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Díli, 16 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Contra 99% de probabilidade de derrota, Manuel Garcia apresenta o 1% de fé.
É assim que o assessor jurídico cabo-verdiano, residente em Timor-Leste há três anos, resume o sentimento da sua comunidade na estreia de Cabo Verde num Campeonato do Mundo – frente à Espanha, campeã europeia em título, em Atlanta.
“Segundo as estatísticas, nós temos 1% de hipóteses, e os outros 99% têm que ser da fé”, disse Garcia, em entrevista à NTV, reconhecendo sem hesitar o abismo de recursos entre as duas seleções.
“Temos que ter os pés bem assentes na terra, porque temos a noção do poderio futebolístico de Espanha.”
Ainda assim, Garcia recusa o pessimismo.
Para o jurista, defrontar uma potência como a Espanha na estreia mundial é, paradoxalmente, uma oportunidade.
“Cabo Verde não poderia ter maior sorte do que ter Espanha como o país contra quem vai estrear no Mundial. Isso vai ajudar a expor mais o nosso futebol, o nosso país.”
A presença cabo-verdiana no torneio tem, segundo Garcia, um significado que ultrapassa o desportivo. “Nós, Brasil e Portugal, estamos a representar a CPLP”, sublinhou, colocando Cabo Verde ao lado dos dois países lusófonos de referência no futebol mundial.
Em Timor-Leste, Garcia diz sentir o apoio da comunidade local.
“No trabalho, os colegas estão sempre a dizer que Cabo Verde vai jogar e estão com Cabo Verde. Aqui em Timor, todo mundo está connosco neste jogo”, afirmou.
Referiu ainda com satisfação a declaração de apoio pública do Presidente da República, José Ramos-Horta, à seleção cabo-verdiana – notícia que, garantiu, chegou também a Cabo Verde. “Agradecemos imenso esse apoio.”
Quanto ao resultado, Garcia é cauteloso, mas determinado.
“Não vou arriscar dizer uma reviravolta, mas acredito piamente que os rapazes vão dar tudo por tudo para sairmos com a cabeça levantada.”
A NTV/ETO Telco detém os direitos de transmissão do Mundial 2026 para Timor-Leste.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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