Desporto

Curaçau, 156 mil habitantes, escreve história no Mundial 2026 com o treinador mais velho de sempre

todayMaio 28, 2026 20

Fundo
share close

WILLEMSTAD, 28 de maio de 2026 (RAFA.TL) – Uma pequena ilha caribenha de apenas 156 mil habitantes vai fazer história no próximo mês e disputar pela primeira vez um Mundial de futebol.

Curaçau, território autónomo dos Países Baixos, torna-se o menor país – em população e em território – a qualificar-se para a fase final, numa edição histórica em que leva consigo o treinador mais velho de sempre da competição: o holandês Dick Advocaat, 78 anos.

A classificação foi conquistada a pulso.

A seleção conhecida como a Onda Azul passou invicta pela primeira fase da qualificação da CONCACAF – quatro vitórias em quatro jogos frente ao Haiti, Santa Lúcia, Aruba e Barbados – e confirmou o apuramento na segunda ronda com três vitórias e três empates ante a Jamaica, as Bermudas e Trinidad e Tobago, garantindo um dos três lugares disponíveis.

“Fizemos história. Estamos a escrever a nossa própria história, para esta ilha”, afirmou o defesa Sherel Floranus.

Para a equipa e para o povo de Curaçau, a classificação já é em si mesma uma vitória. “Sabemos que há uma grande probabilidade de não ganharmos o Mundial, mas chegarmos lá… para Curaçau, é um momento muito, muito, muito bom”, disse Remko Bicentini, ex-selecionador nacional.

As proporções são vertiginosas.

O primeiro jogo de Curaçau no Mundial – a 14 de junho, frente à Alemanha, em Houston – decorre numa cidade com 15 vezes mais habitantes do que toda a ilha.

O próprio estádio de Houston tem capacidade para acolher metade da população inteira de Curaçau.

Com apenas 444 quilómetros quadrados de território, a ilha tem uma área aproximada ao município de Díli e uma população que é cerca de metade da que habita a capital.

Nas casas de apostas, as odds de Curaçau para vencer o torneio chegam a +250.000 – as mais longas de todo o torneio.

O grupo não podia ser mais exigente.

Após a estreia frente à Alemanha, 10.ª classificada no ranking FIFA, a Onda Azul defronta o Equador, 23.º, a 20 de junho em Kansas City, e a Costa do Marfim, 34.ª, a 25 de junho na Filadélfia. Curaçau surge no 82.º lugar do ranking mundial.

Mas nada disso parece intimidar a equipa.

“A Alemanha que se acautele. Curaçau vem aí. Somos pequenos – mas gigantes no Mundial”, afirmou Ricardo Martinez, locutor de rádio que transmite os jogos da seleção.

A ilha foi parte das Antilhas Neerlandesas até outubro de 2010, quando se tornou um território constituinte mais autónomo dos Países Baixos.

A monarquia holandesa mantém soberania, os cidadãos têm nacionalidade neerlandesa, e a preparação para o Mundial decorreu esta semana nos Países Baixos – a nove horas de voo – onde a seleção foi recebida com cartazes de “bem-vindos a casa”.

A ligação aos Países Baixos explica que atletas de Curaçau tenham competido historicamente sob bandeira holandesa.

No Clássico Mundial de Basebol deste ano, os jogadores representaram os Países Baixos. Ozzie Albies, jogador dos Atlanta Braves da MLB e natural de Willemstad, capital da ilha, considerou a qualificação “super especial”. “O futebol sempre foi um desporto que praticámos, mas nunca chegámos ao Mundial. Consegui-lo é muito, muito, muito especial”, disse.

O primeiro-ministro Gilmar Pisas vê no Mundial uma oportunidade de unidade nacional.

“Tornamo-nos parte de algo maior do que nós próprios, algo que, apesar das nossas diferenças, nos une”, declarou, apelando ao espírito de “Blue Nation” – uma referência à cor azul que domina tudo na ilha, desde a bandeira ao famoso licor Blue Curaçau.

O rosto mais visível desse fervor é Brenton Balentien, conhecido como “Blue Face” – um adepto que, desde 2015, pinta integralmente a cabeça e o rosto de azul antes de cada jogo e se tornou mascote não oficial da seleção. “Fazemos isto por esta ilha, para que o mundo saiba quem somos”, afirmou.

O Mundial 2026, com formato alargado a 48 seleções, arranca a 11 de junho no Estádio Azteca, na Cidade do México, com transmissão exclusiva em Timor-Leste na NTV.

FIM

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!