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Ermera concentra quase metade da área de baunilha cultivada em Timor-Leste, mas potencial nacional está longe de ser aproveitado, revela estudo da OIT

todaySetembro 15, 2026 72 13

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Díli, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – Ermera concentra 290 dos 594 hectares de baunilha atualmente cultivados em Timor-Leste – quase metade do total nacional -, mas o país está a aproveitar apenas uma fração ínfima do seu potencial teórico de cultivo, segundo um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com o levantamento por município, feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária, Pesca e Florestas (MAPPF) e incluído no relatório “Desenvolvimento do roteiro da cadeia de valor da baunilha de Timor-Leste”, a área com potencial para cultivo de baunilha em todo o país ascende a 2.680 hectares – mais de quatro vezes a área efetivamente ocupada pela cultura.

Os números confirmam Ermera como o principal polo produtor: com 1.343 hectares de potencial identificado, o município já tem 272 hectares cultivados de forma independente por agricultores, mais 18 hectares resultantes de programas de expansão do Governo, totalizando 290 hectares – equivalentes a 49% de toda a área de baunilha do país.

Em 2025, Ermera produziu 3,01 toneladas, também a maior fatia da produção nacional de 6 toneladas.

Aileu surge em segundo lugar em área cultivada, com 73 hectares no total (45 hectares por iniciativa própria dos agricultores e 28 hectares através de programas de expansão), com uma produção de 0,5 toneladas e um potencial teórico de 222 hectares.

Segue-se Manufahi, com 47 hectares (42 cultivados por iniciativa própria e 5 através de expansão) e uma produção de 0,47 toneladas, depois Manatuto (40 hectares, 0,44 toneladas), Bobonaro e Lautém (30 hectares cada, 0,33 toneladas cada), e Liquiçá (28 hectares, 0,31 toneladas).

Com áreas mais modestas encontram-se Covalima (23 hectares, 0,25 toneladas), Ainaro (19 hectares, 0,21 toneladas), Baucau (6 hectares, 0,07 toneladas), Oécusse (5 hectares, 0,06 toneladas) e Viqueque (2 hectares cultivados por iniciativa própria, mais 0,5 hectares em expansão, totalizando 3 hectares, para uma produção de 0,02 toneladas).

Díli é o único município sem qualquer área de cultivo registada.

O relatório assinala ainda que, do total de 594 hectares cultivados em todo o país, apenas 51,5 hectares resultam de programas de expansão governamentais para o período 2017-2025 – o que significa que a esmagadora maioria da área de baunilha em Timor-Leste (542 hectares) foi plantada por iniciativa dos próprios agricultores, sem apoio direto do Estado.

O Censo Agrícola de Timor-Leste de 2019, citado no estudo, refere que à data existiam cerca de 1.200 agricultores de baunilha em todo o país, a maioria classificados como pequenos produtores com áreas de cultivo inferiores a 0,5 hectares por exploração.

Para a generalidade destes agricultores, a baunilha é uma cultura secundária, usada para complementar o rendimento obtido principalmente através do café ou do cravinho.

O relatório mapeia ainda as ocupações e níveis de competências ao longo de toda a cadeia de valor, com base na Classificação Internacional Uniforme de Ocupações (ISCO-08) da própria OIT. Os agricultores de base desempenham sobretudo tarefas de nível de competência 1 e 2 – plantação, polinização, adubação orgânica e colheita -, enquanto os processadores empregam quadros de nível 3, incluindo gestores de produção, compradores e supervisores fabris.

Os motoristas de motociclos e viaturas ligeiras, essenciais para o transporte da produção entre aldeias e centros de compra, surgem classificados no nível 3 de competências.

Um dos elementos mais relevantes do estudo é a proposta de replicar, no setor da baunilha, um modelo de financiamento já testado com sucesso no café timorense.

Segundo o relatório, a Cooperativa Comercio Agrícola de Timor estabeleceu parcerias com a multinacional Olam e com a organização neozelandesa Oxfam New Zealand para obter apoio financeiro e técnico destinado à certificação biológica e Fair Trade (Comércio Justo) da sua produção.

Enquanto a Olam concedeu um empréstimo, a Oxfam New Zealand prestou apoio técnico para que a cooperativa alcançasse a certificação Fair Trade.

Atualmente, Timor-Leste não dispõe de qualquer mecanismo de financiamento dedicado a apoiar os agricultores de baunilha na obtenção de certificações voluntárias de sustentabilidade – como Rainforest Alliance, Fairtrade, ECOCERT Orgânico ou a União para o Comércio Biológico Ético (UEBT) -, o que a OIT identifica como uma barreira significativa à adoção destas certificações, sobretudo entre pequenos produtores.

O estudo sublinha que, caso a baunilha certificada venha a beneficiar de um preço premium no mercado internacional, replicar este modelo de financiamento colaborativo com compradores globais do setor e outras instituições doadoras poderia reduzir os custos de certificação, melhorar o acesso dos agricultores timorenses a mercados premium e reforçar a competitividade internacional do setor.

É de notar que, apesar de a produção de baunilha em Timor-Leste já ter obtido certificação biológica através da CCT, o estudo confirma que este selo não se traduz, para já, em qualquer preço premium efetivo no mercado – um dos principais argumentos a favor de se investir num mecanismo de apoio à certificação mais alargado.

Jornalista: António Sampaio

 

Escrito por RafaFM

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