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Especialistas defendem mobilização nacional para travar a desflorestação e proteger a biodiversidade em Timor-Leste

todayAgosto 6, 2026 26 5

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Díli, 6 de agosto de 2026 (RAFA) – A perda anual de hectares de floresta, a crescente ameaça à biodiversidade e a necessidade de envolver toda a sociedade na proteção dos recursos naturais foram os temas centrais do painel de discussão de quinta-feira sobre “Proteção das Florestas e da Vida Selvagem”.

Durante o debate, representantes do Governo, das organizações ambientais e das comunidades defenderam que a conservação florestal é essencial para garantir os recursos hídricos, fortalecer a agricultura, assegurar a segurança alimentar e promover o desenvolvimento sustentável de Timor-Leste.

Durante o debate, integrado no Seminário sobre Economia Verde, Ambiente e Reciclagem, o Secretário de Estado das Florestas, Fernandino Vieira, alertou que, apesar de aproximadamente 50% do território nacional ainda estar coberto por florestas, Timor-Leste continua a perder cerca de 14 mil hectares por ano devido à degradação ambiental.

“Produzimos cerca de um milhão de plantas por ano, mas ainda perdemos aproximadamente 14 mil hectares de floresta. Precisamos de transformar planos em ações concretas para travar esta degradação”, afirmou.

Segundo o representante, o IX Governo está a reforçar os programas de reflorestação, os viveiros florestais permanentes, a gestão florestal comunitária e a construção de poços de infiltração para conservar a água da chuva, reduzir o risco de seca e fortalecer a economia verde.

Fernandino Vieira defendeu ainda que a proteção florestal deve ser entendida como uma prioridade nacional, sublinhando que muitos desastres naturais resultam da degradação provocada pela ação humana e apelando a uma maior harmonia entre as comunidades e a natureza.

O Embaixador da Boa Vontade, Ego Lemos, centrou a sua intervenção na importância da participação juvenil e da proteção da vida selvagem, revelando que a PERMATIL (Permakultura Timor Lorosa’e) já formou cerca de nove mil jovens em práticas de conservação ambiental e agricultura sustentável, monitorizando a aplicação do conhecimento nas comunidades.

Ego Lemos destacou ainda que um acampamento internacional promovido pela organização no ano passado reuniu cerca de 800 participantes contribuindo para a recuperação de mais de 800 nascentes de água em Timor-Leste.

“Os animais selvagens trabalham 24 horas por dia para regenerar as nossas florestas. Somos nós que os ameaçamos com a caça. É tempo de mudarmos a nossa atitude e protegê-los”, afirmou.

A representante do programa Ho Musan Ida, Leopoldina Guterres, defendeu que o sucesso da reflorestação depende da participação direta das comunidades.

A mesma explicou que o programa incentiva os agricultores a plantar árvores nas suas próprias terras, tornando-os responsáveis ​​pela sua manutenção, uma estratégia que aumentou a taxa de sobrevivência das plantações.

Leopoldina alertou ainda que muitas campanhas de reflorestação falham porque as árvores são plantadas, mas não recebem os cuidados necessários, defendendo uma maior responsabilidade da comunidade na conservação ambiental.

Aniceto Laloran, representante da comunidade, afirmou que cultiva aproximadamente 13 mil árvores anualmente por iniciativa própria, com o apoio da sua família, considerando a recuperação de áreas degradadas um investimento no futuro do país.

No final da sua apresentação, incentivou os alunos a regressarem às suas aldeias após a conclusão dos estudos e a contribuírem para o desenvolvimento das comunidades rurais.

Concluindo o painel, os participantes concordaram que a proteção das florestas e da vida selvagem não pode depender exclusivamente do governo, defendendo um compromisso coletivo entre o Estado, as comunidades, o setor privado, as escolas e a juventude para preservar os recursos naturais e garantir um futuro sustentável para Timor-Leste.

Jornalista: Miguel Caldas

Escrito por RafaFM

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