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EUA, Dinamarca e Gronelândia assinam acordo para reforçar segurança no Ártico

todaySetembro 23, 2026 9 9 5

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Nações Unidas, 23 de setembro de 2026 (RAFA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou esta terça-feira um acordo com a Dinamarca e a Gronelândia para reforçar a segurança no Ártico e no Atlântico Norte, abrindo caminho a mais bases militares norte-americanas na ilha.

A assinatura, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, surge dias depois de Trump ter anunciado o acordo para reforçar a presença militar dos EUA na Gronelândia, mantendo-a sob soberania dinamarquesa.

O entendimento continuará em vigor mesmo que a Gronelândia opte, no futuro, pela independência.

“Isto é extraordinário para a Europa, para os Estados Unidos e para todos”, declarou Trump antes da assinatura, acrescentando que “para a Gronelândia vai ser incrível”.

O presidente não respondeu a perguntas sobre se a hipótese de aquisição do território pelos EUA continua em cima da mesa.

Trump manifesta interesse em adquirir a Gronelândia desde 2019 e, já no atual mandato, chegou a ameaçar tomar o território à força à Dinamarca, aliada da NATO.

Responsáveis dos três países negociaram durante meses para responder às preocupações de segurança de Trump sobre a ilha, rica em recursos minerais.

As pretensões de Trump chegaram a tensionar as relações dentro da NATO, com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, a avisar que uma tomada norte-americana da Gronelândia equivaleria ao fim da aliança atlântica. A crise inquietou os cerca de 56 mil habitantes da ilha e afastou os EUA da Dinamarca e dos seus parceiros da União Europeia, que reforçaram exercícios de segurança e apoio financeiro ao território.

A presença militar dos EUA na Gronelândia diminuiu de milhares de soldados em 17 bases, no pós-guerra, para cerca de 200 militares hoje, concentrados na base espacial de Pituffik, no noroeste da ilha, que apoia operações de vigilância espacial e defesa antimísseis dos EUA e da NATO.

No discurso à Assembleia Geral, antes da assinatura, Trump disse que os EUA vão “começar imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar” na Gronelândia, incluindo “a construção de duas grandes bases militares”.

O texto do acordo, divulgado pelos três governos após a assinatura, permite a Washington “modernizar e expandir” as suas atividades em Pituffik e estabelecer “áreas de defesa” em Narsarsuaq, no sul, e Mestersvig, no leste, com possibilidade de criar outras no futuro.

Os contratos de bens e serviços relacionados com essas bases deverão ser atribuídos, “na máxima medida possível”, a fontes gronelandesas.

O acordo prevê ainda ampla mobilidade militar dos EUA no território gronelandês, incluindo “acesso submarino”, e abre a porta à instalação do sistema de defesa antimísseis “Golden Dome”, ainda sem decisões específicas, segundo Frederiksen.

Nenhum país fora da NATO poderá instalar bases militares próprias ou manter presença militar “persistente” na Gronelândia sem o consentimento das partes.

O texto “não tem data de fim” e, caso a Gronelândia opte pela independência, o território compromete-se a manter-se na NATO e a assumir os direitos e obrigações da Dinamarca ao abrigo do acordo.

Frederiksen classificou o entendimento como “um acordo que pode durar para sempre”, benéfico para os EUA, a Gronelândia, a Dinamarca e toda a aliança atlântica. “Presidente, o senhor tem sido muito claro: não quer adversários demasiado próximos. Concordo inteiramente”, disse.

O primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen, descreveu o acordo como “um ganho para todos”, acrescentando: “A vossa segurança é a nossa segurança, e a nossa segurança é a vossa segurança.”

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, saudou a assinatura, escrevendo na rede X que o acordo “reforça a nossa segurança coletiva e apoia um futuro mais seguro e estável para todos”.

Nem todos esquecem, porém, a tensão dos últimos meses.

“Muita confiança foi posta à prova”, disse à Associated Press Naaja Nathanielsen, deputada gronelandesa no parlamento dinamarquês, descrevendo um período de medo generalizado na Gronelândia quanto ao futuro do país. Ainda assim, considerou o acordo “um passo enorme na direção certa” e o primeiro tratado vinculativo alguma vez assinado pela Gronelândia como país, sublinhando o seu significado para a busca de maior autonomia.

Frederiksen encerrou a conferência de imprensa com um tom mais descontraído: “Acho que vamos sair e beber uma cerveja gelada.”

Também a Letónia reagiu com alívio. O presidente letão, Edgars Rinkevics, disse aos jornalistas em Nova Iorque que o anúncio é “muito positivo”, esperando que a questão fique agora encerrada, já que a disputa “não era nada confortável” entre “bons amigos e aliados”.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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