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Fórum de defesa chinês abre em Pequim numa altura de crescentes tensões regionais na Ásia

todaySetembro 16, 2026 16 23

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Pequim, 16 de setembro de 2026 (RAFA) – A liderança militar chinesa apresentou esta semana os seus objetivos para a segurança global, na abertura do fórum anual de defesa que Pequim acolhe numa altura de crescente tensão na sua vizinhança, marcada por Taiwan, o Mar do Sul da China e dúvidas sobre o empenho dos Estados Unidos na Ásia.

O ministro da Defesa chinês, Dong Jun, abriu na terça-feira a 13ª edição do Fórum Xiangshan, que decorre até quinta-feira no Centro Internacional de Convenções de Beijing, sob o tema “Construir Consenso sobre Estabilidade, Avançar Juntos a Governação da Segurança”.

Esta edição assinala o 20º aniversário do fórum, lançado em 2006, e decorre em paralelo com o 4º Fórum de Paz e Segurança China-África.

Segundo um porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Jiang Bin, que confirmou os números numa conferência de imprensa na véspera da abertura, participam no evento delegações de quase 100 países, regiões e organizações internacionais, com mais de 60 representantes ao nível ministerial ou de chefe de Estado-Maior.

O evento, considerado o rival chinês, mais rigidamente controlado, do Diálogo de Shangri-La, em Singapura – amplamente visto como um fórum mais informal -, deverá reunir, ao longo dos seus três dias, centenas de oficiais militares, diplomatas e académicos de dezenas de países.

Segundo responsáveis e analistas asiáticos, eventuais críticas mais diretas de Pequim aos Estados Unidos e aos seus aliados ocidentais poderão ser atenuadas devido à visita que o Presidente chinês, Xi Jinping, tem prevista a Washington ainda este mês, para se encontrar com o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Já o Japão poderá ser um alvo mais fácil, dado o atual estado de tensão entre Pequim e Tóquio.

“Prevejo que o anfitrião chinês vá também usar a plataforma para insistir no passado de guerra do Japão e criticar a alegada ‘remilitarização’ de Tóquio”, afirmou o académico James Char, especialista em segurança chinesa sediado em Singapura, da S. Rajaratnam School of International Studies, citado pela imprensa internacional.

Taiwan, cujas forças armadas realizaram no mês passado exercícios militares e de defesa civil para treinar a resposta a uma eventual invasão chinesa, não participa no fórum nem na generalidade dos grandes eventos internacionais – nem Pequim nem Taipé reconhecem o governo uma da outra, e a China considera a ilha, de governo democrático, parte do seu próprio território.

O discurso de Dong surge na sequência de declarações recentes de Xi a apelar a uma maior representação dos países do Sul Global nos assuntos internacionais.

“O domínio dos assuntos internacionais por uns poucos é uma injustiça herdada da história, e uma governação global ditada por um país, um pequeno grupo de países ou um bloco não é verdadeiro multilateralismo”, disse Xi na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, realizada este mês no Quirguistão.

Enquanto as nações ocidentais tendem a enviar delegações de nível relativamente baixo ao fórum, alguns países da região optam por enviar os próprios ministros, na tentativa de equilibrar as relações com a China, potência militar moderna, e com os Estados Unidos, aliado de defesa historicamente dominante no Leste Asiático.

Segundo um responsável norte-americano, a delegação dos EUA é chefiada por Cynthia Carras, diretora principal do Pentágono para os assuntos da China, Taiwan e Mongólia.

O Vietname, vizinho e rival da China no disputado Mar do Sul da China, enviou o seu ministro da Defesa, Phan Van Giang, enquanto a Malásia está representada pelo vice-ministro da Defesa, Adly Zahari.

O fórum decorre ainda num momento em que prosseguem as purgas por corrupção lançadas por Xi no interior das forças armadas chinesas, devendo dar às delegações estrangeiras a oportunidade de avaliar o seu impacto na liderança militar.

O evento antecede o congresso do Partido Comunista chinês, no poder, marcado para o próximo ano, que deverá consolidar a nova liderança da Comissão Militar Central, o órgão de comando máximo do Exército de Libertação Popular.

Atualmente, a comissão tem apenas dois dos sete lugares preenchidos – um dos quais ocupado pelo próprio Xi, na qualidade de chefe supremo das forças armadas.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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