Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Washington, 18 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A administração Trump anunciou esta semana uma nova injeção de mais de mil milhões de dólares em ajuda humanitária a duas agências das Nações Unidas.
O apoio, que vai ser canalizado para a UNICEF e para o PAM surge como um sinal aparentemente contraditório com a postura de confronto que Washington tem adotado em relação ao sistema multilateral desde o início do segundo mandato presidencial.
A verba distribui-se em mais de 218 milhões de dólares para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e mais de 800 milhões de dólares para o Programa Alimentar Mundial (PAM), através de novos “macro-prémios globais” que cobrem apoio de emergência a mais de 40 países.
O Departamento de Estado descreveu este anúncio como o segundo e terceiro de uma série de atribuições globais a organizações consideradas de confiança e devidamente avaliadas, que se inserem diretamente na aplicação do Memorando de Entendimento de “Reposicionamento Humanitário” assinado em dezembro de 2025 com o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).
O contexto de fundo é, contudo, complexo.
Em 2025, o financiamento humanitário norte-americano às Nações Unidas caiu para cerca de 3,38 mil milhões de dólares, face aos 14,1 mil milhões de dólares do ano anterior, após os cortes de despesa ordenados por Trump.
O PAM é o maior doador individual do programa, mas a sua contribuição norte-americana mais do que reduziu para metade entre 2024 e 2025, caindo para cerca de dois mil milhões de dólares.
Recorde-se que, em janeiro de 2026, Trump assinou uma ordem executiva a retirar financiamento norte-americano a 66 organizações internacionais, incluindo 31 agências das Nações Unidas, invocando diferenças políticas e uma renovada prioridade às necessidades internas.
O novo financiamento segue a lógica da chamada “hiper-priorização” – uma abordagem que concentra a ajuda humanitária nas situações de maior gravidade e exige padrões de desempenho mensuráveis.
Segundo o Departamento de Estado, em apenas quatro meses a OCHA desembolsou 88 por cento dos recursos disponíveis diretamente no terreno, atingindo um prazo médio de sete dias por atribuição de verba, várias vezes superior ao ritmo histórico da USAID e o dobro do recorde anterior da própria OCHA.
Os fundos destinam-se a apoio multissectorial nas áreas de alimentação, nutrição, saúde, proteção da criança, logística e água e saneamento, em países com necessidades humanitárias significativas, incluindo a Etiópia, a Birmânia e a Ucrânia.
O anúncio surge precisamente após a cimeira do G7 em França, onde os líderes europeus pressionaram Washington para manter um apoio robusto a Kiev, enquanto a Rússia prossegue a guerra na Ucrânia.
A tendência que se consolida no Departamento de Estado é a de menos parceiros, mas com verbas maiores.
Analistas citados pela publicação especializada Devex reconhecem que a abordagem pode acelerar respostas e dar maior flexibilidade às organizações parceiras, mas questionam se a redução drástica de financiamento total e a ausência de presença norte-americana no terreno não comprometem os resultados finais.
O PAM está atualmente sob liderança interina, enquanto os EUA procuram colocar um novo diretor-executivo americano à frente da agência, após a demissão de Cindy McCain por razões de saúde.
Com esta nova tranche, o total de financiamento humanitário norte-americano às Nações Unidas no corrente ciclo – contando a verba anterior de 3,8 mil milhões de dólares à OCHA – ultrapassa os cinco mil milhões de dólares, num quadro em que Washington continua simultaneamente a reter quotizações de membro e a pressionar por reformas estruturais do sistema multilateral.
FIM
Escrito por RafaFM
EUA anunciam mais de mil milhões de dólares para UNICEF e PAM em nova tranche humanitária
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt