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Ex-chefe do PMA: “Sem segurança alimentar não há paz” e Timor-Leste precisa agir contra desnutrição

todayAgosto 25, 2026 25

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Díli, 25 de agosto de 2026 (RAFA) – O ex-Diretor Executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU,  David Beasley, alertou esta segunda-feira que a fome é a principal porta de entrada para o conflito e a instabilidade.

Num painel de debate da Cimeira da Ciência para o Desenvolvimento, que decorreu no Secretariado do g7+ em Díli, David Beasley destacou a ligação entre fome, conflito e estabilidade.

No âmbito do tema “Combating Hunger and Promoting Peace in Fragile and Conflict-Affected Countries”, Beasley disse que Timor-Leste fez progressos, mas que os índices de desnutrição infantil no país ainda são “inaceitáveis”.

O ex-chefe do PMA esteve reunido com o Primeiro-Ministro e o Presidente da República e elogiou o compromisso de Timor-Leste com o g7+, grupo de países frágeis e afetados por conflito que tem sede em Díli.

“A vossa dedicação ao g7+ é realmente notável e encoraja-me”, afirmou, referindo que em muitos locais “a fome é usada como arma de guerra”.

Com base na experiência à frente do PAM, onde assistia cerca de 160 milhões de pessoas por dia, Beasley disse que viu de perto como grupos extremistas usam a comida para recrutar.

“Vi ISIS, Boko Haram, Al-Shabaab, Taliban, Houthis usarem a comida como arma de guerra. Bloqueiam comida e recrutam com comida. Isso gera desestabilização e cria uma sociedade frágil. Já vi nações caírem por causa disso”, declarou.

Beasley contou conversas com mães no Níger, Mali e Chade: “O meu marido ou o meu filho não queria entrar para o ISIS ou Al-Qaeda, mas não alimentamos a nossa filha há duas semanas. O que devemos fazer?”.

Para Beasley, a solução passa por garantir segurança alimentar.

“Quando tem segurança alimentar, tem um maior grau de paz”.

O ex-chefe do PMA, agência que recebeu o Nobel da Paz em 2020 por usar “a comida como arma de paz”, defendeu que Timor-Leste precisa ir além da distribuição de alimentos.

“É bom, mas não é bom o suficiente. Há mais trabalho a ser feito”, disse ao citar dados de desnutrição em crianças menores de 5 anos.

“Se não resolverem isso, o PIB e a a economia da nação serão impactados de forma dinâmica. E a população fica vulnerável à política e a outras coisas que podem levar a vossa sociedade ao caos”, afirmou.

Entre as soluções apresentadas no painel, citou: reservatórios e pequenas barragens para evitar cheias e guardar água para a seca, sistemas de irrigação, sementes desenvolvidas com IA que precisam de menos água e fertilizantes, e redução do desperdício do campo até o mercado.

“Podemos alimentar um sírio na Síria por 50 centavos por dia. Se ele chegar a Berlim custa 70 euros por dia. 140 vezes mais caro. É por isso que precisamos atacar a causa raiz com programas de resiliência e sustentabilidade”, explicou.

Beasley sugeriu ainda que receitas de petróleo e gás sejam investidas nesse tipo de infraestrutura.

“É muito mais barato e muito mais saudável quando fazemos as coisas bem”; vincou.

Jornalista: Mateus Romário

 

Escrito por RafaFM

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