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Díli, 14 de setembro de 2026 (RAFA) — O Festival Literário 2026 arrancou esta segunda-feira com um apelo do Movimento Leitura para a Transformação Social (LETRAS) para fortalecer a cultura da leitura em Timor-Leste e transformá-la num instrumento de análise, consciencialização e mudança social.
O evento, que se prolonga até 16 de setembro, reúne artistas e estudantes universitários e é apresentado pelo Movimento LETRAS como um programa estratégico para unir diferentes setores numa campanha de literacia em Timor-Leste.
Na abertura, o coordenador do Movimento LETRAS, Benito Sanches Savio afirmou que o festival representa um programa estratégico do movimento e pretende reunir diferentes pessoas para promover uma campanha de literacia no país.
“O Festival Literário é um programa estratégico do Movimento LETRAS. Unirmo-nos em prol de uma campanha de alfabetização em Timor-Leste não é o fim do que queremos, mas o início de um processo.”
Segundo o coordenador, o objetivo é continuar a promover a leitura, apesar das limitações enfrentadas pelo movimento no desenvolvimento das suas atividades.
“O nosso papel é promover a leitura. O movimento realiza estas atividades em condições limitadas, mas continuamos a esforçar-nos para fazer campanha pela literacia”.
O coordenador relacionou ainda a importância da leitura com os vários problemas sociais existentes em Timor-Leste, defendendo que a capacidade de conhecimento e análise dos cidadãos é fundamental para a compreensão da realidade do país.
“Existem vários problemas sociais no nosso país. Se não fizermos um balanço destes problemas através do conhecimento dos cidadãos, isso será um grande problema”.
Para o Movimento LETRAS, a baixa cultura de leitura é um indicador de uma crise que pode ter consequências para as gerações futuras.
“Uma baixa cultura de leitura é um indicador de que existe uma crise. Se a nossa geração não resolver estes problemas, seremos nós a ter de suportar um impacto ainda maior.”
O Movimento LETRAS defende uma conceção mais ampla da leitura, que começa pela observação e compreensão da realidade vivida pela população.
“Ler não é apenas ler livros. Ler começa com a observação: o que vemos, o que ouvimos e a observação das dificuldades das pessoas.”
Segundo o coordenador, após a observação da realidade, é necessário aprofundar a análise para compreender as razões pelas quais determinados problemas ocorrem.
“Para aprofundar a nossa compreensão de porque é que as coisas acontecem, precisamos de ler para as sistematizar.”
O movimento acredita que a leitura pode contribuir para o desenvolvimento da consciência dos cidadãos e, a partir daí, criar condições para transformar a realidade.
“Lemos, tomamos consciência; a partir da consciência, formamos a nossa percepção e podemos mudar. Lemos, sabemos, mudamos.”
Um dos criadores do Movimento LETRAS afirmou que a organização continua a existir porque os problemas que ocorrem em Timor-Leste exigem uma capacidade mais profunda de leitura e análise da realidade.
“Os problemas que ocorrem em Timor-Leste exigem uma análise cuidada para que possamos compreender as situações e o que podemos fazer em relação a elas.”
Segundo o responsável, o objetivo do LETRAS é promover uma cultura de leitura que permita aos cidadãos desenvolver a capacidade de analisar as situações do país.
“O LETRAS existe para nos apoiar, porque ler não se resume a saber ler, mas a saber transformar o nosso pensamento crítico, e não apenas a receber toda a informação.”
O Movimento LETRAS defende, por isso, que a promoção da leitura deve contribuir para a formação de cidadãos conscientes, capazes de analisar criticamente a realidade nacional.
“O LETRAS existe para promover uma cultura de leitura, para que haja consciência suficiente para analisar a situação do país.”
É neste contexto que se realiza o Festival Literária 2026, juntando artistas e estudantes universitários e apresentando-se como um espaço de promoção da leitura, do conhecimento e do pensamento crítico como instrumentos de transformação social.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Festival Literário 2026 começa com um apelo para transformar a leitura em pensamento crítico
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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