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EUA revogam visto da embaixadora do Brasil em nova escalada da crise diplomática com o governo de Lula da Silva

todayAgosto 6, 2026 23

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Washington, 6 de agosto de 2026 (RAFA) – Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, numa medida que a Casa Branca classificou como recíproca à recusa de Brasília em aprovar o embaixador indicado por Donald Trump.

Um responsável do Departamento de Estado, citado sob anonimato pela agência AP, confirmou a decisão na terça-feira, sublinhando que “a reciprocidade é o nome do jogo”.

A mesma fonte precisou que a medida não equivale à expulsão da diplomata: “revogar o visto de um diplomata aqui não é o mesmo que expulsar essa pessoa do país”, disse.

Washington justificou a decisão com dois factos: a recusa brasileira, no mês passado, em conceder vistos a dois responsáveis do gabinete de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado que pretendiam visitar o Brasil antes das eleições de outubro; e o adiamento, por parte de Brasília, da aprovação diplomática (agrément) de Daniel Perez, antigo presidente da Câmara de Representantes da Florida indicado por Trump para embaixador dos EUA no Brasil.

Segundo o Departamento de Estado, Perez foi indicado em junho, mas ainda aguarda confirmação do Senado norte-americano.

Fontes brasileiras citadas pela imprensa internacional consideram que a nomeação pública de Perez, antes de qualquer contacto prévio com Brasília, constituiu uma violação do protocolo diplomático – razão pela qual o governo brasileiro decidiu escrutinar a indicação antes de a validar. Sem essa aprovação, Perez não pode assumir funções na capital brasileira.

Um responsável norte-americano indicou ainda que Brasília sinalizou que a aprovação só deverá ocorrer depois das eleições de 4 de outubro, nas quais Lula da Silva enfrenta o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro.

O governo brasileiro reagiu na terça-feira, afirmando “repudiar” a decisão norte-americana e classificando “ambas as justificações” apresentadas por Washington como “falsas”.

Num comunicado da Presidência, Brasília descreveu a medida como parte de “uma escalada deliberada de ações hostis contra o Brasil, motivada por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral sempre pautada pelo respeito mútuo”.

A Presidência brasileira recordou ainda estarem em vigor sanções individuais contra responsáveis brasileiros, nomeadamente a revogação de vistos “com base na alegação infundada de perseguição política” contra o ex-Presidente Bolsonaro, medidas que afetam juízes do Supremo Tribunal Federal e altos quadros do executivo.

A revogação do visto de Viotti surge num contexto de deterioração continuada das relações bilaterais.

Segundo dados citados pela imprensa brasileira e norte-americana, pelo menos 16 responsáveis brasileiros terão sido alvo de revogação de visto norte-americano ao longo do último ano.

Entre os casos mais recentes, o Presidente Lula da Silva anunciou que o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, foi também privado do visto para os EUA, medida que classificou como “irresponsável”.

“Não somos favoráveis a sermos tratados como subordinados”, declarou Lula perante o Conselho de Ministros, reafirmando disponibilidade para negociar “em condições de igualdade”.

Washington já tinha revogado, em julho do ano passado, os vistos de sete juízes do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, e aplicado sanções ao abrigo da Lei Global Magnitsky contra o juiz Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Em setembro, as sanções foram alargadas à mulher de Moraes.

A crise diplomática tem paralelo numa disputa comercial: em vigor desde sexta-feira, uma sobretaxa aduaneira de até 37,5% sobre milhares de produtos brasileiros junta-se à tarifa de 50% decretada em julho do ano passado, que a Casa Branca associou diretamente ao julgamento de Bolsonaro.

Washington alega ainda concorrência desleal e falhas no combate ao trabalho forçado por parte do Brasil – acusações que o governo Lula rejeita, classificando-as como tentativa de influenciar as eleições de outubro a favor de Flávio Bolsonaro.

FIM

 

 

Escrito por RafaFM

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