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Deputados defendem priorização das oportunidades de emprego para os jovens timorenses e revisão do salário-mínimo

todayJulho 13, 2026 29

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Díli, 13 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Deputados timorenses defenderam hoje o reforço das oportunidades de emprego para os jovens timorenses e apelaram ao Governo para rever a sua política de contratação de trabalhadores estrangeiros e o valor do salário-mínimo nacional.

Olinda Guterres, deputada do partido KHUNTO, manifestou preocupação com o crescente número de jovens timorenses que procuram emprego no estrangeiro devido à falta de oportunidades no país.

Segundo a deputada, muitos jovens permanecem em Timor-Leste à espera de trabalho, pelo que pediu ao Governo que limite a entrada de trabalhadores estrangeiros nos setores onde os timorenses estão aptos a desempenhar as funções.

Olinda Guterres afirmou que os empresários estrangeiros podem investir e abrir negócios no país, mas defendeu que devem dar prioridade à contratação de trabalhadores timorenses.

A deputada chamou ainda a atenção para a situação dos trabalhadores do comércio, que, segundo ela, recebem um salário mensal de cerca de 115 dólares americanos, um valor que considera insuficiente para garantir uma vida digna.

Explicou que muitos trabalhadores gastam cerca de três dólares por dia em transportes entre localidades como Comoro, Becora e Hera, para além das despesas com a alimentação, reduzindo significativamente o seu rendimento disponível para sustentar as suas famílias.

Perante este cenário, apelou ao Governo para que crie mais emprego para os jovens timorenses, reduza a dependência de mão-de-obra estrangeira em funções que possam ser desempenhadas por nacionais e aumente os salários para garantir melhores condições de vida.

Por sua vez, o deputado José Virgílio, do partido CNRT, afirmou que qualquer eventual aumento do salário-mínimo deve ser acompanhado de medidas que permitam ao Estado reforçar as suas receitas para suportar os impactos económicos da decisão.

Defendeu que o Governo deve analisar a revisão dos salários-mínimos, especialmente para os trabalhadores das empresas públicas e privadas, lembrando que muitos funcionários destes setores continuam a manifestar insatisfação com as suas condições salariais.

O deputado José da Cruz, da FRETILIN, criticou ainda o atraso na implementação da lei do salário-mínimo, salientando que o tema tem vindo a ser debatido há mais de 14 anos sem qualquer progresso concreto.

O parlamentar acusou os partidos políticos de utilizarem frequentemente a questão do salário-mínimo como promessa eleitoral para conquistar a simpatia dos trabalhadores, mas de não implementarem as medidas após assumirem cargos governamentais.

José da Cruz defendeu que o salário-mínimo não deve ser politizado, mas sim visto como um instrumento essencial para garantir condições de vida dignas aos trabalhadores e evitar situações de exploração laboral.

Exortou ainda o Vice-Ministro dos Assuntos Parlamentares a apresentar a questão com seriedade ao Conselho de Ministros e a evitar criar falsas expetativas entre os trabalhadores.

Em resposta às intervenções dos parlamentares, o Vice-Ministro dos Assuntos Parlamentares, Adérito Hugo da Costa, afirmou que o Estado e o Governo têm desenvolvido políticas que visam facilitar o acesso dos jovens ao mercado de trabalho, permitindo-lhes adquirir experiência profissional e contribuir para o desenvolvimento do país.

Em relação ao salário-mínimo, o parlamentar reconheceu que o assunto ainda está em discussão e descreveu-o como complexo, indicando que o Governo já reuniu contributos de diferentes setores e aguarda uma decisão que incentive simultaneamente os jovens e os trabalhadores nacionais.

Adérito Hugo da Costa realçou ainda que a presença de trabalhadores estrangeiros continua a ser importante em determinadas áreas, mas defendeu que as funções que podem ser desempenhadas pelos trabalhadores timorenses devem ser atribuídas prioritariamente a nacionais.

Jornalista: Miguel Caldas

 

 

Escrito por RafaFM

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