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Londres, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A aproximar-se o décimo aniversário do referendo do Brexit, comemorado a 23 de junho, o balanço económico do abandono britânico da União Europeia aponta para custos severos e duradouros, segundo estudos e análises publicados.
Os estudos mostram que o PIB do Reino Unido se encontra vários pontos percentuais abaixo do que teria sido caso o país tivesse permanecido no bloco.
O impacto não foi um colapso imediato, mas um travão gradual e cumulativo sobre o comércio, o investimento e a produtividade, tornando a economia britânica mais pequena do que de outro modo teria sido.
O Gabinete de Responsabilidade Orçamental britânico assumiu há muito que o Brexit reduzirá a produtividade de longo prazo em cerca de 4%, em grande medida porque uma menor intensidade comercial torna a economia menos aberta e menos produtiva.
Outros estudos, utilizando métodos de controlo sintético ou evidências ao nível das empresas, produzem estimativas na mesma ordem de grandeza, por vezes superiores.
O Acordo de Comércio e Cooperação evitou tarifas na maioria das trocas de bens, mas não preservou nem de longe a relação económica que o Reino Unido mantinha como membro do mercado único e da união aduaneira.
As empresas passaram a enfrentar controlos aduaneiros, requisitos de origem, burocracia regulatória e a perda do reconhecimento mútuo automático. As empresas de serviços, nomeadamente em sectores regulados, perderam direitos importantes de acesso ao mercado.
A livre circulação terminou.
A economia britânica apresenta crescimento lento e depende fortemente do sector de serviços. A evidência sugere que o Brexit criou ventos contrários para o Reino Unido, que em geral teve um desempenho inferior ao de economias semelhantes do G7 desde 2016.
A perceção dos britânicos sobre o Brexit inverteu-se de forma significativa ao longo da década. Apenas cerca de 32% dos britânicos consideram, em retrospetiva, que o país fez bem em votar pela saída da UE, enquanto mais de metade – 55% – pensa que foi uma decisão errada, segundo sondagem da YouGov de fevereiro de 2026.
Mesmo entre os que votaram a favor da saída, apenas dois terços continuam a achar que foi a escolha certa. Sondagens indicam que mais de metade dos britânicos voltaria a votar pela permanência na UE se tivesse oportunidade, com 80% dos jovens entre os 16 e os 24 anos a favor do regresso ao bloco.
O período pós-Brexit assistiu à passagem de cinco primeiros-ministros, sendo o sexto, Keir Starmer, quem hoje enfrenta crescentes dificuldades políticas.
Nenhum partido conseguiu apresentar uma visão política convincente, daí a deriva política que marca o país.
Starmer admitiu que o Brexit causou “danos profundos à economia” e prometeu ser “mais ambicioso” no aprofundamento dos laços com a Europa, mas o espaço político para uma viragem de fundo permanece limitado.
Uma recente sondagem YouGov indica que apenas 30% dos britânicos pensa que sair da UE foi a decisão certa, com 55% a afirmar que foi errada. Mais de 60% diz que o Brexit correu mal – incluindo cerca de um terço dos que votaram pela saída.
Os previsores económicos erraram ao antecipar uma recessão imediata após o referendo de junho de 2016, mas acertaram na previsão de que o país ficaria mais pobre fora da UE. O Reino Unido deixou formalmente o bloco em janeiro de 2020 e saiu do mercado único e da união aduaneira no final desse ano. O aniversário de 23 de junho coincide com um momento de debate renovado sobre o futuro das relações Reino Unido-UE.
FIM
Escrito por RafaFM
concluem estudos Dez anos do Brexit - Economia britânica ficou vários pontos percentuais abaixo do que teria sido na UE
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