri, Secretário-Geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (FRETILIN) conduzir o minuto de silêncio, referindo-se não apenas a Lú-Olo, mas também a outros combatentes já falecidos.

Uma mensagem em que agradeceu a todos os que participaram no velório, demonstrando o papel de Lú-Olo, alguém “capaz de reunir toda a gente (…) para nos ajudar a olhar em frente, para nos dar um sentido de missão”.

“Por isso, camarada Lu, querido camarada Lu, obrigado de todos nós, obrigado. Peço a todos que respeitem aquilo que o camarada Lu nos deixou. Que façamos uma reflexão profunda, que façamos uma introspeção profunda, para fazermos aquilo que era a sua palavra de ordem: Unir para transformar, para nos ajudar a olhar em frente.”, disse.

“Isto é o mais importante: unir para transformar. Neste momento, trata-se de fazermos com que todos nós, juntos, possamos transformar a dor, transformar a tristeza, transformar aquilo que acontece em força. Todos nós temos de construir a família; todos nós temos de garantir o futuro das crianças e dos jovens”, afirmou.

Alkatiri tentou transmitir o que disse ser a mensagem de Lú-Olo, a voz de alguém que “queria de nós a capacidade de reunir toda a gente (…) queria que o nosso povo saísse da escuridão e da pobreza”.

“O meu coração está profundamente comovido, mas eu vejo aquilo que vejo neste dia, eu sinto aquilo que sinto neste dia. Já antes senti o que uma família unida pode sentir perante uma perda”, afirmou.

“Perdemos fisicamente uma pessoa, mas essa perda dá-nos força para continuar. Continuar, porque era isso que ele queria; ele era muito determinado, muito resistente, muito grande em tudo.

Não fiquemos apenas no silêncio; peço a todos que se inclinem perante ele e depois lhe prestem, frente a frente connosco, um grande aplauso ao Presidente Lú-Olo, considerou.

O vermelho foi a cor dominante do momento, principal cor da bandeira da FRETILIN, o partido a que Lú-Olo presidiu durante 25 anos, quase tantos como os que combateu a ocupação indonésia.

A cerimónia começou com o hino do partido, o Foho Ramelau, cantando em coro por muitos dos milhares de militantes reunidos na sala e que enchiam praticamente todo o recinto exterior.

Coube à secretária-geral da OPMT, Guilhermina Ribeiro, conduzir a oração.

Um dos momentos mais emotivos ocorreu quando foi passado um vídeo a recordar a vida do ex-Presidente e dizendo “adeus grande irmão Lú-Olo, filho de Timor tão querido por nós”, com muitos do público incapazes de conter as lágrimas.

“O teu trabalho não será esquecido. A bandeira de Timor continuará a erguer-se com o teu nome nos nossos corações”, continuou a canção. “Os dias veem e os dias passam e as novas gerações aprenderão que a liberdade não veio por acaso, mas através de grandes sacrifícios”.

Transportado em ombros por militares timorenses, o caixão percorreu depois a curta distância até ao carro funerário, enquanto se ouviam repetidas “viva Lú-Lo”.

Com vários batedores da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), o cortejo fúnebre saiu, ao som de choro, da residência de Lú-Olo no Farol cerca das 07:30, seguindo depois para a sede do CCF.

Ao longo da estrada muitos timorenses a vergarem-se à passagem do carro fúnebre. Alguns a lançarem flores e outros em oração.

Antes da sua sepultura no Jardim dos Heróis, Francisco Guterres Lú-Olo terá ainda cerimónias de homenagem no Quartel das F-FDTL, na Presidência da República e no Parlamento Nacional.

Jornalista: António Sampaio

 

Escrito por RafaFM

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