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Festival Literário Inicia Debates sobre Estado, Classe e Reprodução de Capital em Timor-Leste

todaySetembro 14, 2026 43

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Díli, 14 de setembro de 2026 (RAFA) — O primeiro debate do Festival Literário de 2026, realizado esta segunda-feira, abordou a relação entre Estado, classe e reprodução de capital em Timor-Leste.

O orador Yazalde Savio desafiou os participantes, sobretudo os jovens, a refletirem sobre a dinâmica da economia política do país.

O debate partiu de três questões centrais: quem controla e distribui os recursos económicos, como é que as pessoas têm acesso à riqueza e como continuam a reproduzir-se economicamente?

Segundo Yazalde, estas questões estão diretamente relacionadas com a forma como o Estado timorense controla e distribui os recursos económicos.

De acordo com o orador, Timor-Leste apresenta características de um Estado rentista, uma vez que as principais receitas nacionais estão associadas à exploração dos recursos minerais, enquanto a atividade produtiva interna e a cobrança de impostos se mantêm limitadas.

Neste contexto, defendeu que o Estado assume uma posição central na economia.

“Vivemos dos recursos minerais. Assim, o Estado torna-se o centro de controlo e distribuição. O Estado é o centro de acesso aos recursos, e isso significa também o acesso ao poder político estatal.”

Partindo desta realidade, Yazalde analisou também a forma como as elites conseguem aceder, acumular e reproduzir capital.

Recorrendo ao pensamento de Pierre Bourdieu, explicou que a estrutura de classes depende não só do capital económico, mas também do capital simbólico, cultural e social.

Neste sentido, considerou que as elites timorenses estão fragmentadas de acordo com o tipo e volume de capital que possuem.

O orador destacou, entre outros, o capital simbólico associado a um passado de resistência, o capital cultural e social adquirido através da educação e das redes sociais, e o capital económico.

Na sua análise, o acesso ao poder político pode ser decisivo para a posição que os diferentes grupos ocupam dentro da estrutura das elites.

“Quando não há acesso ao poder, este pode ruir muito rapidamente.”

Em conclusão, Yazalde defendeu que o Estado se torna um espaço de disputa entre diferentes fragmentos das elites, precisamente porque ocupa uma posição central no controlo e na distribuição dos recursos económicos.

“O Estado torna-se o centro de controlo e distribuição dos recursos económicos. Por conseguinte, o acesso ao poder político estatal torna-se uma garantia para o controlo e distribuição do capital.”

A primeira discussão do Festival Literário procurou, assim, estimular a reflexão crítica sobre a relação entre o poder político, os recursos económicos, a estrutura de classes e a reprodução do capital, colocando a realidade timorense no centro do debate.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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