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Atlanta, 09 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A eliminação do Egito do Mundial 2026, na terça-feira, dia 07 de julho, frente à Argentina (3-2), continua a gerar polémica, com a federação egípcia a apresentar queixa formal junto da FIFA e a exigir uma investigação à arbitragem, liderada pelo francês François Letexier.
As principais queixas do Egito centram-se na anulação de um golo de Mostafa Zico, aos 60 minutos, após revisão do VAR por alegada falta prévia sobre Lisandro Martínez, e em dois lances de possível grande penalidade a favor dos egípcios que o videoárbitro não chegou a rever.
Um desses lances esteve na origem do contra-ataque que resultou no terceiro golo argentino, apontado por Enzo Fernández, já nos descontos.
O selecionador egípcio, Hossam Hassan, maior marcador histórico da seleção do Egito, protagonizou a conferência de imprensa mais explosiva do Mundial até ao momento, acusando diretamente a FIFA de favorecer a Argentina por razões comerciais ligadas a Lionel Messi.
“Direi o que penso, custe o que custar, porque já não me importa. O jogo esteve claramente combinado, e todos viram”, declarou Hassan, citado pelo jornal argentino Infobae. O técnico foi mais longe, sugerindo que a seleção argentina terá pressionado o árbitro francês antes do encontro.
“Parecia ter havido pressão da Argentina sobre o árbitro, o que conduziu a este desfecho; já tínhamos manifestado as nossas objeções a esse árbitro.” Também o avançado Mostafa Ziko acusou publicamente a organização de favoritismo, considerando que “a Taça está direcionada para a Argentina”.
Durante o jogo, disputado em Atlanta, Hassan realizou por diversas vezes, junto ao banco egípcio, o gesto oficial da FIFA para denunciar alegados atos de discriminação – os braços cruzados junto aos pulsos, protocolo aprovado por unanimidade no 74.º Congresso da FIFA, em Bangkok, em 2024.
O momento mais mediático ocorreu já nos descontos, segundos após o terceiro golo argentino, no meio de protestos da equipa técnica egípcia por presumíveis gestos racistas vindos da bancada junto ao banco de suplentes.
Letexier optou por não travar o jogo nem ativar o protocolo, e viria a mostrar cartão amarelo ao próprio Hassan pelos protestos.
Na sequência do encontro, o presidente da Federação Egípcia de Futebol, Hany Abo Rida, apresentou formalmente à FIFA um processo a solicitar a investigação e o afastamento definitivo da equipa de arbitragem.
Rida considerou que os critérios adotados pelos árbitros geraram “profunda frustração” entre jogadores, equipa técnica e adeptos, que esperavam “os mais elevados padrões de arbitragem” no maior palco do futebol mundial.
Com a vitória, a Argentina apurou-se para os quartos de final, onde defronta a Suíça, este domingo, em Kansas City.
A controvérsia em torno da arbitragem no Mundial não ficou pelo caso egípcio.
A FIFA nomeou o argentino Facundo Tello para dirigir o encontro dos quartos de final entre França e Marrocos, agendado para esta sexta-feira, com uma equipa de arbitragem composta inteiramente por cidadãos argentinos – situação inédita nesta edição do Mundial.
Tello será coadjuvado pelos compatriotas Juan Pablo Belatti e Gabriel Chade como árbitros assistentes, Dario Herrera como quarto árbitro, e Cristian Navarro como árbitro suplente.
A decisão gerou forte reação nas redes sociais e na comunicação social francesa, sobretudo por a Argentina ser apontada como uma das principais candidatas ao título e potencial adversária da França ndo torneio, numa rivalidade desportiva intensificada desde a final do Mundial de 2022.
Segundo o jornal espanhol “AS”, a estação francesa RMC Sport manifestou surpresa com a escolha, considerando que a FIFA abriu espaço a “muitas dúvidas” ao nomear uma equipa de arbitragem de uma única nacionalidade para um jogo desta importância.
Nas redes sociais, adeptos de várias nacionalidades relacionaram a escolha com o desempenho de Letexier no jogo Argentina-Egito, questionando a imparcialidade da organização do torneio.
O selecionador francês, Didier Deschamps, comentou o tema com ironia na antevisão da partida: “Podem questionar, mas eu parto do princípio de que as nomeações são feitas corretamente e não há nada que possamos fazer a esse respeito. Confio nos árbitros e espero que o senhor Tello e os seus assistentes sejam amanhã tão bons como o senhor Letexier e os seus assistentes foram no outro jogo [Argentina-Egito]”, disse o técnico, citado pela RMC Sport, acrescentando.
“O nosso adversário é o Marrocos, não o árbitro.”
A FIFA não comentou publicamente as críticas e manteve a escalação da equipa argentina para o jogo.
FIM
Escrito por RafaFM
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