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Fiji declara emergência nacional de VIH, com um em cada 60 adultos infetados

todaySetembro 17, 2026 10

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SUVA, Fiji, 17 setembro 2026 (RAFA) – O governo de Fiji declarou esta semana emergência nacional de VIH, depois de o país ter registado 2.060 novos diagnósticos em 2025 e de as autoridades já não conseguirem conter sozinhas um surto que, segundo a ONU, avança a um ritmo sem paralelo global.

O ministro da Saúde, Atonio Lalabalavu, anunciou a medida na terça-feira, classificando os números como prova “da gravidade da epidemia e da resposta urgente e coordenada de que o país agora precisa”.

“Declaro formalmente uma emergência de saúde nacional em Fiji. Esta decisão reconhece a gravidade da epidemia e a resposta urgente e coordenada de que o nosso país agora precisa,” afirmou o governante em comunicado.

Estima-se que um em cada 60 adultos no arquipélago do Pacífico, com menos de um milhão de habitantes, viva atualmente com o VIH, um valor que contraria a tendência global de redução dos casos.

A ONUSIDA calcula uma queda de 42% nas novas infeções em todo o mundo entre 2010 e 2025. Há cinco anos, a prevalência em Fiji era de um em cada 167 adultos.

O Fiji tinha já declarado um surto de VIH em janeiro de 2025, depois de um aumento acentuado de casos detetados em 2024, o que levou a um reforço dos testes e revelou a real dimensão da crise. A resposta esteve até agora a cargo de um grupo de trabalho dedicado, o Taskforce Nacional de Resposta ao Surto e Clusters de VIH (N-HOCRT), mas Lalabalavu pediu em março ao parlamento fijiano apoio para uma resposta nacional multissetorial – envolvendo comunidades, sociedade civil e parceiros técnicos.

Pediu ainda para colocar o combate à epidemia “numa base de resposta de emergência”, de forma a acelerar recrutamento, aquisições, infraestruturas e instrumentos legais, transferindo o esforço para além do Ministério da Saúde.

E defendeu um compromisso nacional mínimo de cinco anos, sublinhando que “não é uma campanha curta” mas “um esforço de recuperação nacional plurianual”.

O surto é impulsionado sobretudo pelo consumo de drogas injetáveis, com Fiji a tornar-se ponto de trânsito de metanfetaminas traficadas das Américas para a Austrália, a Nova Zelândia e partes da Ásia.

Em 2025, as pessoas que injetam drogas representaram cerca de metade dos novos casos de VIH com via de transmissão identificada, sendo a outra metade atribuída a transmissão sexual, favorecida pelo baixo uso de preservativo e pelo estigma.

Segundo Renata Ram, conselheira da ONUSIDA para Fiji, é também comum a partilha de agulhas, incluindo uma prática conhecida como “blue-toothing”, em que consumidores retiram sangue após uma dose e o injetam noutra pessoa.

A epidemia já atinge os recém-nascidos: a organização Save the Children Fiji revelou esta semana que um bebé de dois meses se tornou o doente mais jovem identificado a viver simultaneamente com VIH e tuberculose, e que 59 bebés contraíram o vírus da mãe no ano passado.

Segundo Lalabalavu, uma em cada 50 grávidas em Fiji está infetada. O país registou 117 mortes relacionadas com VIH em 2025, contra 25 em 2021.

Apenas cerca de 39% das pessoas que vivem com VIH em Fiji conhecem o seu estado serológico, e menos de um quarto (22%) está em tratamento – muito abaixo da média global de 78% de acesso a terapêutica.

“O que mais me preocupa é a velocidade da epidemia e o número de pessoas que podem estar a viver com VIH sem o saber”, afirmou Ram.

Joeli Colati, diretor executivo da organização comunitária Fiji Network Plus e portador do vírus há 19 anos, sublinhou que o VIH em Fiji “não é apenas uma questão de saúde”, estando também ligado ao estigma, à pobreza, aos transportes e ao medo de ser reconhecido numa clínica de VIH, numa sociedade fijiana profundamente religiosa onde o sexo fora do casamento é geralmente tabu.

Para responder à emergência, Lalabalavu anunciou a expansão dos testes, do tratamento e do acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP), bem como a criação de um programa formal de troca de agulhas e seringas.

O ministro apelou a quem possa ter sido exposto ao vírus – por partilha de agulhas ou material de injeção, ou por relações sexuais sem preservativo – a fazer o teste sem esperar por sintomas, e pediu à população que não estigmatize, exclua ou ameace pessoas seropositivas.

A Austrália anunciou recentemente um contributo superior a 10 milhões de dólares norte-americanos para apoiar a resposta de Fiji, e o país aguarda ainda acesso ao Lenacapavir, medicamento preventivo de longa duração, através do Fundo Global.

A ONUSIDA, a Organização Mundial da Saúde e outras agências internacionais prestam também apoio técnico e financeiro.

FIM

 

 

Escrito por RafaFM

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