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Encontrado morto homem ligado a ex-procurador anticorrupção da Indonésia, atualmente detido

todayJulho 30, 2026 68

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Jacarta, 30 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Um homem que geria a casa do antigo procurador anticorrupção indonésio Febrie Adriansyah foi encontrado morto numa clínica abandonada em Jacarta, na véspera da detenção do ex-procurador por branqueamento de capitais.

A polícia indonésia está a investigar a morte, em circunstâncias ainda não esclarecidas, de um homem identificado como Sutrimo, que segundo a comunicação social local geria há cerca de 20 anos a casa de Febrie Adriansyah, antigo procurador-geral adjunto para crimes especiais (Jampidsus), atualmente detido.

Febrie Adriansyah, que chefiou durante mais de quatro anos a unidade de crimes especiais (Jampidsus) da Procuradoria-Geral indonésia, demitiu-se do cargo a 11 de julho, na sequência de buscas policiais a várias das suas propriedades, incluindo uma casa em Sentul, na regência de Bogor, oeste de Java.

Nessas buscas, conduzidas pela unidade anticorrupção da Polícia Nacional (Kortas Tipidkor), as autoridades apreenderam cerca de 19 milhões de dólares em diversas moedas e 74 quilogramas de barras de ouro.

O caso foi, entretanto, transferido da polícia para a Procuradoria-Geral, que constituiu Febrie arguido por branqueamento de capitais alegadamente cometido durante o exercício de funções públicas, num processo ligado ao tratamento de um anterior caso de corrupção envolvendo a seguradora estatal PT Asabri, segundo o jornal The Star.

Febrie foi detido na noite de sexta-feira, 24 de julho, depois de cerca de dez horas de interrogatório, e colocado sob custódia por um período inicial de 20 dias num centro de detenção da Comissão de Erradicação da Corrupção (KPK), decisão que o procurador-geral adjunto para a supervisão, Rudi Margono, apresentou como medida de proteção, dado o perfil de casos de alto perfil que o antigo procurador geriu.

Febrie nega qualquer ilegalidade, incluindo a titularidade do ouro e do dinheiro apreendidos, e diz ser vítima de “criminalização”.

O homem encontrado morto, Sutrimo, de 42 anos, natural da aldeia de Wlahar, na regência de Banyumas, em Java Central, foi encontrado inconsciente na madrugada de quinta-feira, 23 de julho, no exterior da Mordent Aesthetic Clinic, uma clínica de estética há vários anos desativada, na Jalan Kramat Pela, no bairro de Kebayoran Baru, no sul de Jacarta – a cerca de 400 metros da residência privada de Febrie Adriansyah.

Segundo o portal Kronologi.id, Sutrimo tinha contactado familiares por telefone nessa manhã, pelas 6h37 locais, a queixar-se do seu estado de saúde; quando os parentes chegaram ao local, encontraram-no já inconsciente, com espuma na boca e no nariz.

A vítima foi transportada de ambulância para o Hospital Muhammadiyah Taman Puring, onde foi declarada morta à chegada.

O porta-voz da Polícia de Jacarta (Polda Metro Jaya), o comissário Budi Hermanto, disse que os investigadores continuavam a tentar apurar a causa da morte e se Sutrimo tinha alguma ligação formal a Febrie. “Ainda está a ser investigado”, afirmou Budi, citado pela agência indonésia Antara.

O caso só se tornou público três dias depois, no domingo, 26 de julho, através de mensagens em cadeia no WhatsApp e nas redes sociais, segundo o jornal Kompas.

Imagens que circularam nesses canais mostravam o corpo de Sutrimo com espuma na boca, coberto por um pano azul, mas médicos do hospital garantiram às autoridades que esse sinal já não estava presente quando o corpo deu entrada na unidade, após ser lavado.

Na segunda-feira, 27 de julho, equipas do Centro de Laboratório Forense da Polícia Nacional (Puslabfor), em conjunto com a Polícia Distrital de Jacarta Sul, realizaram uma perícia ao local durante cerca de uma hora, recolhendo diversos objetos – entre os quais uma caixa preta, uma almofada com lençol verde e outros artigos embalados em plástico transparente – para análise laboratorial. O responsável da unidade de crimes móveis da polícia distrital, o inspetor Robby Pasha, afastou, no local, a existência de indícios de veneno: “Não, não, não [foi encontrado veneno]”, disse aos jornalistas, segundo o Kompas e a Antara, remetendo mais esclarecimentos para os serviços de imprensa da polícia.

O Instituto de Vigilância Policial da Indonésia (IPW), uma organização de monitorização das forças de segurança, classificou a morte como “invulgar” e “não natural”, levantando a hipótese de Sutrimo ter conhecimento sobre provas relevantes para o processo contra Febrie – uma vez que morreu um dia antes da detenção formal do ex-procurador.

O advogado de Febrie Adriansyah, Febri Diansyah, disse desconhecer, quando questionado, a identidade de Sutrimo e a sua alegada ligação ao ex-procurador enquanto responsável pela casa.

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Escrito por RafaFM

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