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Teerão, 11 de Junho de 2026 (RAFA.TL) – Os Estados Unidos atacou hoje “múltiplos alvos” no Irão, no segundo dia consecutivo de bombardeamentos, depois de Teerão ter ameaçado retaliar contra o Bahrain, que ativou as suas sirenes de alerta antimíssil durante a madrugada e pediu à população que procurasse abrigo.
Segundo a agência AP, a Guarda Revolucionária iraniana tinha ameaçado atacar o Bahrain em resposta aos ataques norte-americanos.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou, em comunicado nas redes sociais, que as forças militares estavam a atingir alvos no Irão “em resposta à agressão injustificada e contínua do Irão”.
O segundo dia de ataques norte-americanos surge poucas horas depois de Bahrain, Kuwait e Jordânia – todos com tropas norte-americanas no terreno – terem sido alvo de fogo iraniano.
Foi a terceira vez esta semana que uma troca de ataques pôs à prova um cessar-fogo de dois meses, um dia depois de os EUA terem atacado o Irão na sequência da queda de um helicóptero do Exército norte-americano perto do Estreito de Ormuz, da qual o Presidente Donald Trump responsabilizou Teerão.
Trump tinha instado o Irão a assinar um acordo para terminar a guerra, sugerindo no início da semana que um entendimento poderia ser alcançado em poucos dias.
Na quarta-feira, numa publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o Irão estava a demorar demasiado tempo a negociar um acordo e que “agora terão de pagar o preço”.
Meios de comunicação iranianos relataram explosões em Bandar Abbas, Sirik e Minab, no sul do país.
Segundo Teerão, ataques norte-americanos atingiram dois reservatórios de água na cidade de Sirik, cortando temporariamente o abastecimento a milhares de pessoas – informação sobre a qual o CENTCOM não teceu comentários imediatos.
O Irão, apesar de semanas de bombardeamentos intensos, mantém-se resiliente, apostando na capacidade de fechar o Estreito de Ormuz – passagem crucial para o petróleo e o gás natural – como principal trunfo negocial.
O CENTCOM rejeitou as alegações iranianas de que o estreito está encerrado, garantindo que os navios comerciais continuam a transitar.
O embaixador do Irão junto das Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, disse ao Conselho de Segurança da ONU que o Irão “nunca negociou sob ameaças e pressão e nunca se submeterá a pressões ou intimidações”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, condenou os ataques norte-americanos como uma violação da soberania iraniana, e o porta-voz do Ministério, Esmail Baghaei, afirmou que, na sequência dos novos ataques, o Irão irá rever a sua posição quanto às negociações para terminar a guerra.
Apesar das tensões, ambos os países parecem procurar uma forma de pôr fim ao conflito.
Uma delegação do Qatar chegou a Teerão na quarta-feira para conversações, na sequência de consultas com os EUA, segundo um responsável que falou sob anonimato devido à sensibilidade do processo.
Trump afirmou na quarta-feira que as forças armadas norte-americanas têm levado a cabo, desde o mês passado, uma “missão secreta” para fazer transitar carregamentos de petróleo pelo Estreito de Ormuz, contornando as forças iranianas.
Segundo o Presidente, os navios passam durante a noite, com o auxílio da destruição de equipamento de radar iraniano, permitindo que mais de 100 milhões de barris de petróleo escapassem ao bloqueio de Teerão – uma cifra equivalente a cerca de cinco dias de transporte de petróleo pelo estreito antes do início da guerra, e que não foi imediatamente confirmada.
O papel das forças armadas no esquema não ficou claro; o porta-voz do CENTCOM, capitão Tim Hawkins, disse apenas que as forças norte-americanas “comunicam e coordenam” com os navios comerciais na zona.
Ainda na quarta-feira, os EUA tinham disparado “munições de precisão” contra a casa das máquinas do navio M/T Settebello, de bandeira do Palau, quando este tentava furar o bloqueio naval com um carregamento de petróleo iraniano – o oitavo navio mercante incapacitado pelas forças norte-americanas nas águas ao largo do Irão.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia disse que três marinheiros indianos estavam desaparecidos após o ataque ao Settebello, tendo outros 21 sido resgatados; o comunicado indiano não fez referência às forças dos EUA ou ao bloqueio. Segundo Hawkins, as forças norte-americanas avisaram a tripulação antes de disparar.
A Jordânia afirmou ter abatido cinco mísseis dirigidos a uma base aérea que acolhe aviões militares norte-americanos, enquanto o Bahrain e o Kuwait disseram ter intercetado fogo dirigido aos seus territórios.
Desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra com ataques ao Irão em 28 de Fevereiro, o conflito tem abalado a economia global, fazendo disparar os preços da energia e encarecendo bens alimentares e outros produtos de primeira necessidade.
O petróleo bruto, no mercado de referência internacional, foi transacionado acima dos 93 dólares por barril na quarta-feira, uma subida superior a 25% desde o início da guerra.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, mantém-se determinado em prosseguir objetivos que dificultam um acordo: o colapso do governo teocrático do Irão, a eliminação do seu programa nuclear e a destruição do movimento Hezbollah, aliado de Teerão no Líbano.
Na segunda-feira, Irão e Israel atingiram-se mutuamente. O Irão tem insistido que qualquer acordo para pôr fim à guerra deve incluir também o fim dos combates entre o Hezbollah e Israel; em vez disso, Israel intensificou a sua campanha militar contra o grupo.
Um ataque aéreo a uma localidade a leste de Tiro matou pelo menos seis pessoas, segundo a agência noticiosa estatal libanesa NNA, que noticiou ainda a morte de outras duas pessoas num ataque de um drone israelita contra um automóvel na cidade de Sídon, no sul do Líbano.
Receoso da subida dos preços dos combustíveis a poucos meses das eleições legislativas de novembro nos EUA, Trump procura aparentemente uma resolução rápida, mas mantém exigências difíceis de aceitar para Teerão.
Washington quer que o Irão abdique do seu estoque de urânio altamente enriquecido – que, apesar de Teerão insistir na natureza pacífica do programa nuclear, está a um pequeno passo técnico do nível necessário para armas nucleares.
O Irão recusa-se a abdicar do urânio e exige o levantamento de sanções, bem como o desbloqueio de ativos congelados ainda antes de um acordo final, uma exigência rejeitada por Trump.
FIM
Escrito por RafaFM
EUA lançam segundo dia de ataques contra o Irão; Bahrain activa sirenes antimíssil
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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