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FAO alerta para risco de seca agrícola em Timor-Leste com chegada do El Niño

todayJunho 17, 2026 26

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Díli, 17 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) identificou Timor-Leste entre as zonas de maior risco agrícola do Sudeste Asiático à medida que o fenómeno El Niño se desenvolve no Pacífico tropical.

A análise, divulgada recentemente, indica que há uma probabilidade superior a 50% de seca nas culturas nos próximos meses, o que terá impacto direto sobre a segurança alimentar do país.

Numa análise publicada a 9 de junho, a FAO recorreu a 41 anos de imagens de satélite do seu Sistema de Índice de Stress Agrícola para cartografar as zonas onde eventos anteriores de El Niño forte causaram as secas mais severas.

As conclusões apontam para uma elevada probabilidade de seca agrícola em zonas produtoras críticas, coincidindo com previsões de precipitação abaixo da média para os meses seguintes.

No continente Asiático, o risco estende-se desde o Paquistão e a Índia até à Birmânia, Tailândia, Cambodja e Vietname, e mais a leste até às Filipinas, Indonésia e Timor-Leste.

A região é particularmente vulnerável: durante o El Niño de 2015-2016, o Sudeste Asiático registou perdas de cerca de 15 milhões de toneladas de arroz, pressionando os preços e aumentando a dependência de países importadores líquidos.

Timor-Leste, que depende em larga medida de agricultura de sequeiro e de importações de alimentos, já pagou um preço elevado em ciclos anteriores.

Durante o El Niño de 2023-2024, cerca de 360.000 pessoas – 27% da população – enfrentaram insegurança alimentar aguda, segundo dados do sistema IPC das Nações Unidas, com 19.000 em situação de emergência.

A Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (ESCAP) sublinhou que em países como a Indonésia, Malásia, Filipinas e Timor-Leste, eventos fortes de El Niño trouxeram repetidamente seca, incêndios florestais, perdas agrícolas e stress hídrico.

A ESCAP alertou ainda que os riscos deste ano se desenvolvem num contexto mais complexo, com menor margem orçamental dos governos e incerteza económica global persistente.

“Isto não é como os El Niños anteriores. O planeta está muito mais quente hoje, e com conflitos e insegurança alimentar generalizados, este fenómeno vai atingir mais duramente os lugares que já são vulneráveis e têm capacidade de resposta limitada”, afirmou Jorge Alvar-Beltrán, técnico de recursos naturais da FAO.

A FAO defendeu que a precisão das previsões atuais – que em algumas áreas chegam à escala de um quilómetro quadrado – abre uma janela de acção preventiva.

“Este nível de detalhe muda o que um governo pode fazer. Em vez de dispersar recursos, pode concentrar o apoio nos pontos críticos, dirigindo transferências monetárias, apoio à água e irrigação, alimentação para o gado e outros recursos essenciais para os lugares de maior risco”, afirmou Riccardo Soldan, também técnico de recursos naturais da FAO.

A análise demonstrou que agir antes das perdas se instalarem pode ser eficaz: na África Austral, antes do El Niño de 2023-2024, uma intervenção regional pré-época dirigiu quase 31 milhões de dólares a mais de dois milhões de pessoas em sete países, fornecendo sementes, apoio pecuário e melhores sistemas de alerta precoce.

A OMM confirmou a 2 de junho uma probabilidade de 80% de condições de El Niño entre junho e agosto, aumentando para 90% no período setembro-dezembro.

Os modelos climáticos preveem que o evento seja pelo menos moderado, com possibilidade de ser forte, o que poderia empurrar as temperaturas globais para novos recordes no final de 2026 e em 2027.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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