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Fernanda Lay pede rigor ao Parlamento e ao Governo na abertura da sessão legislativa

todaySetembro 15, 2026 28 4

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Díli, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – A presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, citou hoje o Padre António Vieira para pedir “mais rigor” a deputados e governantes, avisando que promessas sem obra são “tiro sem bala”, na abertura da 4ª sessão legislativa da VI legislatura.

Recordando um sermão do jesuíta português sobre a parábola do semeador, Fernanda Lay disse que “palavras sem obra são tiro sem bala: atordoam, mas não ferem”, para sublinhar que o trabalho parlamentar se mede pelo que produz e não pelo debate em si.

“Esta é uma Casa de palavras, fazemos discursos, fazemos perguntas, fazemos leis, é o nosso ofício – e é um ofício nobre”, afirmou num discurso na sessão solene, perante o Presidente da República, José Ramos-Horta, o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, e outros membros do elenco governativo.

“Mas Vieira lembra-nos que a palavra não vale pelo barulho que faz, vale pelo que semeia”, disse.

A presidente do Parlamento lembrou que, há menos de um ano, o parlamento prometeu que os próximos cinquenta anos após a independência seriam “de colheita”.

“Peço-vos uma só coisa: que essa promessa não seja um tiro sem bala”, afirmou, acrescentando que este ano não pede “só mais trabalho”, mas que pede “sobretudo, mais rigor”.

Fernanda Lay recordou ainda que Timor-Leste é hoje “o membro mais novo da ASEAN” e que essa condição implica responsabilidades acrescidas.

“Como já partilhei com os nossos estudantes: a ASEAN não é um cartão de membro que se exibe – é uma negociação diária. São prazos, são normas, são compromissos que os nossos parceiros vão verificar um a um”, disse.

“O mais novo da sala pode ser o mais jovem, mas não se pode dar ao luxo de ser o menos rigoroso”, declarou, defendendo leis “que resistam ao escrutínio” de 680 milhões de pessoas da região e, sobretudo, de “um milhão e quatrocentos mil timorenses”.

Não pede, por isso, “mais horas”, mas “melhores horas” de trabalho dos 65 deputados.

Hoje, recordou, que o parlamento conta a partir de agora com um novo edifício destinado às comissões parlamentares e aos serviços técnicos, com “novas salas, novas condições, novos meios de trabalho”.

É nas comissões, disse, “que se faz o trabalho que ninguém aplaude: ler, ouvir, comparar, corrigir, fiscalizar”.

Fernanda Lay classificou o edifício não como um prémio, mas como uma dívida contraída perante o povo: “cada parede foi paga pelo povo, e o povo, quando paga, espera retorno, porque o que recebemos temos de dar”.

Dirigindo-se ao primeiro-ministro, Xanana Gusmão, e aos restantes membros do Governo presentes na sessão, a presidente do Parlamento pediu “rigor na preparação do orçamento, e rigor na sua execução”, manifestando confiança de que o Parlamento manterá “a cooperação institucional de sempre”.

Aos deputados, Fernanda Lay pediu algo “mais difícil”: que a fiscalização orçamental vá além dos números de execução.

“Fiscalizar o orçamento não é conferir percentagens. A fiscalização do orçamento não é uma operação de calculadora”, afirmou, sublinhando que “uma execução de 40 por cento pode ser melhor dinheiro público gasto do que uma execução de 90 por cento – e uma execução de 90 por cento pode ser dinheiro que saiu dos cofres sem melhorar a vida de ninguém”.

“Nenhuma taxa nos dispensa das perguntas: cada dólar gasto em nome do povo teve consequências benéficas na vida do povo? A estrada chegou ao suco? O centro de saúde tem medicamentos? A escola tem professor?”, questionou.

“A calculadora diz-nos quanto se gastou, mas é o povo que nos diz se valeu a pena”, concluiu sobre este ponto.

A presidente do Parlamento pediu ainda aos deputados que “ouçam a sociedade, ouçam o povo, não por cortesia, mas por dever”.

“É para eles que todos nós trabalhamos, é a eles que devemos contas”, afirmou, recordando que “quem legisla de costas para o povo faz leis que existem no Jornal da República e em mais lado nenhum”, considerou.

“Ao contrário do que muitos pensam, nós não fomos eleitos para fazer leis, fomos eleitos para mudar vidas, e uma lei que o povo não sente é uma lei que o povo não tem”, declarou, defendendo “leis com substância, leis que o pescador reconheça na sua rede, que o agricultor reconheça na sua terra, que o jovem reconheça no seu primeiro emprego”.

Fernanda Lay terminou o discurso a fechar o ciclo da citação inicial de Vieira.

“Vieira perguntava porque é que tanta palavra dava tão pouco fruto. Daqui a um ano, quando esta sessão terminar, o povo vai fazer-nos a mesma pergunta”, disse.

“Não nos vai perguntar quantas leis aprovámos, nem quantas horas debatemos, nem que percentagem do orçamento foi executada. Vai perguntar-nos o que mudou. Não há discurso, não há desculpas, só a obra responde. Temos os meios. Temos o mandato. Comecemos este ano como redobrada vontade!”, concluiu.

Jornalista: António Sampaio

 

 

Escrito por RafaFM

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