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Sydney, 13 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A KPMG enfrenta uma crise de reputação à escala global, depois de o escândalo relacionado com o tratamento dado a um denunciante interno (whistleblower) na Austrália ter já provocado a demissão do presidente executivo da firma no país e se ter alastrado às operações internacionais da auditora.
Andrew Yates, presidente executivo da KPMG Austrália desde 2021, apresentou a demissão com efeitos imediatos, depois de assumir a responsabilidade pela falha da empresa em lidar adequadamente com as alegações de um denunciante sobre o uso indevido de informação de clientes.
A demissão foi aceite pelo presidente do conselho de administração da KPMG, Martin Sheppard, sendo Yates substituído numa base interina pelo sócio Stan Stavros.
“Tenho estado empenhado numa cultura de abertura na nossa firma; é claro que, neste caso, falhámos e eu assumo a responsabilidade”, disse Yates, numa declaração divulgada.
Foi também anunciada a saída do sócio nacional responsável pela área de auditoria e garantia, Julian McPherson, que deixará a empresa após uma transição organizada das suas responsabilidades junto dos clientes.
Segundo a Internacional Accounting Bulletin, a própria KPMG Austrália reconheceu que “o tratamento dado ao denunciante e a investigação às suas alegações ficaram muito abaixo das expectativas da firma, do próprio denunciante e da comunidade em geral”.
A IAB acrescentou que “a investigação interna inicial, que não confirmou as alegações apresentadas pelo denunciante, não foi conduzida, em retrospetiva, com o rigor necessário”.
A empresa indicou ainda que esta situação motivou novas comunicações e alegações por parte do denunciante, levando à contratação de uma firma de advogados externa – a Allens – para rever a investigação interna, sob a supervisão de uma subcomissão do conselho de administração liderada pelo vice-presidente.
As alegações foram inicialmente expostas ao abrigo do privilégio parlamentar pela senadora Deborah O’Neill, em 24 de março, no Senado australiano.
O escândalo extravasou já as fronteiras australianas.
Segundo o Financial Times, o denunciante levou as suas alegações à liderança global da KPMG depois de não obter resposta satisfatória junto da firma na Austrália, mas foi igualmente rejeitado a esse nível.
O denunciante alertou o presidente da KPMG International, Bill Thomas, e a diretora jurídica global, Anne Collins, sobre as alegações em maio de 2025, cerca de um ano depois de as ter apresentado por primeira vez à KPMG Austrália.
A KPMG International recusou-se a abrir uma investigação, com a sociedade de advogados Freshfields a sustentar que a estrutura global não tinha autoridade para o fazer.
O caso tem também implicações junto de entidades públicas e clientes institucionais australianos.
A governadora do Banco Central da Austrália (Reserve Bank of Australia), Michele Bullock, confirmou junto de uma comissão do Senado que o banco irá reabrir concurso para múltiplos contratos com a KPMG, incluindo a linha telefónica de denúncias FairCall, avaliada em dez mil dólares australianos por ano, e os serviços de imigração, depois de a consultora ter admitido não ter respondido adequadamente às alegações do denunciante.
Bullock afirmou não acreditar que o banco central voltará a contratar a KPMG para o serviço de denúncias, sinalizando uma reticência mais ampla em contratar a firma no futuro, à luz de alegações que incluem o uso pouco ético de informação para conseguir contratos, maus-tratos a denunciantes e o recurso a inteligência artificial para facilitar respostas em exames internos. “Penso que estaríamos a observar a KPMG com muita atenção”, declarou.
Também o fundo de pensões australiano Rest manifestou preocupação. A entidade afirmou à Bloomberg estar “preocupada com a informação disponível no espaço público” e que está a procurar obter mais informação sobre o caso.
A KPMG é uma das chamadas “Big Four” do sector da auditoria e consultoria a nível mundial, juntamente com a Deloitte, a EY e a PwC, cujos clientes dependem da integridade dos seus relatórios de auditoria como garantia da fiabilidade das demonstrações financeiras das empresas.
FIM
Escrito por RafaFM
Demissão do CEO da KPMG na Austrália agrava escândalo global ligado a denunciante interno
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